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2ª parte da entrevista com Marcello Gugu – R.A.P. underground em cena!

Retomando, depois da parada para um post sobre a morte do rei do Pop, Michael Jackson e do “falso estrategista”, volto com o verdadeiro Marcello Gugu, na segunda parte da entrevista do freestyleiro e MC das ruas de São Paulo, mais precisamente das batalhas do Santa Cruz.

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Decepção no RAP é?

Ver a falta de união que tem hoje. Vejo que a grande maioria não pensa em unir para crescer, pensa em disputar espaço para ver quem chega mais longe. Isso é uma das coisas que mais me decepciona, essa divisão que, às vezes, acontece.

Motivação no RAP é?

A chegada de gente nova, as pessoas que esperam seu trabalho (desculpa a demora, as músicas vão sair (risos)), todos que colam nos shows, todos que ainda sentem a mesma coisa quando ouvem a batida, todos que não perderam a esperança de viver o sonho, apesar de trabalharem das 9h às 18h em outra coisa. Enfim, me motiva todos aqueles que ainda acreditam que vai dar certo.

Qual seu objetivo no RAP?

Cara, meu principal objetivo é deixar uma base sólida para as próximas gerações, saca? Trabalhar de uma forma que construa para os próximos uma visão de futuro. Pretendo ajudar a fortalecer o mercado, ajudar a colocar o RAP aonde deveria estar, respeitado como deveria ser. Acredito que todos temos que trabalhar juntos, pois estamos falando de uma cultura gigantesca, porem se cada um fizer sua parte, tenho certeza de que chegaremos longe.

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O que o RAP será amanhã para você? Como você enxerga o RAP no futuro? O que tem que mudar hoje?

Hoje vejo um despertar, uma vontade de se ter um mercado consumidor de RAP, uma vontade de se fazer grandes eventos para o público do Hip-Hop. Acredito que, após muito trabalho, o amanhã será bem diferente. Viver de música no Brasil é algo difícil, não impossível. Difícil é viver de RAP, pois não temos o respeito que merecemos. Acredito que amanhã, o RAP será visto como um gênero musical independente de quem estará fazendo. Para que isso aconteça temos que ter união, trabalhar juntos em prol de um objetivo em comum, o crescimento e fortalecimento da cultura como um todo.

Vejo o Hip-Hop como uma das culturas mais lindas do mundo e acho que, se conseguir transmitir isso para as pessoas, elas poderão enxergá-lo da mesma forma.

Que personagem te influenciou em sua vida?

Quando você diz personagem você diz Mc? B. Boy? Porque se for, posso te dar uma lista com uns 5 mil nomes (risos). Acredito que todas as pessoas com a qual você se relaciona te influenciam de alguma forma, tanto positiva quanto negativamente, muito ou pouco, não interessa. Acredito que todos que você teve contato, você deixou um pouco do seu eu e ficou com uma fração do eu alheio, entende?

Acho que a vida é um grande teatro e as pessoas são os personagens de um enredo maior. Posso dizer que o próprio existir, o viver me influencia e que a vida me dá meus Raps (risos).

Família é…

Essencial. Sem família, sem estrutura, sem chance (risos). Família não necessariamente a de sangue, família é afinidade, é sentimento. Considero minha família pessoas que não são dela necessariamente, mas que estão nela há anos.

Parceiros são…

Fundamentais. Houve uma época em que eu achava que podia fazer tudo sozinho, escrevia, fazia beats, queria riscar pra não precisar de ninguém pra riscar, tocava teclado, fazia não sei mais o que. Foi uma época meio egocêntrica, que graças a Deus passou porque eu pude ver que eu preciso dos meus amigos e igual eles precisam de mim.

E o mais engraçado é que hoje não vivo mais sem determinadas pessoas. Elas sabes quem são, não preciso citar nomes (risos)

O RAP é…

Meu eu!

Trajetória no RAP. Quem confiou no seu trampo e te deu a mão pra subir no palco do RAP?

Posso lembrar de um monte de gente que acreditou, me chamou pra tocar e que eu agradeço de coração até hoje pela oportunidade. Vou lembrar de alguns, porem a lista é bem maior.

Uma das primeiras vezes que subi no palco foi com a Banda Central, Kamau e DJ Negrito. Foi muito classe, me senti o Jay-Z, cara (risos)!

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Lembro quando o Akin chamou o MC Tuchê (salveeeeee fiote!) e eu para fazer umas rimas numa balada chamada Subversos, muito legal! O Venom do Projeto Manada fazia as batidas ao vivo na MPC, classe demais!

Familia Madá, Projeto Nave e toda família Saravejo(aê Ju, salve Ticanooo), sempre acreditaram no meu trampo, sempre me chamaram pra tocar e graças a Deus, hoje nos tornamos amigos, além da música.

Lembro de muita gente que confiou, que deu crédito e que deu espaço.

A esses eu sou eterno agradecido, se não fossem vocês, talvez hoje não estaria aqui! Obrigado!

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  1. Atevir
    17/07/2009 às 13:45

    Bela matéria hein Danilo. Parabéns mano. Um abraço Guerreiro. Fica na paz!

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