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A arte de desperdiçar talentos no Corinthians

No longíquo ano de 1988, um jovem (e ainda) franzino goleiro saía do banco de reservas e fazia sua estreia pelo Corinthians em um amistoso contra o São José. Anos depois, com apenas 20 anos, o garoto, de nome Ronaldo Soares Giovanelli, assumia a titularidade do alvinegro de Parque São Jorge.

Hoje, passados 22 anos, nenhum outro garoto formado nas categorias de base do Corinthians voltou a assumir o gol do clube. Enquanto grandes nomes surgem e se vão como jogadores quaisquer, as diretorias (que mudam de nome, mas não de postura) continuam gastando milhões na contratação de goleiros de outros clubes ao invés de dar uma oportunidade aos garotos da base.

Talvez seja um absurdo comparar estes jovens talentos com arqueiros do cacife de Dida, mas se comparados com Maurício, Nei, Doni e Felipe, talvez  a distância do absurdo seja bem menor.

Confira quatro talentosos goleiros que o Corinthians perdeu ao longo dos últimos anos e faça sua análise.

Fernando Yamada

Jogador de ascendência nipônica, alto e de boa envergadura, o goleiro Yamada iniciou sua carreira no Corinthians em 1993, com apenas 14 anos. Passando pelas categorias de base, o arqueiro se destacou na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1999, quando conquistou o título com o Timão.

Nem o fato de ter convocações para as seleções de base ajugou. A marca de ser um jogador formado na base, sob o rótulo óbvio de inexperiência, acabou pesando. Permaneceu até 2001 no Parque São Jorge, quando foi buscar uma oportunidade em clubes menores.

Passou por Bragantino, Guaratinguetá, São Bento, Noroeste e ABC.

Marcelo Marinho

Formado no terrão, Marcelo Marinho ganhou uma pequena oportunidade em 2006, quando o goleiro Fábio Costa saiu do clube, após a conquista do título brasileiro de 2005.

Ganhou uma chance na louca passagem de Daniel Passarela no clube, mas logo em seguida foi sacado sem explicações.

Hoje é titular absoluto e ídolo do Bahia.

Renato

Um dos mais talentosos goleiros vindos das categorias de base, Renato ganhou projeção nas seleções de base e também no selecionado pré-olímpico, quando deixou Fábio Costa no banco.

Também conquistou título da Copinha, integrou o elenco bicampeão brasileiro de 1998 e 99 e chegou até a seleção principal em um amistoso.

Considerado como sucessor de Ronaldo, foi relegado no Parque São Jorge. Assim, passou por Atlético Paranaense, Portuguesa, Internacional, Fortaleza, entre outros.

A falta de oportunidades o fez a tentar a carreira como corretor de imóveis, antes de voltar ao futebol recentemente. Atualmente defende o Grêmio Catanduvense na série A2 do Paulistão.

Ficou conhecido por ajudar o capetinha Edílson a escapar da fúria dos palmeirenses no Paulistão de 99, no episódio das embaixadinhas. Ao segurar Roque Júnior, foi obrigado a pular do gramado para os vestiários para não ser atingido.

Rubinho

O guarulhense, irmão do ídolo Zé Elias, saiu da base para o elenco principal em 2001. Passou três anos no Parque São Jorge e não foi reconhecido, apesar de algumas poucas chances no profissional. Foi campeão paulista em 2001 e 2003.

Quando partiu para o exterior, se destacou no Genoa, da Itália, e virou ídolo, sendo sondado por diversos clubes da Europa.

Em 2009, foi contratado pelo Palermo e, recentemente, foi cogitado como contratação dos ingleses Tottenham, Fulham, West Ham. Tem apenas 26 anos.

Júlio César

O atual terceiro (às vezes segundo) goleiro do Timão, de 25 anos, conseguiu o feito de tornar-se bicampeão da Copa São Paulo em 2004 e 2005. Sua habilidade para defender pênaltis é conhecida no Parque São Jorge.

Em 2008 viveu seu melhor momento no clube. Após as falhas de Felipe na decisão da Copa do Brasil contra o Sport Recife, foi efetivado à equipe titular por Mano Menezes. Mas, pouco tempo depois (e inexplicavelmente), foi sacado do time, mesmo com boas atuações.

Também inexplicavelmente perdeu espaço no time para o mais jovem (porém, nem tão talentoso, em minha opinião) Rafael Santos, que tem ganhado oportunidades na ausência de Felipe.

Foi oferecido para ser emprestado ao Oeste de Itápolis, mas sabedor de seu talento, não aceitou a proposta. Com títulos do Brasileiro de 2005 e da série B em 2008, Paulistão e Copa do Brasil em 2009, pode se juntar a mais um dos talentos jogados no lixo pela direção e comissão técnica corinthiana.

Em comparação a nomes medianos como Felipe, Doni, Maurício, Nei e outros que passaram pelo Timão, falta ousadia para bancar um garoto que se identifique com a meta e a torcida alvinegra.

Assim, nunca veremos novos Rogérios Cenis ou Marcos surgindo pelos lados do Parque São Jorge.

Lamento.

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