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Assessores desesperados

A estória abaixo é fictícia. Qualquer semelhança é mera, total, pura, extrema e coincidente coincidência.

O blogueiro pede desculpas aos Jornalistas, Assessores, jornais Notícia Expressa, Beltrano e Fulanos de Tais. Os nomes usados vieram deste cerebelo sem nenhuma intenção de identificar ninguém.

Cerca de uma hora após a vitória de Bahamas em uma Copa qualquer.

Fulano de Tal, jornalista: Alô, assessor? Tudo bem, quem está falando é o jornalista ‘Fulano de Tal’, do veículo ‘Notícia Expressa’, tudo bem?

Assessor com voz desinteressada: Oi. Pode falar.

Fulano de Tal: Então, lembra daquela brincadeira que estamos fazendo aqui no jornal, que o seu assessorado aceitou participar? Preciso do posicionamento dele para a edição de amanhã.

Assessor: Ah tá! O que você precisa mesmo? E quais serão os participantes?

Fulano de Tal: Preciso disso, daquilo e daquilo outro só. Ele vai participar junto com o Beltrano (rival no campo empresarial).

Assessor que já pressumia a resposta, agora desconcertado: Tá, vou falar com o meu assessorado e já te ligo.

Fulano de Tal: Ok, aguardo o seu retorno.

Passados 30 minutos…

Assessor retorna a ligação.

Assessor: Ó, ta difícil falar com ele, não tê conseguindo [com nítido cinismo]. Você não pode colocar alguém no lugar dele não? [temendo o confronto na brincadeira do jornal].

Fulano de Tal: Segundo a ordem que temos, não posso. Só restam os dois!

Assessor: Xii… acho que não vou conseguir falar com ele não.

Fulano de Tal preocupado: Ok, vou pensar no que farei, mas continua tentando, por favor?

Assessor: Ah, claro! Pode contar comigo [com mais cinismo ainda, quase um ator].

O jornalista, esperançoso, desconfia de que o assessor não gostou do confronto, que obedeceu a simples regra de unir pessoas com interesse comum na brincadeira e, óbvio, se são rivais, é porque são atuantes na mesma área da sociedade.

Estranhamente, 30 minutos depois, o assessor, transtornado, liga novamente.

Assessor: Deixa eu esclarecer, meu assessorado vai “brincar”com o Beltrano, nosso rival mesmo?

Fulano de Tal: Sim, ué! Aconteceu de ambos serem sorteados nesse sentido.

Assessor, usando a dúvida como desculpa: Como vai funcionar essa brincadeira? [Que já encontra-se na metade, tendo seu assessorado já iniciado a participação].

Fulano de Tal: Os convidados mandam a proposta, o jornal publica. Quem estiver certo, ganha pontos e segue na brincadeira, como você já sabe.

Assessor, agora já no nível 3 de sua voz: Sorteio. Sei… Eu sabia que isso não ia dar certo, que isso ia acontecer. Que vocês fariam isso de colocar meu assessorado junto ao Beltrano. Isso é ridículo, vocês estão querendo fazer guerrinha. Que palhaçada de vocês!

Fulano de Tal, já não tão calmo pelas falsas acusações, rebate: Assessor, desculpa, mas a editoria na qual trabalho me limita. Nela eu não teria como fazer ‘guerrinhas’ como você está dizendo. É algo como querer fazer guerra de letras com analfabetos. É só um jogo. Trocentas pessoas participaram e você foi o único que está fazendo escândalo por isso. O fato do seu assessorado participar com o Beltrano vai influir em quê nos próximos dias? Se ele perder, vai perder reputação?

Assessor: Não interessa, ele já conquistou o que queria, o Beltrano não. O que é ridícula é essa posição do seu jornal de querer fazer guerrinha até nisso. O Beltrano baixou o nível, falou que o cãozinho de estimação do meu assessorado não tem pedigree, disse que o jardim dele é mal cuidado e ainda ousou falar que o pneu do carro dele é de melhor qualidade.

Fulano de Tal: O que eu quero saber é se vai participar ou não. Se não for, vou publicar uma tarja na foto dele e dizer que não aceitou mais! Que seu assessorado não quer mais brincar!

Assessor: Não vou conseguir falar com ele, entendeu? E não se esqueça de que vocês ainda vão precisar do meu assessorado.

Fulano de Tal: Ah, claro. Vou precisar sim do seu assessorado, que entende tudo de culinária, para falar sobre as matérias de engenharia que escrevo. Pode ter certeza. Aliás, não sou jornalista de favor, não troco favores, exponho verdades. Se o seu assessorado não quiser falar, eu vou publicar o outro lado, problema de quem não quis se posicionar. O leitor não tem nada a ver com suas dores.

Assessor desliga todo macho.

Após grande estresse, o jornalista, já com um café descendo pela goela na cabeça quente, decide resumir a história para um companheiro. Após análises do comportamento inútil do assessor, já que o ‘duelo’ aconteceria em uma brincadeira, o companheiro informa que um ser superior contornaria a situação.

Não leitor, Deus não se meteu nessa história, até porque, educado como é, não foi chamado. Digamos que o nível não era dos mais divinos, apesar de não rolarem os conhecidos palavrões de redação!

Minutos depois, via MSN, o jornalista consegue o telefone direto do assessorado do assessor. O jornalista fará o contato e, como quem não quer nada, pedirá o posicionamento. Se questionado, diria que tudo bem e desligaria. “Só não discuta”, entendeu.

Entendido, lá vai o jornalista pular o degrau torto da assessoria e falar direto com o assessorado.

Fulano de Tal: Assessorado? Tudo bem, quem fala é o Fulano de Tal, do Notícia Expressa. Desculpa lhe incomodar, imagino que deve estar comemorando a vitória de Bahamas nesta Copa do Mundo de um ano qualquer, mas gostaria de saber seu posicionamento naquela nossa brincadeira.

Assessorado, visivelmente controlado e extremamente prestativo, oposto ao seu assessor (creio que a ordem deveria ser inversa, o assessorado deveria assessorar o assessor – isso daria um trocadilho), diz, com voz de suco de maracujá:

Assessorado: Meu assessor não te passou? Ué, eu já falei para ele, mas vamos lá… É isso, aquilo e aquilo outro, ok?

Fulano de Tal, se contendo para não rir: É aquilo, isso e aquilo outro?

Assessorado: Não, é isso, aquilo e aquilo outro.

Fulano de Tal: Ah, ok! Anotado. Muito obrigado senhor assessorado. Boa noite!

Assessorado: Boa noite!

Do nervoso aos risos, jornalista volta à redação às gargalhadas. Mal sabia que, enquanto falava com o assessorado, amigos dos amigos dos colegas do assessor descontrolado já tentavam contornar todo o caso que se formou por causa da brincadeira.

Conclusão

Fulano de Tal, jornalista, conseguiu o que precisava, o jornal e o assessorado saíram sem a tarja e, curiosamente, tanto o assessorado quanto o Beltrano, seu rival, colocaram posicionamentos diferentes. Ou seja, pelo menos na brincadeira, alguém vai sair vitorioso sobre o rival.

O jornalista, que aprendeu nas aulas de ética que nunca deve tomar partido de nenhum dos lados de uma matéria (afinal, o jornalista deve ater-se somente a relatar os fatos), vestiu literalmente a camisa do assessorado.

Torce para que o assessorado vença o “duelo” da brincadeira… e para encontrar o assessor em uma futura pauta, para constatar a cara do mesmo, que tentou impedir a participação do seu assessorado, sem que este o quisesse.

Moral da história: Nunca tome a frente de uma situação sem saber o que pensa aquele que você defende. Até o seu assessorado pode te decepcionar.

Moral da história 2: Assessoria, sinônimo de ajuda, auxílio. Existem assessores que não sabem diferenciar sinônimo de antônimo. Ah, moral da história é: Só contrate um assessor de imprensa se realmente precisar. Mas, se conseguir, trabalhe sozinho, às vezes atrapalha menos.

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