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Archive for março \10\UTC 2011

Mudanças – Mais um capítulo de minha vida

Fui tão determinado para aquela entrevista que não aceitava um não como resposta. Sem falsa modéstia, eu sabia que era capacitado para a função, mas o editor insistia em ter receio de me contratar. E tinha razão, afinal eu estava em um emprego estável há sete anos, com registro em carteira e todos os benefícios.

Mas fora da área. Eu queria ser jornalista! E falei por mais de uma vez que eu assumia o risco. E saí de lá já olhando no celular, esperando que me ligassem para começar logo.

Passaram alguns dias e, enquanto isso, negociava minha saída da outra empresa. E a ligação veio. Eu estava contratado! E, depois de muita negociação, vi que a saída da empresa antiga não sairia. E fui embora, sem olhar pra trás!

No primeiro dia sempre bate um frio na barriga. Os repórteres todos anotavam suas pautas e eu perdido ali no meio. Sem saber por onde começar, fui anotando a pauta do parceiro mesmo.

Até que recebi minha primeira pauta. Lembro que era sobre segurança em condomínios, com uma onda de assaltos em São Paulo, e tinha que trazer o tema para Guarulhos. Entrevistei um empresário do ramo de segurança, síndicos de condomínios, vendedores e saiu uma materinha bem fraquinha, simples, na linguagem jornalística, uma matéria fria.

Mas não foi fácil. Cada entrevista eu quase me enfiava embaixo da mesa para os outros repórteres não ouvirem minhas perguntas. E assim eu venci os três primeiros meses de experiência e me tornei um jornalista de verdade, saí do diploma!

Daí pra frente encarei vários desafios. Fiz matérias de exportação e importação, números, coisas que não tinha nem ideia do que significavam… e, em algumas delas, terminei de escrever sem entender nada, mas fui elogiado no dia seguinte pela clareza do tema.

Enquanto isso ainda invejava o repórter de esportes, que cobria o time da cidade. Foram alguns meses até que ele deixou o jornal rumo ao concorrente. E, após algumas cogitações, eu me prontifiquei à vaga que ficou aberta e tive que quase tomá-la à força.

Eu ainda não tinha dimensão do prazer que era cobrir esportes, profissional ou amador. É fazer aquilo que se entende. Cara, viajar para Taquaritinga no meio de um monte de “doido” falando besteira (e tendo que fechar os ouvidos pra isso), mas acompanhar o time da cidade vencer foi fantástico.

É, não ganhei nada por isso, mas o ganho foi pessoal e profissional. Acho que ali ganhei gosto pela profissão e pelo time. Porém continuei escrevendo matérias de cidades, política, meio-ambiente, trânsito, polêmicas com a Prefeitura, matérias chatas e outras legais, algumas que confrontaram com minha ética pessoal e me ensinaram a superá-las.

Aprendi a me enfiar em conflitos e a sair deles. Tive tempo de ensinar outras pessoas também, até concorrentes, porque um dia eu precisei de ajuda e nem sempre tive um tutor. Afinal, somos concorrentes, não rivais ou inimigos.

Senti a glória de conquistar um furo jornalístico. Nada como chegar no dia seguinte com a informação exclusiva estampada na capa e ver os concorrentes correrem atrás do prejuízo. É uma das guerras mais saudáveis que já vivi.

Viajei, dediquei finais de semana à profissão. Dirigi, até tirei fotos (e comprovei que continuo péssimo nessa arte) e vi que meu lugar era na escrita mesmo.

Fiz reportagens que surtiram grandes efeitos, que repercutiram, que resolveram pequenos problemas para as autoridades e grandes problemas para os guarulhenses. Para muitos, um buraco é “só” um buraco. Para outros, é uma tragédia. Independente disso, fizemos nosso papel de fiscalizar e cobrar os responsáveis.

Descobri túneis ocultos pela omissão daqueles que detém o poder nas mãos e mostrei claramente o quanto eles ignoram o bem estar da população. Mas também vi (e nem sempre pude relatar como quis) ações voltadas para aqueles que mais precisam.

Vivi aventuras. Construí amizades, aprendi a lidar com pessoas difíceis e outras muito fáceis, fiquei amigo do chefe sem misturar as coisas. Fui muito ensinado por vários ali dentro, divergi em diversos pontos, mas soubemos nos respeitar.

Convivi com fotógrafos, motoristas e outros repórteres doidos, cada um com sua loucura. Fui até assaltado em equipe, fui ameaçado por policiais. Inclusive, discuti com um deles que quis se valer da farda e amedrontar minha fotógrafa. E mostrei que eles não falam só com ignorantes.

Virei editor-assistente. Cresci pra caramba com a confiança que me deram. E ali trabalhei com cabeça-dura e cérebro fantástico, que deixou saudades. Voltei a ser repórter, mas não me senti menos por isso.

E depois de ver muitos vencerem fora dali, chegou a minha vez de fechar minha última edição de Guarulhos Hoje ou HOJE. A despedida foi bem menos dolorosa do que imaginei, até porque sei que não vou me distanciar tanto dos que ficarem ali. O mundo jornalístico realmente é uma bola e daqui a pouco nos encontraremos.

Aninha, Betão, Edu, Felipe Mathias, Viviane ‘Cabeçuda’ Pratis, Vivi, Ronaldo ‘Mestre’ Paschoalino, Bruno ‘Molão’ Molina, Jatobá, Deisy ‘Biribinha Atômica’ Assis, Gil Campos, Ernesto Zanon, Danilo, Chicão (Francisco X. Sampaio), André Rosa, Mojica, Vanessa ‘Sarcástica’ Coelho, Wellington ‘Suíno’ Alves, Rosa ‘Medo’ Pellegrino, Rafael BonaAAAAAlda, Bola, Paula Paulenas, Nathália Braga, Vito ‘V-I-T-O’ Zanella, menino novo (que não lembro o nome), Sílvio fotógrafo impagável Cesar, Antonio Boaventura… e se esqueci alguém, conforme for lembrando edito o post.

Cada um de vocês ensinou esse cara aqui a ser o jornalista que é hoje. Alguns muito pouco, outros fundamentais, e outros até exagerados. Mas muito obrigado por tudo o que fizeram por mim, quer seja por bem, quer seja por mal. Para me ajudar a crescer ou tentar me derrubar, para me ajudar a ser melhor ou tentar me fazer pior.

Encho a boca e falo com orgulho: o HOJE me formou. E após dois anos, vou para um novo e grande desafio, muito longe dali. Mas que espero que um dia me inspire a escrever outro texto desse, que meu filho um dia lerá. É, com apenas 25 anos, posso dizer que já tenho “As memórias de Danilo Barra” (por extenso, B-A-R-R-A).


Categorias:Textos

Exército G5 – Reviva RAP

Ói nóiz aí no Reviva RAP!

Categorias:R.A.P.

Por quê os brasileiros são acomodados?

Qual é a explicação para justificar a diferença de comportamentos entre povos distintos em se portar diante de adversidades? Ou melhor, indo direto ao ponto, porque o brasileiro é tão acomodado diante das situações que o prejudicam?

É quase inexplicável e incompreensível um povo que lutou tanto contra a ditadura, que viu vidas serem ceifadas pelos governos militares covardes, se comportar praticamente passivo diante de tantas situações promovidas pelo governo.

O ônibus aumenta para R$ 3 na Capital… e o povo não faz nada! O metrô aumenta para R$ 2,90… e o povo não faz nada! O pedágio na rodovia Fernão Dias aumenta… e o povo não faz nada! O pão aumenta… e o povo não faz nada!

Incrível que em nenhum destes itens citados a qualidade aumenta. Mas o lucro dos responsáveis por cada um aumentam sim. Enquanto no Egito, na Líbia, em diversos lugares de todo o mundo, as pessoas saem do comodismo, vão às ruas, sacrificam vidas em prol de mudanças, muitos aqui ainda acham ridículos e criticam estudantes que saíram recentemente às ruas em protesto contra o aumento das passagens de ônibus, que entraram em confronto contra a Polícia e a GCM.

Há cerca de dois anos, quando o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão – e simplesmente jogou no lixo cerca de R$ 40 mil investidos por mim em uma carreira profissional -, os protestos não reuniram sequer 400 pessoas em protesto contra isto.

Ou seja, pra mim está claro: os donos do poder sabem que somos inofensivos, nós não sabemos a força que temos unidos e tudo segue como está, eles rindo de nossas caras e nós sendo prejudicados… e rindo, bebendo cerveja e curtindo o carnaval, afinal, o Brasil é uma festa.

PS: Cada vez mais tenho certeza de que nasci na época errada!

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