Início > Textos > Mudanças – Mais um capítulo de minha vida

Mudanças – Mais um capítulo de minha vida

Fui tão determinado para aquela entrevista que não aceitava um não como resposta. Sem falsa modéstia, eu sabia que era capacitado para a função, mas o editor insistia em ter receio de me contratar. E tinha razão, afinal eu estava em um emprego estável há sete anos, com registro em carteira e todos os benefícios.

Mas fora da área. Eu queria ser jornalista! E falei por mais de uma vez que eu assumia o risco. E saí de lá já olhando no celular, esperando que me ligassem para começar logo.

Passaram alguns dias e, enquanto isso, negociava minha saída da outra empresa. E a ligação veio. Eu estava contratado! E, depois de muita negociação, vi que a saída da empresa antiga não sairia. E fui embora, sem olhar pra trás!

No primeiro dia sempre bate um frio na barriga. Os repórteres todos anotavam suas pautas e eu perdido ali no meio. Sem saber por onde começar, fui anotando a pauta do parceiro mesmo.

Até que recebi minha primeira pauta. Lembro que era sobre segurança em condomínios, com uma onda de assaltos em São Paulo, e tinha que trazer o tema para Guarulhos. Entrevistei um empresário do ramo de segurança, síndicos de condomínios, vendedores e saiu uma materinha bem fraquinha, simples, na linguagem jornalística, uma matéria fria.

Mas não foi fácil. Cada entrevista eu quase me enfiava embaixo da mesa para os outros repórteres não ouvirem minhas perguntas. E assim eu venci os três primeiros meses de experiência e me tornei um jornalista de verdade, saí do diploma!

Daí pra frente encarei vários desafios. Fiz matérias de exportação e importação, números, coisas que não tinha nem ideia do que significavam… e, em algumas delas, terminei de escrever sem entender nada, mas fui elogiado no dia seguinte pela clareza do tema.

Enquanto isso ainda invejava o repórter de esportes, que cobria o time da cidade. Foram alguns meses até que ele deixou o jornal rumo ao concorrente. E, após algumas cogitações, eu me prontifiquei à vaga que ficou aberta e tive que quase tomá-la à força.

Eu ainda não tinha dimensão do prazer que era cobrir esportes, profissional ou amador. É fazer aquilo que se entende. Cara, viajar para Taquaritinga no meio de um monte de “doido” falando besteira (e tendo que fechar os ouvidos pra isso), mas acompanhar o time da cidade vencer foi fantástico.

É, não ganhei nada por isso, mas o ganho foi pessoal e profissional. Acho que ali ganhei gosto pela profissão e pelo time. Porém continuei escrevendo matérias de cidades, política, meio-ambiente, trânsito, polêmicas com a Prefeitura, matérias chatas e outras legais, algumas que confrontaram com minha ética pessoal e me ensinaram a superá-las.

Aprendi a me enfiar em conflitos e a sair deles. Tive tempo de ensinar outras pessoas também, até concorrentes, porque um dia eu precisei de ajuda e nem sempre tive um tutor. Afinal, somos concorrentes, não rivais ou inimigos.

Senti a glória de conquistar um furo jornalístico. Nada como chegar no dia seguinte com a informação exclusiva estampada na capa e ver os concorrentes correrem atrás do prejuízo. É uma das guerras mais saudáveis que já vivi.

Viajei, dediquei finais de semana à profissão. Dirigi, até tirei fotos (e comprovei que continuo péssimo nessa arte) e vi que meu lugar era na escrita mesmo.

Fiz reportagens que surtiram grandes efeitos, que repercutiram, que resolveram pequenos problemas para as autoridades e grandes problemas para os guarulhenses. Para muitos, um buraco é “só” um buraco. Para outros, é uma tragédia. Independente disso, fizemos nosso papel de fiscalizar e cobrar os responsáveis.

Descobri túneis ocultos pela omissão daqueles que detém o poder nas mãos e mostrei claramente o quanto eles ignoram o bem estar da população. Mas também vi (e nem sempre pude relatar como quis) ações voltadas para aqueles que mais precisam.

Vivi aventuras. Construí amizades, aprendi a lidar com pessoas difíceis e outras muito fáceis, fiquei amigo do chefe sem misturar as coisas. Fui muito ensinado por vários ali dentro, divergi em diversos pontos, mas soubemos nos respeitar.

Convivi com fotógrafos, motoristas e outros repórteres doidos, cada um com sua loucura. Fui até assaltado em equipe, fui ameaçado por policiais. Inclusive, discuti com um deles que quis se valer da farda e amedrontar minha fotógrafa. E mostrei que eles não falam só com ignorantes.

Virei editor-assistente. Cresci pra caramba com a confiança que me deram. E ali trabalhei com cabeça-dura e cérebro fantástico, que deixou saudades. Voltei a ser repórter, mas não me senti menos por isso.

E depois de ver muitos vencerem fora dali, chegou a minha vez de fechar minha última edição de Guarulhos Hoje ou HOJE. A despedida foi bem menos dolorosa do que imaginei, até porque sei que não vou me distanciar tanto dos que ficarem ali. O mundo jornalístico realmente é uma bola e daqui a pouco nos encontraremos.

Aninha, Betão, Edu, Felipe Mathias, Viviane ‘Cabeçuda’ Pratis, Vivi, Ronaldo ‘Mestre’ Paschoalino, Bruno ‘Molão’ Molina, Jatobá, Deisy ‘Biribinha Atômica’ Assis, Gil Campos, Ernesto Zanon, Danilo, Chicão (Francisco X. Sampaio), André Rosa, Mojica, Vanessa ‘Sarcástica’ Coelho, Wellington ‘Suíno’ Alves, Rosa ‘Medo’ Pellegrino, Rafael BonaAAAAAlda, Bola, Paula Paulenas, Nathália Braga, Vito ‘V-I-T-O’ Zanella, menino novo (que não lembro o nome), Sílvio fotógrafo impagável Cesar, Antonio Boaventura… e se esqueci alguém, conforme for lembrando edito o post.

Cada um de vocês ensinou esse cara aqui a ser o jornalista que é hoje. Alguns muito pouco, outros fundamentais, e outros até exagerados. Mas muito obrigado por tudo o que fizeram por mim, quer seja por bem, quer seja por mal. Para me ajudar a crescer ou tentar me derrubar, para me ajudar a ser melhor ou tentar me fazer pior.

Encho a boca e falo com orgulho: o HOJE me formou. E após dois anos, vou para um novo e grande desafio, muito longe dali. Mas que espero que um dia me inspire a escrever outro texto desse, que meu filho um dia lerá. É, com apenas 25 anos, posso dizer que já tenho “As memórias de Danilo Barra” (por extenso, B-A-R-R-A).


Categorias:Textos
  1. Ana Paula
    11/03/2011 às 17:06

    ahhhhhhh eu chorei, de novo…seu bocó!
    Vc também nos ensinou mto…e me vi mto no que vc escreveu. Essa insegurança, essa experiência, escrever sem entender do assunto, mas me virar pra fazer a pauta virar…
    Fui repórter, fui fotografa, fui repórter e fotografa, fui assaltada, fui ameaçada, mas cresci como pessoa, como profissional e espero que toda essa bagagem que tenho aos 26 anos me sirva mais pra frente!
    Boa sorte Barra (B-A-R-R-A)…=D

  2. Rosa "sem medo por favor"
    12/03/2011 às 18:30

    Hahahaha, menino Barra, ainda tem medo de mim??? Mudei muito viu meu filho?!?!
    Sucesso nesse novo caminho, que vc prossiga sendo esse cara honesto, firme e ótimo profissional. É muito bom saber que vc tá progredindo, indo atrás do seu melhor. Se precisar de alguma coisa dá um tq!!! E me conta mais detalhes deste trampo!!! Abs e que Deus continue te abençoando!!

  3. 15/03/2011 às 18:58

    Danilo, parabéns mano… que Deus continue te abençoando a cada novo dia…

    forte abraço!

  4. Diego Mendes
    01/04/2011 às 13:16

    Parabens Dan! Parafrasiando Paulo: ‘o homem planta, mas quem dá o crescimento é Deus’, então qe Deus continue a te dá crescimento e vc a plantar, regar essa boa semente em toda a sua vida… qe Deus te abencoe!!

  5. Paula Paulenas
    02/04/2011 às 21:30

    Danilo,

    Ficou feliz por você, por ter conseguido dar um passo além nessa sua carreira, que tenho certeza que ainda brilhará muito mais! Lembro de quando nós dois entramos no jornal no mesmo dia, e, apesar de eu já ter tido experiências anteriores, também senti o mesmo frio na barriga que você, tive a mesma vergonha de fazer as entrevistas perto dos outros. Bons tempos de amadurecimento!
    Boa sorte na sua vida, e que você continue trilhando esse caminho de ética, honestidade, princípios e amizade!
    Não suma, ok? Mande notícias. Quando seu AP tiver pronto, me chama para conhecê-lo, que eu ponho no meu blog… rs…
    Beijos e sucesso!!!

    Paulinha

  6. Lucinei mãe do Wellington que tem 08 anos
    02/12/2011 às 19:18

    eu também sou Wellington Alves Rosa e moro em Várzea paulista -sp

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: