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Virada Cultural (?) – O Retorno

Todos os anos, este blogueiro retoma o tema Virada Cultural. Desta vez, abordarei um ponto de vista diferente, já que o lixo continua espalhado pelas ruas, mesmo com a Prefeitura fazendo a sua parte, disponibilizando milhares de lixeiras extras para a população.

Antes das críticas, quero dizer que enxergo a Virada Cultural como um evento louvável, se fosse desempenhado no seu objetivo mais simples: ‘levar cultura gratuita a toda população’.

Então, te pergunto: O que é cultura para você? Como você faz uso da cultura? Por qual motivo você consome cultura?

Em uma de minhas viagens, comparei o “espetáculo” dessa bagunça cultural com o nível de civilidade do povo que ‘curtiu’ este evento. Saldo final da ‘festa’: duas mortes e dois feridos gravemente.

Ah, mas se comparado ao enorme número de 4 milhões (estimado) de pessoas que passaram pelos diferentes palcos a Virada Cultural, estes mortos e feridos não representam nem 1% do total do público presente.

Legal! Isso quer dizer que é totalmente normal curtirmos, extravarmos e festejarmos alheios a duas vidas que se foram e outras duas que se feriram.

Eu aprendi que uma vida representa muito. E agora são diversas vidas, famílias, que sofrerão as dores destes que nos deixaram por conta da alegria.

Outra coisa que me chama a atenção e aí uso um comparativo para explicar minha análise fantasiosa de um evento deste porte e seus frequentadores. Um cão, quando é adestrado (ou seja, ensinado), não precisa de coleira para obedecer as ordens de seu dono. Já o que não foi adestrado, por vezes precisa de focinheiras para andar em nosso meio sem nos atacar.

Na Virada Cultural vi algo parecido. É um absurdo imaginar que são necessários milhares de policiais e guardas civis metropolitanos para garantirem a segurança de um evento que em momento algum incentiva o ódio entre as pessoas.

Mas as “raças” não se respeitam e basta colocar punks e skinheads próximos para que a rinha esteja formada.

Outros preferem comemorar a Virada Cultural se afogando em bebidas. A cultura destes, não pequena parte dos presentes, é encher a cara, se acabar nos vinhos químicos, que podem chegar a 96% de álcool, segundo especialistas. E me pergunto: como adquirem cultura se estão inconscientes ou fora de seu estado normal?

E o negócio se torna lucrativo para os ambulantes ‘informais’ (a Prefeitura autorizou 144 deles para venderem bebidas não-álcoolicas) porque a clientela é grande.

Mas nem com a fiscalização (ao menos presente, não sei se atuante) foi difícil encontrar diversos jovens com as garrafinhas de plástico na mão. O mais interessante ali parecia ser o efeito do álcool e descolar umas menininhas ou menininhos por ali, enquanto os dedicados artistas desfilavam seu repertório para os demais interessados.

E, por isso, lá se vai o dinheiro do governo para atender os comas-alcoolicos jogados pelas calçadas, ruas e sarjetas.

Não muito longe, em um show de rock, a alegria dos fãs da banda era subir nas estruturas de ferro, ignorando o perigo, jogar cadeiras para o alto e coisas afins.

E se o RAP antes era o culpado pela bagunça da Virada Cultural, agora foi deslocado para o Sesc Pinheiros, onde, num show de civilidade, MCs batalhavam entre si em duelos de rimas improvisadas (freestyle) com palavras sugeridas pelo público presente, o que os obriga a exercitar um mínimo de cultura no evento Batalha do Conhecimento.

Todo o meus respeito aos organizadores, às bandas, grupos, solos, atores, atrizes, gringos ou não, que dedicaram seu final de semana para entreter o público paulistano. Também às famílias e pessoas que, civilizadamente, valorizaram o trabalho destes.

Pena que boa parte continua sem entender o sentido da cultura!

PS: E, infelizmente, a ‘cultura’ da maconha foi, mais uma vez, a que mais circulou livremente entre os culturais.

Categorias:Textos
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