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O polêmico legado do Itaquerão

Não quero e não vou entrar no mérito financeiro da concessão fiscal que a Prefeitura de São Paulo visa promover ao Sport Club Corinthians Paulista com a construção do estádio no bairro de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

Itaquerão, Fielzão, Arena Corinthians, que seja, mas uma questão que está sendo levantada por oposicionistas à forma como a obra está sendo conduzida é completamente leviana.

Vejo munícipes e até vereadores citando que o legado que o estádio do Corinthians deixará na Zona Leste é comparável à situação vivida pelos cariocas com o estádio João Havelange, popularmente conhecido como Engenhão, e também aos estádios da África do Sul, construídos para a última Copa do Mundo, em 2010.

Calma lá. Vamos fazer alguns breves comparativos. O Corinthians é a equipe mais popular de São Paulo, com maior torcida em todo o Estado e a segunda maior torcida do País, atrás somente dos torcedores flamenguistas.

O Engenhão foi concedido ao Botafogo, clube que, infelizmente, deixou de ser uma das principais forças do futebol carioca há tempos. O estádio é mal localizado, sem muitas opções de transporte a quem não possui um veículo particular e está sob a responsabilidade de uma equipe que não possui uma torcida tão fanática como o Flamengo, por exemplo, que lota facilmente o Maracanã.

Já na África do Sul, já era esperado que os estádios construídos para a Copa do Mundo tornar-se-iam elefantes brancos. Isso porque o futebol (soccer) nunca foi o esporte mais popular no país africano. Lá, o esporte que mais chama a atenção da população é o críquete e o rúgby, que tem campos específicos para sua prática.

Diferente disso, o Itaquerão será a casa do Corinthians, na região populosa de Itaquera, conhecido reduto de torcedores corinthianos. É impossível imaginar que um estádio desse vá ficar parado ou não vá lotar, visto que o alvinegro de Parque São Jorge é uma das equipes com maior média de público dos campeonatos que participa.

Num chute baixo, ao menos oito jogos mensais são disputados pelo Timão, sendo considerado que destes, quatro seriam em casa. Não haverá fluxo de pessoas no comércio local? Uso de transporte público na região? E os estacionamentos da região, não vão faturar? Até os ambulantes vão filar uma boia com a venda de produtos não oficiais. E as casas, não serão valorizadas? E o transporte, não será melhorado? E as vias, não serão aperfeiçoadas para receber tal público?

Então, não será um elefante branco, isso jamais! Será muito utilizado. Mas, como adiantei no início, não vou entrar no mérito financeiro da questão, apenas tenho a certeza de que um estádio desse porte para um clube do tamanho do Corinthians não pode ser considerado um equipamento com prazo de validade.

Categorias:Esportes, Textos
  1. 30/06/2011 às 01:40

    Também tenho certeza de que o estádio não virará um “elefante branco e preto”. Mas tenho sérias restrições quanto às melhorias reais das condições de comércio, moradia e transportes na região. Posso estar sendo pessimista, mas acredito qua Itaquera continuará com a bagunça atual…

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