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Archive for julho \14\UTC 2011

A solidariedade que nos falta

A miséria e o sofrimento alheio já se tornaram tão comuns em nosso cotidiano que, muitas vezes (e infelizmente), viraram parte da paisagem, ou seja, não incomoda mais.

Mas Deus é tão perfeito que a própria natureza nos dá lições. E este exemplo que mostro abaixo vem do animal que o homem, ser tão inteligente, julga ser irracional.

Vejam e tirem suas conclusões:

Ainda tenho muito o que aprender!!!

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A corrupção que ronda nossas vidas

Valdemar Costa Neto. Nome conhecido negativamente por parte do eleitorado brasileiro. E inicio esse texto com uma declaração do mesmo publicada pela imprensa nos últimos dias:

 “Vamos falar claro: movimentei o caixa dois da campanha. Isso, todos os políticos brasileiros faziam. Todos. Se um camarada falar que não fazia isso antes, é um covarde, porque todos os políticos faziam isso”.

OBS: O Valdemar é aquele que esteve envolvido no escândalo do mensalão, que mandou cortar a água e a luz da mansão onde a ex-esposa vivia para tentar reaver o imóvel milionário e que agora está sendo citado em nova história no Planalto.

Voltando à frase acima, a primeira reação que isso te traz, tenho certeza, é repugnância pelos políticos de nosso País. Mas aí eu te pergunto: será que só eles são corruptos? (Sempre lembro dos que ainda trabalham com as mãos limpas).

 

Sabe, isto é um assunto que comento há tempos com algumas pessoas próximas. Quero deixar claro que não estou aqui para defender esse tipo de atitude, aliás, repudio isto.

Mas pense em seu cotidiano. Você é corrupto?

Não?

Tem certeza disso?

Colocaria sua mão no fogo por si próprio?

Já ouviu falar da polêmica Lei de Gérson? Aquela que diz que devemos levar vantagem em tudo? Pois é, chego a conclusão de que a corrupção é algo enraizado na cultura do brasileiro.

E não sei te dizer quem são os culpados. Se são alguns políticos que (talvez) nos deram esse mal exemplo ou se isso faz parte da natureza do brasileiro.

A corrupção que digo é:

  • Sabe aquele troco a mais que te deram no mercado? Você devolveu?
  • E aquilo que você achou na rua algum dia? Seja um pen-drive, um aparelho eletrônico, um objeto pessoal, um celular… ah, um celular, quantas pessoas já não acharam um celular melhor do que o seu. Você pensou no transtorno que poderia causar à pessoa que perdeu, nas informações que estavam ali?
  • E quando você aproveitou que o seu chefe deu uma saída ou naquele dia que ele não foi trabalhar e tocou suas prioridades ao invés de exercer sua função?
  • Você já se utilizou de sua posição para pressionar ou até passar sobre alguém?
  • Será que você já se apropriou da ideia de alguém para ser beneficiado, seja financeiramente, profissionalmente ou apenas moralmente?
  • Sabe aquele farol vermelho que você passou para não se atrasar, pensando em seu compromisso particular e esquecendo da segurança dos outros?
  • E quando você aproveita da desatenção de alguém para se beneficiar?
  • O velho ditado que aprendi ainda pequeno: “Achado não é roubado, quem perdeu é relaxado” mostra a importância de tirar vantagem desde criança.

Percebe que o problema não vem de cima? Como cobrar de quem comanda se os comandados agem compulsoriamente em pequenas corrupções?

Curioso que, quando devolvemos o troco a mais no mercado, a caixa já nos olha com expressão que diz: “Que honestidade, isto está se tornando raridade hoje em dia” ou “Que tonto, no lugar dele eu ia embora e problema de quem errou”.

E o Rashid bem disse na música “E Se… (remix):

E se o valor fosse buscado não só no real

Na moral, se a corrupção não fosse o nosso mal

 

É, infelizmente o certo se tornou errado…

Criticar o vidro sujo do vizinho deveria fazer-nos olhar antes para nossa própria janela.

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Noventa segundos para a vida passar

por Ernesto Zanon  

Jornalista e diretor de Redação do Grupo Mídia Guarulhos (@zanonjr)

O semáforo fecha. Ao lado do vermelho, o número 90 demonstra que – por um minuto e meio – o mundo ficará parado à minha frente. Uma rápida consulta ao smartphone revela que há emails a serem lidos. Ali não é hora nem o lugar. Olho à minha volta e percebo que o espetáculo vai começar.


À frente, um garoto, bem mais novo que meu filho de nove anos, joga bolas para cima numa tentativa de me emocionar e angariar algumas moedas. De tão pequeno, parece até que não irá conseguir alcançar a janela do carro, onde passa segundos depois em busca de seu objetivo.

Antes dele, já haviam percorrido o mesmo espaço três entregadores de jornais e dois vendedores. Um tentava me empurrar uma fruta exótica que nem o nome eu sei. O outro palhetas para o limpador do parabrisa. Veja se isso é lugar para comprar um equipamento de segurança para o automóvel…, penso e – lógico – não falo.

Impressionante, mas o garoto – só mais um entre tantos que se enfileiram nos nossos semáforos da vida – não me comove. É incrível como, cada vez mais, nos demonstramos insensíveis com a miséria. Talvez ela já esteja incorporada na paisagem urbana. O número ao lado do vermelho exibe ainda 55, quando eu falo que não há moedas disponíveis, a tempo dele se exibir para o carro de trás.


O tempo parece parado enquanto tantos outros automóveis passam na transversal à minha frente. Desta vez, outro garotinho, tão pequeno como o primeiro, passa em uma pequena bicicleta raspando a lataria dos carros. Ágil, parece se divertir em meio ao trânsito, ignorando os riscos que pode correr.

Impossível não imaginar de onde saem tantas crianças. Em qualquer esquina, elas surgem aos montes. Vem a ideia de um exercício de bondade e contabilizar quantas moedas seriam necessárias para atender a todos os pedidos ao longo de um dia, talvez uma semana… Seria uma forma de transformar em números o tamanho de nossa miséria.

Antes do semáforo abrir, dá tempo de perceber que brutamontes – homens e mulheres – se escondem na esquina. Parece que eles têm o trabalho de guardar os metais angariados. Funcionam como caixas.  5, 4, 3, 2, 1. Vem o verde. A vida segue. Nossa dignidade fica para trás. Até o próximo farol fechado.

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