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Para onde vão…

Dei sinal e entrei no ônibus.

Paguei a passagem, girei a catraca e me sentei num daqueles bancos de solitários (como eu!), naquele egoísmo de não sentar ao lado de outra pessoa… ou apenas pela preguiça de ir até o final do ônibus e não encontrar um lugar vago na janela.

Mal sentei, dei uma olhadela pela janela e ele me encarou. Deu uma olhada séria e fria para mim. Troquei um rápido olhar e imaginei que não estivesse sozinho.

Abusado, além de me olhar, ainda teve a ousadia de bater no meu joelho para chamar minha atenção. Olhei de novo e, desta vez, ele me olhou com uma cara de quem estava triste.

Olhei ao redor com medo de que o dono estivesse perto e achasse que eu tinha a intenção de roubá-lo.

Foi então que percebi: ele foi esquecido. Assim como dezenas, centenas, milhares de seus irmãos. Não, não estou falando de um coelho, falo de um simples guarda-chuva.

E, nesta mente fértil, me veio a seguinte pergunta: Para onde vão os guardas-chuva?

Incrivelmente, ocupei quase 40 minutos de viagem de Guarulhos ao Tucuruvi pensando sobre o assunto, rememorando alguns fatos de minha vida e fantasiando possibilidades.

Me responda você – que já dedicou ao menos dois minutos lendo este texto até aqui -, quantos guardas-chuva tu já perdeu ao longo de sua vida?

Tá legal! Se você tem 10 anos, é possível que tenha perdido só uns 30. Mas se já tem meus 25 anos, já deve estar chegando às 80 unidades.

Você já achou algum guarda-chuva? Confesso que esse foi o meu primeiro. Acho que por isso que estou tão maravilhado. Ou seria intrigado?

Onde estariam todos os 73 guardas-chuva que já perdi em minha vida?

O estigma começou quando ainda era muito novo. Os meus (ou os que minha mãe me emprestava e eu julgava serem meus) tiveram uma predileção por aquelas grades das carteiras antigas escolares (ou ainda seriam atuais?).

Sempre que colocava um ali, eles se escondiam de tal forma que era impossível encontrá-los antes de deixar a sala de aula. E costumavam vir à mente somente quando já estava algumas horas distante do local da ocorrência.

tentei adotar estratégias: amarrar em sacolas na mochila, colocar no bolso, usar modelos gigantes (aqueles tamanho família), mas é incrível! Todos eles conseguem, com uma sutileza indescritível, se desvencilhar deste que vos escreve e partirem para a liberdade.

Pensando em tudo isso, após quase 40 minutos da viagem até o Metrô Tucuruvi, tomei minha decisão. Apesar daquela cara tristonha, peguei aquele guarda-chuva pela orelha, sem nem um pingo de dó (eles nunca foram legais comigo), olhei enfezado pra cobradora e disparei:

– Toma. Alguém esqueceu e não fui eu. Antes que ele fuja de minhas mãos – ele já se contorcia -, fique com ele. Vai que alguém – muito improvável – decida colocar uns cartazes de procura-se e um aproveitador saia cobrando resgate, melhor deixá-lo nas mãos de alguém que talvez consiga detê-lo… Ou tenha um pouco mais de compaixão e liberte-o, rumo ao encontro do paraíso dos guardas-chuva perdidos!

PS: Por tudo isso, quando me encontrarem em meio a chuva (seja forte ou fraca), não me ofereçam carona nos seus companheiros protetores de água. Nós temos uma relação de ódio mortal. Meu guarda-chuva se chama “boné”.

Categorias:Textos
  1. 03/08/2011 às 17:28

    Como você é bobo, Danilo! Hahaha
    Pensei em mil coisas, menos em um guarda-chuva.

    Aliás, também tenho uma relação de ódio mortal com os meus. Quando eu preciso dele, estou sempre contra o vento e sabe, né? Sou magrinha e pra voar uma pequena brisa basta😦

  2. 03/08/2011 às 18:51

    Meu amigooooooo..vc manda muito beeeeeeem..sempre né. meu orgulho por vc é ter por esse post, porque até em um assunto bobo desses vc faz ser faz ser fascinante. PARABÉÉÉÉÉÉNS..ficou muito lokooooooooooo…………………

  3. 06/08/2011 às 12:34

    HAHA! Fazia tempo que eu não passava por aqui. Se soubesse o quanto eu estava perdendo, não teria deixado de visitar seu blog. MUITO BOM SEU POST, CARA! Sério, muito bom mesmo.

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