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Archive for outubro \31\UTC 2011

Gregos e troianos

Difícil entender a relação de dois seres totalmente distintos, que só tem seu Criador, como ponto em comum. Vamos ser sinceros: homens e mulheres são absurdamente diferentes. Observando tantas, mas tantas situações, entenda o abismo que nos separa…

Casal voltando do trabalho, o homem entra em casa, a mulher já chegou:

M- Oi amor…

H- Oi!

M- Oi amor…

H- Ooooiii!

M- Você tá bem?

H- Sim!

M- Mesmo?

H- Siiiiiim!

M- Que que aconteceu?

H- Nada, ué!

M- Por quê você está assim?

H- Assim como? Tô normal!

 

Pausa para explicação: ele ainda não entendeu!

 

M- Tá nervoso por causa do trabalho?

H- Não, tá tudo bem!

M- Tá nervoso comigo então (já cheia de culpa e com as lágrimas subindo os dutos lacrimais)?

H- Não, já disse que tá tudo bem!

M- Por quê você foi seco comigo então?

H- Onde fui seco?

 

Pausa para explicação II: “Impossível que ele não tenha notado… deve estar se fazendo de desentendido, pensando que sou burra” – pensa ela.

 

M- Você viu como falou comigo?

H- Sim, normal!

… ela já expondo um misto de nervosismo e drama

M- Você falou “Oi!”.

H- Sim, você me disse oi também!

M- Não, seu insensível. Eu disse “Oi AMORRRRRRRR…”

H- Então, e eu te respondi: oi!

Última pausa para explicação: mulheres são detalhistas, homens são objetivos. Para ela, a palavra AMORRRRRR dá todo um sentido no contexto da relação. Ele, na verdade, nem ouviu que ela disse “Oi AMORRRRR”, porque captou o principal da frase, a saudação, o tema central, ou seja, um simples oi.

Mulheres, calma, o homem não deixa de ser romântico, só não é romântico o tempo todo. Afinal, desde pequenos, os futuros machinhos são envoltos em disputas, até uma brincadeira de balanço é desculpa pra ver quem voa mais alto, enquanto as garotas preferem sonhar com o príncipe encantado, dificilmente estão em meio a disputas, são coletivas, se preocupam com as amiguinhas.

Outra coisa que mostra claramente o “abismo” que separa o homem da mulher são habilidades.  O marido é capaz de voltar da faculdade de engenharia com todo o trabalho pronto, cheio de cálculos algébricos, integral e diferencial, gráficos sem sentido e mais robuscados do que uma escultura barroca, mas peça para ele dobrar uma simples camiseta e veja o desastre anunciado.

Não é uma visão machista. 90% dos homens são péssimos em coisas básicas. Passar uma roupa é um Teste de Einstein para eles.

Já as mulheres têm uma incrível e quase sobrenatural habilidade de saber de cor e salteado diferenças quase inexistentes. Veja isso:

– Amorrrrrrr, você viu que fiz minhas unhas?

– (Putz, elas já não estavam feitas… e agora? O que faço? O que falo?) Claro amor, ficaram bonitas, não? Gostei do roxo!

– Aff… não é roxo amorrrrr. É “festa das cores”!

– Hein??? Se isso não é roxo, não entendo de cores.

– É, não entende mesmo. Tava pensando em pintar deasfalto”, mas ia ficar muito escuro. Até testei o “laranja-anil-pôr do sol-beija-flor”, mas por fim decidi pelo “festa das cores” mesmo.

Nisso, a cabeça dele já pifou, só na tentativa de entender o que seria o “laranja-anil-pôr do sol-beija-flor” e prefere pegar na mão dela e sair andando só pra ela não fundir ainda mais o motor dele.

Outra coisa impossível de desvendar são motivos. Mulheres choram de alegria, de tristeza, quando estão próximo dos “dias maus”, quando estão nos “dias maus”, quando passaram os “dias maus” (porque daqui a pouco vão chegar de novo), choram quando homens fazem surpresas, choram quando não fazem, choram na igreja, choram no velório, choram ao ver uma fruta caindo da prateleira no mercado (coitada, vai ficar só, longe de suas amigas, que nem eu quando saí da faculdade!)… poderia passar a tarde escrevendo uma infinidade de motivos.

E o mais impressionante é que o homem nunca, eu disse NUNCA, vai acertar o motivo nas 5 primeiras tentativas. E só acerta na sexta (sinal de muita sorte) se a mulher der AQUELA DICA.

Mulheres contam o dia em detalhes que nem um computador consegue armazenar. Elas lembram da hora que acordaram, qual pé colocaram no chão primeiro (sem superstições), qual sabonete usaram no banho, qual a cor da toalha que se secou, qual a combinação da roupa que pensou, a sombra que fará o contraste com a vestimenta, o cálculo exato do tempo que precisou para se arrumar, quantos homens a encararam no caminho para o trabalho, quantas mensagens enviou para o namorado e quantas ele respondeu, qual foi a última hora-minuto-segundo-centésimo que ele falou com você… enfim, cheguei na hora do início do expediente ainda.

Homens acordam, arrancam a cueca, se molham, vestem a calça que estiver ao alcance, fazem a barba, socam a camisa pra dentro da calça, passam o pente na cabeça e ganham a rua. Em 30 minutos já tomaram um café, coçaram a orelha 3 vezes, leram as notícias (ou jornal para os mais tradicionais), nem viu que a camisa estava com a gola amassada (e tava achando que a mulherada tava olhando porque tava bonitão hoje), soltou um leve (ou, dependendo da brutalidade, um alto) arroto e já não vê a hora do almoço chegar.

Mulheres querem atenção plena. O homem não pode – jamais, em hipótese nenhuma – falar com ela no celular e assistir TV ao mesmo tempo. Elas tem o ouvido hiper-sensível, acredite! A TV pode estar no volume 1 ou até no Closed Caption, não adianta. Ela vai perguntar: “Você tá ocupado? Quer que eu ligue depois?”.

Talvez seja uma certa dificuldade em fazer duas coisas ao mesmo tempo, algo inadmissível para elas. Mas fato é que elas nasceram com as orelhas mais sensíveis que tela de touch-screen.

O homem não tem essa dificuldade, porque, na verdade, ele nem exige tanta atenção. É treinado desde a placenta a morrer sozinho, independente… mas vá lá, alguns se entregam tanto à necessidade de conversar que cometem até a grave falha de chorar em frente a uma mulher.

Vê? Vou parar por aqui, tá grande demais este texto, mas é impossível acreditar que, além do Criador (Deus), haja algo mais em comum entre estas duas raças de seres humanos!

 

Viu que eu não estava tão errado assim?

 

PS: Na posição de um representante do sexo masculino, este blogueiro lembra que, por mais diferentes que somos delas, não quero viver sem a minha representante do sexo feminino! Como são essenciais… mas é difícil, não acham?

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Presente…

Esse ano queria ganhar um presente diferente. Lá se vão meus 26 anos e lembro como se fosse ontem o dia em que ganhei meu Atari (tá, pode chamar de velho, eu não ligo!).

Não foi presente de aniversário, mas tá valendo. Passei pelo excelente e inigualável Mega-Drive e cheguei no Super Nintendo. Já era grandinho quando não ganhei, mas comprei o meu próprio PlayStation 1. E parei aí. Não evolui para o 2, 3, XBox e outros games que tem mais de quatro botões no console.

Quando pequeno, já ganhei a assinatura dos gibis da Turma da Mônica. Foram os primeiros quadrinhos, pelos quais me apaixonei e sou fã até hoje, a ponto de assistir os desenhos animados quando passam na tevê.

Cresci e descobri as tirinhas do Snoopy, Charlie Brown, Lino, Lucy, Woodstock e turma toda. Comprei, não ganhei, assim como os livros de Calvin & Haroldo, uma descoberta que demorei lamentáveis 25 anos a fazer. E sei que vou ganhar de presente o box completo no próximo aniversário, porque já pedi.

Já ganhei patins “inline” ou “roller”, como preferir. Já me dei um skate de presente, nos melhores anos recentes de minha vida. Livros eu já perdi as contas de quantos ganhei, comprei, achei, troquei… aliás, nem peço mais porque falta espaço no apertamento para eles. O próximo que entrar toma o meu lugar em casa.

Gostaria muito de ganhar de presente um abraço da minha coroa, Dona Rita, que me deixou há quatro meses atrás. Mas seria egoísmo de minha parte tirá-la da Glória, logo agora que ela conquistou a tão almejada paz que merecia, ao lado do Pai.

Viagens? Já ganhei também. Nunca solo, porque apesar de gostar do isolamento muitas vezes, não saberia curtir algo sem as pessoas que amo por perto.

Já fui presenteado com tênis, roupas, bonés, meias, cuecas (né, Vó?), roupas sociais (eca), me dei dois computadores, CDs, DVDs, revistas, assinaturas de revistas, presentes simples como um peão e outros caros para mim.

Já ganhei presentes muito mais valiosos do que estes apenas materiais que citei acima. Abraços, amigos, colegas, celebrações, oportunidades, apoio… até uns presentes ingratos (presentes de grego, como dizem) como traições, pessoas que me largaram no caminho, mas tudo isso a vida ensina a contornar e nenhuma delas conseguiu me derrubar.

Puxa, ganhei reconhecimento, realizei um sonho com uns parceiros de gravar vários RAPs, ter o prazer de poder rimar, aliás, com um dom que é um presente de Deus, o dom de rimar.

Mas acho que o que eu gostaria de ganhar de presente neste aniversário vai muito além de qualquer preço que possam pagar: queria ganhar “tempo” de presente.

Tempo para olhar no olho das pessoas, de conversar e ouvir ainda mais os meus amigos e pessoas que precisam serem ouvidas, de poder ajudar, aconselhar, dormir, acordar, admirar a vida, ver o sol nascer e se pôr, contemplar as estrelas (se bem que com tanta poluição ultimamente, está ficando cada vez mais raro conseguir enxergá-las) e a lua…

Tempo para namorar, para ficar com minha família, ouvir minha irmã, conversar com meu pai, abraçar minha avó e minhas tias, tios e primo, de poder ensaiar mais com o Exército G5, apresentar mais, trabalhar mais nessa “freela” de MC, sair com os amigos, curtir umas festas, visitar amigos distantes, resolver problemas (haja tempo para isso) e mudar o mundo.

Por tudo isso (na verdade só isso, porque não tive tempo (!) de lembrar tudo o que queria fazer), quero mesmo é pedir desculpas a todos vocês (que leem ou não esse texto) por não ter tempo de fazer tudo aquilo que vocês precisam…

Mas o tempo é REI… ele pode distanciar, mas nunca apagar marcas do que já foi feito. Então, vou continuar vivendo meu tempo…

… “Mas enquanto o tempo não vem, espero com toda a calma / Curtindo a vida rimando com a força da alma / Tenho ar para respirar / Chuva para refrescar / Pássaros para ouvir / Flores para admirar / Sol para iluminar / Deus para adorar / Motivos de sobra para Celebrar…” (Celebrar – Exército G5 – parte de MLK)

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