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O que eu vi na Argentina e trouxe para contar… – Parte II

Eles são antipáticos mesmo

Pois é, triste constatação, mas é verdade. Um país com o turismo expelindo como um vulcão e seus habitantes não gostam de ninguém a não ser eles mesmos. O taxista que nos levou do aeroporto de Ezeiza até a 9 de Julio não falou sequer uma palavra e olha que eu tentei puxar assunto.

A cozinheira do hostel nem se preocupava em ser gentil. Queria era saber o número da habitación (quarto) e se era café ou té (chá), sempre com cara amarrada e má vontade extrema, e quantas media-lunas (croissant sem recheio) queríamos (a media-luna é o pão francês deles).

Sem generalizar, encontrei sim argentinos boa-praça, dispostos a falarem da rivalidade Boca-River, a serem gentis com os clientes (Feira de San Telmo), mas em síntese, a maioria parece conviver diariamente com o incômodo mau-humor.

PS: Emanuel, do Bar Bernardo, na esquina da 9 de Julio com a Humberto Yrigoyen. Peçam para serem atendidos por ele, se o encontrarem. Esse vai contra o mau-humor padrão argentino. Absurdamente simpático para os padrões locais.

Arrogância extrema

E eles também acham que sabem tudo. E o melhor é sempre deles. Não, a questão não foi a famosa discussão Maradona x Pelé. Estava eu em uma loja na Calle Florida a sondar o valor da camisa n° 2 da Seleção Argentina quando me deparei com uma crise de arrogância argentina.

A dona da loja, que não se preocupava em dar atenção a nenhum cliente, explodiu quando uma brasileira desavisada admirava uma mini-estátua do cantor de tango Carlos Gardel e perguntou se Gardel ainda estava vivo.

Tudo bem, era algo que devia-se saber, já que Gardel é um expoente do tango, conhecido em todo mundo. Mas a resposta foi atravessada.

“Gardel? Deve estar morando na Colômbia. Você devia ler mais menina, a história é internacional”, ironizou.

Por instantes não entrei louco da vida pra perguntar para aquela “coisa” se ela sabia me dizer quem era Cartola, expoente do samba, já que “a história é internacional”. Mas achei melhor não confrontar, ela ia querer comparar Gardel com Cartola ou qualquer outro e sempre ia se convencer de que o seu escolhido seria melhor. Então deixa ela se fechar no mundinho dela…

Caminito brasileiro

É… quase não acreditei quando caminhava pelas ruas argentinas e ouvi um, ou melhor, vários hermanos cantando “Noza, Noza, azzim voxê mê mata. Ai si eu ti pêgo, ai, ai, si eu ti pêgo”… Meu DEUS!

Pra me sentir ainda mais em casa, fui conhecer Caminito, um aconchegante centro de compras em La Boca, perto do estádio La Bombonera, do Boca Juniors. E ‘caminando’ por um galpão com uma feirinha de tranqueiras, meus ouvidos doem e noto que o ritmo é a base de ‘É o Tchan’, Carrapicho e outros…

E não foi só isso que me perseguiu. Quando o avião deixou Guarulhos, pensei que teria uma semana de folga do hit ‘Ai se eu te pego’, mas bastou chegar no barzinho da esquina pra ver os argentinos arranhando o refrão do bendito do Michel Teló. E todas as caixas de som que encontrei pelas ruas tocavam isso ou tango.

Na próxima segunda-feira vem a terceira parte, com uma tentativa de assalto em plena 9 de Julio e algumas curiosidades culturais dos hermanos…

Categorias:Textos
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