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Nós conseguimos… Campeão da América

Pode parecer mito, irritar aqueles que torcem contra, mas é a mais pura verdade: as coisas para o corinthiano são mais difíceis sim! E justamente por esta dificuldade e sofrimento que amamos tanto este time, difícil explicar.

Por fim, na noite de 4 de julho de 2012 colocamos um ponto final em uma batalha de 52 anos. E tinha que ser da forma mais emocionante, desbancando Vasco da Gama, Santos – o melhor time do Brasil segundo a crítica -, e na final bicho-papão e papa-títulos Boca Juniors.

Foto: http://www.meutimao.com.br (Agência EFE)

Poderia ter sido contra o Lanús, mas quis o destino que o Vasco estivesse em nosso caminho. O mesmo Vasco que já estava com o alvinegro paulista engasgado desde o Brasileiro de 2011.

Passado este obstáculo, poderíamos ter pego o valente e perigoso Vélez, mas, novamente, quis o destino, outra vez nos pênaltis, que o adversário fosse o atual campeão da América, com o melhor jogador do Brasil, Neymar, com o melhor armador do Brasil, Paulo Henrique Ganso, com um dos melhores técnicos do Brasil, Muricy Ramalho, o temido Santos.

Mas quem decidiu foi um ex-rejeitado, um atacante dispensado de seu ex-clube por problemas nos bastidores. E Emerson Sheik acertou um chute no ângulo que nenhum outro acertaria. Tinha que ser ele.

Na volta, tinha que ter emoção e Neymar e Borges fizeram o Santos assustar os fiéis no Pacaembu. Mas um ‘senhor de idade’, com sua calma e experiência de bola e de vida tocasse tranquilamente para as redes e garantisse o empate: Danilo. Pronto, estávamos na final… pela primeira vez.

Poderíamos ter decidido contra a ascendente Universidad de Chile, atual campeão da Sul-Americana, com um time que retrata o atual momento do futebol chileno: ágil, perigoso e letal. Mas o roteiro era preto e branco… tinha que ser o Boca, com seus 6 títulos, com Riquelme (com seus 3 títulos), com a mística da Bombonera, com o peso de sua camisa e com a lembrança recente das taças conquistadas contra Palmeiras, Santos e Cruzeiro, todos na casa do rival.

E se o roteiro era esse, não era possível que um garoto vindo do interior de São Paulo e em seu primeiro jogo na Libertadores faria a diferença. Jogo na Bombonera é jogo para quem tem experiência, quem é rodado. Mas foi Romarinho quem teve frieza de craque para empatar a partida diante de milhares de torcedores argentinos.

E, na grande final, o roteiro já é conhecido. Os argentinos vêm aqui, marcam um gol, exploram sua famosa catimba, expulsam um jogador do adversário e a partida acaba em pancadaria e os brasileiros frustrados.

Mas AQUI É CORINTHIANS! E quem provocou foi Emerson Sheik. Com dois golaços e tirando o zagueiro argentino Caruzzo do sério. Insinuando que batesse em sua cara, que revidasse, que estaria morrendo de medo, riu, brincou e até mordeu o dedo do argentino quando este tentou bater em seu rosto escondido das câmeras.

Ao final, o roteiro não sairia tão perfeito. Não teve sofrimento, como estamos acostumados. As pílulas tranquilizantes, os maracuginas e os remédios tarja-preta ficaram imóveis nas estantes. E a taça veio com um 2 a 0 sem sustos.

Nos bares, a plaquinha que dizia “Fiado? Só quando o Corinthians ganhar a Libertadores” foi recolhida para não dar prejuízo. Aos rivais, restou dizer que demoramos 102 anos para conquistar a primeira Libertadores (na verdade 52, né, pois o torneio começou em 1960), ou que ganhamos a primeira e São Paulo e Santos possuem três taças cada.

Enfim, independente dos argumentos, basta! Hoje o título é nosso. Não bastou ser o melhor do Brasil em 2011, o alvinegro lutou contra o estigma, a pressão de sua torcida e das demais, contra a própria história para sagrar-se o melhor da América.

E, diferente do script dos rivais, o título não teve Neymar, Pelé, Alex ou Raí como protagonistas. Foi um time, um conjunto, a união, os operários, um técnico contestado, mas respeitado, um goleiro sem currículo, mas muita segurança, um zagueiro desacreditado que tornou-se um leão, um volante artilheiro, um atacante com alma e catimba argentina, um meia considerado velho e lento, mas inteligente e preciso… e uma torcida impecável, motivadora, que deu espetáculo em cada partida no Pacaembu e fora dele, e, acima de tudo, fiel.

Não foi um título qualquer, não foi sobre um rival qualquer, não foi em um ano qualquer, afinal, colaboramos para dar força à ‘profecia mentirosa’ do fim do mundo dos maias.

E todos viram, sentiram e ouviram a força do ‘Vai Corinthians’ ecoando pelas ruas, fazendo São Paulo ganhar ares de dias de Copa do Mundo ou de final de ano (Natal ou Reveillón). Ficou ainda mais claro que o Brasil é dividido entre os que amam e odeiam o Timão, ou seja, não há um meio-termo, ame-o ou deixe-o, como diria o jargão brasileiro em época da ditadura.

O lugar reservado para a taça agora será ocupado. E para o torcedor corinthiano, pouco importa se o feito será repetido em breve ou se demorará mais 100 anos para acontecer. A sensação é de dever cumprido, fim das gozações e o Corinthians, finalmente, assume o posto que sempre lhe aguardou: CAMPEÃO DA AMÉRICA.

VAI CORINTHIANS!

Categorias:Esportes
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