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Fim da síndrome de vira-lata? Corinthians supera Chelsea e impõe força do futebol sul-americano

Somos campeões mundiais. Bi-campeões, chancelados pela FIFA. Mas o tema desse post não é apenas exalar a alegria que toma conta desse corinthiano, mas sim analisar o fim da síndrome de vira-lata que assola os clubes sul-americanos no Mundial de Clubes da Fifa.

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Antes da bola rolar para Corinthians e Chelsea, toda a mídia cravava o favoritismo dos ingleses e era de se esperar. O mercado dita a regra do favoritismo, já que a imprensa não avalia os times apenas pelo que jogam, esquema tático e etc, mas principalmente pelo quilate dos jogadores, ou seja, quanto vale cada equipe.

Tanto é verdade que Milton Neves, jornalista do qual eu discordo de 90% do que escreve, quis avaliar jogador por jogador de ambos os clubes e preteriu todos (eu disse todos) os jogadores alvinegros em comparação aos ingleses. Nem os horríveis zagueiro Cahill e o ala/zagueiro Ivanovic foram avaliados segundo o seu futebol.

Enfim, o Corinthians tomou sufoco? Sim, típico dos jogos do alvinegro, mas foi superior aos ingleses como tinha que ser. O Corinthians enterrou um ‘karma’ que persegue os sul-americanos quando vão jogar um  Mundial de Clubes contra times europeus: a síndrome de vira-lata.

Considerando apenas o Mundial de Clubes de 2005 em diante, quando a FIFA assumiu o comando do torneio, o São Paulo foi o primeiro sul-americano que levantou a taça, diante de um time inferior (ou no máximo empatado) tecnicamente, mas tomando um sufoco tremendo até o último minuto frente ao Liverpool. Graças ao espetacular Rogério Ceni, levou a taça contra um time que tinha um craque (Gerrard), um atacante em franca decadência (Morientes) e um monstro na reserva (Cissé), por mais uma opção “burra” do espanhol Rafa Benítez.

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No ano seguinte, foi a vez do Internacional enfrentar o poderoso Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Incontestável a diferença técnica entre os elencos: de um lado um time repleto de estrelas como Iniesta, Deco, Valdés, e do outro um time esforçado confiando no ainda garoto Alexandre Pato e na experiência de Clemer. Foi o mesmo sufoco, desta vez claramente o Davi vencendo Golias.

Em 2007, o copeiro Boca Juniors foi atropelado pelo Milan (4 a 2), visivelmente vestindo a camisa do vira-lata contra o pedigree de Inzaghi, Pirlo e Kaká. E, para comprovar o complexo de inferioridade, a medíocre LDU do Equador fez o gigante Manchester United suar para vencer por 1 a 0 em 2008.

A primeira equipe a pisar no gramado sem olhar para a chuteira do adversário foi o Estudiantes, comandado pelo experiente Verón, que vencia os catalães do Barcelona por 1 a 0 até um minuto antes do apito final, quando o jovem Pedro empatou e, cansados, viram Messi marcar o gol do título na prorrogação. Neste confronto era Ibrahimovic contra Boselli, Desábato contra Piqué, Braña contra Xavi Hernández, ou seja, desvantagem clara, mas bem diferente do que se viu em campo.

ImagemE, por fim, (desconsiderando 2010, quando o Internacional perdeu para o Mazembe e viu os italianos da Inter golearem os africanos) no ano passado, o Santos de Neymar, Ganso, Elano e Borges foi trucidado pelo toque de bola do Barça de Pep Guardiola e deixou claro que os sul-americanos ainda olham para o futebol do velho continente de baixo pra cima.

Ora bolas, quem exporta a matéria prima destes timaços europeus? Quem vende seus principais craques para os Chelseas, Barcelonas, Real Madrids e outros gigantes europeus? O que eles têm a mais é apenas o dinheiro, mas não detém a tática (exceto o Barcelona, que é um caso a parte depois da gestão Guardiola) e a técnica do futebol sul-americano.

A vitória do Corinthians em Tóquio é a vitória do futebol sul-americano, que, mesmo sem a estrutura europeia, mesmo sem os estádios europeus, mostra que jogamos sim de igual para igual, que o patrocínio da camisa não entra em campo na hora da decisão, que os técnicos daqui valorizam as competições, estudam os adversários e, no mínimo, sabem os nomes de quem vão enfrentar.

ImagemNós não somos, nunca fomos e não seremos inferiores aos europeus, basta pisarmos firmes nos gramados japoneses e lembrar que o futebol pentacampeão (Brasil) e bicampeão (Uruguai e Argentina) é sul-americano e a melhor escola do futebol (sem avaliações do MEC) ainda é nossa!

Categorias:Esportes
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