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Archive for março \26\UTC 2013

Resistência sem muros – Invasão do território inimigo e proclamação de vitória

Nasci e cresci entre histórias de superação, resistência e revolução. Meu pai é chileno, filho do conflito em busca de poder. Viu com seus olhos um ditador acabar com a vida de um presidente socialista em busca do poder. O foco aqui não é político, mas a revolução em si.

Ser revolucionário é batalhar por uma causa, mesmo que seja algo difícil ou distante de ser atingido, e mesmo que ao seu lado restem poucas pessoas ou apenas você siga na missão. É resistir mesmo que o sistema – bem maior do que você sozinho -, não lhe imponha muros.

Ser revolucionário é ser mal-visto por determinados setores da sociedade, mas acreditar que sua ideologia é muito maior do que ternos, status ou posições sociais.

O RAP é revolucionário por si só, pois surgiu diferente de quase todos os gêneros musicais existentes. Não veio para fazer dançar ou entreter, mas para fazer pensar, questionar, prpor mudanças.

Mas é democrático e, por óbvio, hoje é tomado por pessoas que esqueceram do seu motivo inicial. Isso não vem ao caso.

O RAP revolucionário pode ser exemplificado na figura de MC Marechal. Nascido em Niterói, Marechal é um desses que é respeitado e conhecido por todo o Brasil, que já rimou nos principais palcos e cidades daqui e já viajou pelo mundo levando seu trabalho, mas é bem capaz de trombá-lo no ônibus municipal, perambulando por aí.

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É um dos que respondem cada e-mail que recebe e tem paixão pela interação com o ser humano, além de ser exímio nas rimas.

No último dia 9 de março, pintou na telinha da Globo, em pleno Big Brother Brasil. O que seria motivo de traição ao movimento virou glória nas rimas cuspidas na cara do capeta. Dono de uma contundente letra chamada ‘Vamos Voltar à Realidade’, que denuncia a falsa ilusão que a tevê e o sistema vende às pessoas, Marechal foi o convidado de ‘Marquinho, O Sócio’, estrela do global The Voice Brasil, e que se apresentava em show exclusivo aos confinados da casa.

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Com versos rápidos e precisos, Marechal entrou com a bota cheia de lama direto das trincheiras, com seu uniforme revolucionário, empunhou o microfone como quem invade o inferno e xinga o próprio capeta com suas rimas:

“TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela entre as imagens / Traz mensagem distorcida das festas e futilidade / Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho / Despertador, Big-Brother, não aguento o 4! Sua tranca, seu quarto, seu tempo sentado, seu trago / Seu trampo, sentado, você servindo sem ver sentido / Sem teto, seu estado, no estúdio e não avista a intenção do inimigo”

http://www.videolog.tv/video.php?id=945082

Interessante e pressumível notar que a Globo não contava com essa participação, assim como o Faustão também não contava com o MV Bill denunciando a segregação racial vendida pela própria emissora em versos ao vivo, que fizeram o apresentador intervir e dizer que era um improviso do rapper, enquanto Bill seguir firme e forte mandando os versos até o fim, sem ligar para a interrupção.

“Pra que? Porque só tem paquita loira / aqui não tem preta como apresentadora / novela de escravo a emissora gosta / mostra os pretos chibatados pelas costas / Faz confusão na cabeça de um moleque / que não gosta de escola e admira uma intra-tek…”

Esta é a prova que muito me orgulha de ainda viver o RAP, lembrando que, no meio em que convivemos, muitos estão por interesse, mas ainda existem aqueles que empunham as armas (que não são letais fisicamente, mas podem ser letais mentalmente) e não se importam em dedicar suas vidas por amor de uma causa… mesmo que isso custe suas vidas.

PS: Respeito às devidas escolhas religiosas, mas me identifico ainda mais com o Evangelho, na figura de um homem que não se importou com os preconceitos, mas deu sua vida em prol de uma causa. Esse homem se chamou Jesus!

Categorias:R.A.P.

Um técnico e um craque

Antes de mais nada, uma explicação: treinador é aquele que treina, técnico é aquele que conhece o material e está apto a consertar os erros e fazer algo funcionar melhor. No caso deste texto, o técnico faz seu time jogar melhor.

Jogador é aquele que joga, craque é aquele que desequilibra, que se destaca muito além dos demais e pode decidir os rumos de sua equipe.

Parto dos exemplos:

– O Corinthians, atual campeão do mundo, tem em Alexandre Pato um craque, e em Tite um técnico. Mas uma equipe que brilha no conjunto.

– O São Paulo, atual campeão da Sul-Americana, tem em Luís Fabiano um craque e em Ney Franco um técnico. Mas a equipe ainda não encontrou o rumo ideal.

– O Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil, tem em Valdívia um craque no passado e, na atualidade, um jogador em busca do prestígio perdido, e no treinador Gilson Kleina um funcionário esforçado.

– O Santos, atual tricampeão paulista, tem em Neymar um craque e em Muricy Ramalho um técnico, que encontra grandes dificuldades para extrair o melhor de outro craque, o argentino Montillo.

Estes exemplos citados deixam clara a diferença dos gêneros jogador/craque e treinador/técnico para este blogueiro.

Citei tudo isso até aqui para falar do título carioca conquistado pelo Botafogo. Ou melhor, influenciado principalmente pelo holandês Seedorf e o técnico Oswaldo de Oliveira.

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É incontestável a qualidade do futebol apresentado por Seedorf em um time carente de craques há anos, como o Botafogo. Já Oswaldo de Oliveira convive com as críticas, pois, apesar de ter conquistado um título mundial com o Corinthians em 2000 e seguidos títulos à frente do Kashima Antlers, no Japão, ainda é considerado passivo e calmo demais para uma cultura de técnicos à la Luxemburgo e Felipão.

Enfim, citações à parte, anteontem o Botafogo voltou a sentir o gosto da grandeza, mesmo vencendo apenas a Taça Guanabara (1° turno do Campeonato Carioca, com o Fluminense focado na Taça Libertadores). Mas, desde o ano passado, vem caminhando no rumo certo de uma equipe que perdeu espaço diante dos seus rivais.

O título sacramenta a importância de Seedorf no comando do time, passando tranquilidade, com muita experiência e qualidade em suas atuações, assim como mostra que o técnico Oswaldo de Oliveira deixou de ser um treinador de ‘equipes com grandes jogadores’ e passou a saber trabalhar com ‘times’.

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Para comprovar, basta ver que no elenco Oswaldo de Oliveira conta com o goleiro Jefferson, os experientes zagueiro Bolívar e volante Renato (ex-Santos), e, claro, Seedorf, jogadores que pode se considerar na média, como Renato e Bolívar, acima da média, como Jefferson, ou muito acima da média, como Seedorf.

No futebol não existe fórmula de sucesso, mas por tentativa e erro, equipe com muitas estrelas midiáticas tendem a fracassar, enquanto times operários com um líder tendem a alcançar o sucesso.

O Botafogo ainda tem um longo caminho a trilhar e esse futuro dificilmente contará com Seedorf, que trilha para o final de uma carreira brilhante, mas hoje é possível acreditar que um craque e um técnico – obviamente com grandes operários complementando o trabalho – são capazes de levar novamente o clube carioca a dias de glória.

Fotos: Google Imagens

Categorias:Esportes

Barcelona. O fim de uma era?

A era do futebol bonito com resultado pode ter chegado ao fim em Barcelona. As duas derrotas seguidas diante do arquirrival Real Madrid, uma delas contra um time misto dos merengues, somadas à derrota diante do Milan, são sinais evidentes de que o Barcelona pode ter perdido seu encanto.

Não vejo como má fase, muito menos de comodismo, já que a equipe ainda sobra no Campeonato Espanhol, onde lidera com folga e caminha a passos largos rumo ao título. Muito menos menosprezo o peso da camisa do Real Madrid, maior campeão espanhol e detentor de “apenas” nove títulos do maior torneio do mundo, a Liga dos Campeões da Europa.

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PS: O blogueiro tem ciência de que o Barça vem sendo dirigido por Jordi Roura, enquanto Tito Villanova se recupera de tratamento contra o câncer.

Em crise escancarada por conta da arrogância de seu treinador José Mourinho e o elenco, o Real deu a volta por cima com as duas vitórias seguidas sobre o Barça. Enquanto isso, colocou em xeque o trabalho do técnico Tito Villanova e sua comissão técnica, que lembra os passos de Oswaldo de Oliveira no comando do Corinthians de 1999/2000.

À época, Wanderley Luxemburgo era o principal técnico do futebol brasileiro e conquistou o título brasileiro de 1998 com uma equipe fantástica do Corinthians, que tinha nomes como Gamarra, Vampeta, Rincón, Ricardinho, Marcelinho, Edílson, entre outros.

O desempenho do treinador o alçou à Seleção Brasileira e seu auxiliar, Oswaldo de Oliveira, assumiu o comando do alvinegro. Com uma equipe excelente em mãos, o treinador conduziu o time ao bicampeonato nacional em 1999 e ainda ao primeiro título mundial da história do clube, em 2000.

Tito Villanova era o treinador do Barcelona B e viu seu tutor, Pep Guardiola, ganhar tudo a frente do time azul-grená. Quando assumiu o time catalão, a equipe vinha de importantes conquistas como o Mundial de 2011 diante do Santos, a Liga dos Campeões 2010/2011 e a Copa do Rei da Espanha.

Com um time repleto de estrelas, inclusive titulares da Espanha – atual campeã mundial e europeia -, Tito Villanova tinha tudo para permanecer no topo, com uma equipe que desfilava em campo, sob a batuta de Lionel Messi, que segue batendo recordes.

Mas, de repente, na hora da decisão (Milan na Liga dos Campeões e Real Madrid na Copa do Rei e Espanhol), parece que faltou aquele algo a mais que vem do banco de reservas. O talento dos jogadores em campo não foi embora, mas, ao que parece, falta motivação aos barcelonistas.

O time mantém o toque de bola de Pep Guardiola, a paciência de Pep Guardiola, o controle da bola e do jogo de Pep Guardiola, mas não tem a cara de Tito Villanova em nada. Para dizer que não houve mudança, Jordi Alba e o brasileiro Thiago ganharam mais espaço na equipe catalã.

A ida de Pep Guardiola para Alemanha, no comando do Bayern de Munique, provará se a era do futebol vistoso e de resultado tinha maior porcentagem sobre seu método de trabalho ou se a equipe é quem fez o nome do treinador.

O desafio de Guardiola será tornar um futebol conhecido como bruto, de força e pouca habilidade diante dos rivais espanhóis, ingleses e italianos, em habilidoso, encantador como era seu Barcelona e, principalmente, manter os resultados favoráveis.

Pesa a seu favor o fato do Bayern manter uma distância enorme diante dos rivais alemães, mas fora dos seus limites territoriais terá um grande desafio de recolocar o futebol germânico na rota dos melhores do mundo.

Enquanto isso, o Barcelona vive sua crise existencial e tenta provar que uma equipe formada por Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi, David Villa, Piqué, Puyol e Cia. ainda tem laranja pra dar suco.

Categorias:Esportes