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Resistência sem muros – Invasão do território inimigo e proclamação de vitória

Nasci e cresci entre histórias de superação, resistência e revolução. Meu pai é chileno, filho do conflito em busca de poder. Viu com seus olhos um ditador acabar com a vida de um presidente socialista em busca do poder. O foco aqui não é político, mas a revolução em si.

Ser revolucionário é batalhar por uma causa, mesmo que seja algo difícil ou distante de ser atingido, e mesmo que ao seu lado restem poucas pessoas ou apenas você siga na missão. É resistir mesmo que o sistema – bem maior do que você sozinho -, não lhe imponha muros.

Ser revolucionário é ser mal-visto por determinados setores da sociedade, mas acreditar que sua ideologia é muito maior do que ternos, status ou posições sociais.

O RAP é revolucionário por si só, pois surgiu diferente de quase todos os gêneros musicais existentes. Não veio para fazer dançar ou entreter, mas para fazer pensar, questionar, prpor mudanças.

Mas é democrático e, por óbvio, hoje é tomado por pessoas que esqueceram do seu motivo inicial. Isso não vem ao caso.

O RAP revolucionário pode ser exemplificado na figura de MC Marechal. Nascido em Niterói, Marechal é um desses que é respeitado e conhecido por todo o Brasil, que já rimou nos principais palcos e cidades daqui e já viajou pelo mundo levando seu trabalho, mas é bem capaz de trombá-lo no ônibus municipal, perambulando por aí.

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É um dos que respondem cada e-mail que recebe e tem paixão pela interação com o ser humano, além de ser exímio nas rimas.

No último dia 9 de março, pintou na telinha da Globo, em pleno Big Brother Brasil. O que seria motivo de traição ao movimento virou glória nas rimas cuspidas na cara do capeta. Dono de uma contundente letra chamada ‘Vamos Voltar à Realidade’, que denuncia a falsa ilusão que a tevê e o sistema vende às pessoas, Marechal foi o convidado de ‘Marquinho, O Sócio’, estrela do global The Voice Brasil, e que se apresentava em show exclusivo aos confinados da casa.

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Com versos rápidos e precisos, Marechal entrou com a bota cheia de lama direto das trincheiras, com seu uniforme revolucionário, empunhou o microfone como quem invade o inferno e xinga o próprio capeta com suas rimas:

“TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela entre as imagens / Traz mensagem distorcida das festas e futilidade / Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho / Despertador, Big-Brother, não aguento o 4! Sua tranca, seu quarto, seu tempo sentado, seu trago / Seu trampo, sentado, você servindo sem ver sentido / Sem teto, seu estado, no estúdio e não avista a intenção do inimigo”

http://www.videolog.tv/video.php?id=945082

Interessante e pressumível notar que a Globo não contava com essa participação, assim como o Faustão também não contava com o MV Bill denunciando a segregação racial vendida pela própria emissora em versos ao vivo, que fizeram o apresentador intervir e dizer que era um improviso do rapper, enquanto Bill seguir firme e forte mandando os versos até o fim, sem ligar para a interrupção.

“Pra que? Porque só tem paquita loira / aqui não tem preta como apresentadora / novela de escravo a emissora gosta / mostra os pretos chibatados pelas costas / Faz confusão na cabeça de um moleque / que não gosta de escola e admira uma intra-tek…”

Esta é a prova que muito me orgulha de ainda viver o RAP, lembrando que, no meio em que convivemos, muitos estão por interesse, mas ainda existem aqueles que empunham as armas (que não são letais fisicamente, mas podem ser letais mentalmente) e não se importam em dedicar suas vidas por amor de uma causa… mesmo que isso custe suas vidas.

PS: Respeito às devidas escolhas religiosas, mas me identifico ainda mais com o Evangelho, na figura de um homem que não se importou com os preconceitos, mas deu sua vida em prol de uma causa. Esse homem se chamou Jesus!

Categorias:R.A.P.
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