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Redes sociais: o que deveria nos aproximar nos distancia

Redes sociais. Ah, que grande invenção da tecnologia. Orkut, Twitter, Facebook, Instagram… são tantas. Produziram verdadeiros milagres, conseguiram reunir num mesmo ambiente todas as pessoas com as quais nos relacionamos, seja na base do amor, na amizade, no coleguismo, convívio de trabalho ou até parceiros de viagens e sofrimentos no metrô ou ônibus.

Em instantes, você tem a poucos dígitos a interação, o envio urgente de uma mensagem ou até um bate-papo descontraído.

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Confesso que já fui pior, mas ainda sou um pouco avesso às redes sociais. Lembro que quando surgiu o Orkut, ainda estava no segundo ano da faculdade de Jornalismo. E a aula de webjornalismo tinha um professor falando quase sozinho na frente e 29 alunos atentos em adicionar amigos, postar recados nos murais, entrar e criar comunidades bizarras e rever colegas da época da escola (desde o pré – para quem lembrava o nome dos colegas de sala -, até os atuais).

Eu era o marciano. Não me perguntavam meu nome, minha idade, como eu estava, qual time eu torcia, o que eu estava fazendo ali. A pergunta era outra. “Você tem Orkut?”

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“Não”. Apenas não tinha interesse ou curiosidade. Quando entrei no universo orkutiano, o mundo já estava anos-luz à frente, com dezenas de milhares de comunidades, interações, e eu ainda aprendendo a adicionar minhas fotos.

Um dia eu enjoei e hoje meu Orkut deve estar às moscas, mas acho que ainda vive.

Gosto do Twitter, mas nunca criei meu perfil pessoal. E depois de muito ouvir falar, cheguei ao Facebook com um grande atraso, quase na chegada da primeira linha do tempo.

Acho que entrei oficialmente no universo facebookiano logo na virada de 2012. Hoje tenho 915 amigos (amigos?), considerando que muitos deles me adicionaram porque tenho um grupo de RAP – o Exército G5 -, que já rodou por São Paulo, ou seja, não me conhecem realmente e nem eu a eles, apesar de gostar de interagir e ouvir o que acharam do trabalho.

Enfim, chego ao tema do post. São 915 amigos e me pergunto: com quantos deles eu realmente me relaciono? O milagre das redes sociais não cumpre com seu objetivo: não nos aproxima, nos afasta.

Antigamente dávamos os parabéns pessoalmente, às vezes até com uma feliz e nojenta ovada, ou mandava uma carta escrita a punho, ou ligava e um mero parabéns virava uma conversa de meia-hora, lembrando de momentos que passamos juntos e marcando uma saída para rever os velhos amigos.

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Hoje as redes sociais viraram nossa memória (cada vez mais enferrujada) e nos lembram dos aniversários. Recebemos dezenas, centenas de parabéns em nossa timeline, mas nossa festinha tem apenas 5 amigos. Às vezes nem um parabéns, as pessoas cutucam, achando que assim conseguirão nossa atenção. Nenhum abraço caloroso, apenas bytes frios transformados em letras via ‘InBox’.

Não vejo mais meus amigos, porque eles preferem me perguntar como estou via rede social. Não me ligam para falar que conseguiram um emprego novo, que estão namorando, casaram, tiveram filhos. A rede social me avisa. E, com tanta frieza, só me resta enviar um parabéns em comentário na foto.

Marcar de reunir a turma do Senai, do antigo trabalho, da escola, da igreja, do futebol… pra quê? Se estão todos reunidos no mesmo grupo da rede social, podem se falar dali mesmo.

Se tem uma coisa que as redes sociais contribuíram é no bolso, porque ninguém mais gasta sola de sapato nem R$ 3 (por enquanto) para visitar ou rever pessoas. Por outro lado, nunca mais senti o calor do seu abraço, amigo!

É, eu me casei, me mudei por motivos de força maior (põe isso na conta da Trisul), estou distante da minha origem. Mas nunca me escondi, minha casa é sedenta por receber amigos, bem mais do que recados.

Timeline lotada de mensagens? Pouco me importa. Eu preferia receber visitas surpresas daqueles que sabem que os amo e marcaram minha vida.

Mas essa é a realidade, os tempos atuais, como diriam os mais antigos. Se não posso receber a surpresa da visita dos amigos, prefiro mantê-los ao menos nas redes sociais para saber que ainda vivem…

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Categorias:Textos
  1. 18/04/2013 às 17:18

    E que fique bem claro que só somos amigos ainda porque mantemos contato pessoalmente. No dia que isso mudar, só em casamento ou funeral.

    Brincadeira.
    Com um fundinho de verdade.

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