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O voo da borboleta

Início da era de vídeos na internet, há uns pares de anos ouvi falar de um menino que era um fenômeno nos campos do Paraná. Ele não vingou. Mais ou menos na mesma época, o Santos apostava todas as suas fichas em outro menino de nome estranho: Neymar.

Lembro exatamente do Vágner Mancini apostando suas fichas nesse menino e lançando-o no time do Santos. E ele era só um garoto ainda.

Na verdade, só soube mesmo que era o Neymar quando um técnico em decadência, mesmo vendo que o menino estava louco pra comer a bola num time medíocre do Santos, chegou numa entrevista e falou que o garoto era um filé de borboleta.

A frase era pra justificar que quem mandava ali era ele (Wanderley Luxemburgo). Chegou no time, colocou o menino no banco e sofreu na estreia. Sem opções, chamou o menino e outro garoto, um tal de Ganso. Ambos, entraram aos 27 do segundo tempo e quem marcou o gol foi o filé de borboleta.

Não preciso dizer que o Luxemburgo não arrumou nada no Santos. Já o Neymar…

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Recolocou o time na rota de títulos, virou o maior jogador em atividade do futebol brasileiro, a referência em uma Seleção tão sem identidade, um ídolo amado por sua torcida e querido por todas as outras.

Neymar Jr. tem sua falhas. Ele apanha demais, mas precisa aprender a ficar mais em pé. Ele faz golaços, mas tem horas que precisa ser mais objetivo e menos firuleiro. Não importa, Neymar é um fenômeno em tempos atuais.

Um craque que teria espaço na escalação e no coração de todos os torcedores, independente do time. E que foi mais do que um jogador, foi um parceiro do Santos.

Deu títulos; mesmo jovem, soube carregar o peso da camisa que ornou Pelé; fez o Santos voltar a ser competitivo; fez os times adversários temerem e/ou respeitarem a camisa branca do Peixe;  trouxe patrocinadores de todos os tipos e garantiu rendimentos que jogador nenhum trouxe ao time da Baixada; e soube se valorizar.

Disputou de Paulistinhas a Libertadores. Em campos medíocres e em verdadeiras arenas. Rodou o mundo. E agora partiu para glórias maiores.

Soube escolher o time certo. Não se importou com os milhões de dólares a mais do problemático Real Madrid, mas teve maturidade para escolher um time com padrão tático, sem estrelas, sem bagunças nos bastidores, sem crises… e com Messi.

Neymar pode até não brilhar na Europa como brilhou aqui. Mas estará num time que brilha, ou seja, não precisa ser estrela para vencer. Aprenderá a dividir os holofotes.

Nesta segunda-feira, primeiro dia oficial da sua despedida, transformou os noticiários em uma triste e dolorosa despedida. Mas leva mais uma multidão de torcedores para a Catalunha, que, se não torcerem pelo Barça, torcerão pelo seu sucesso.

O filé de borboleta ganhou corpo, ganhou títulos, ganhou fama, status, admiradores… e, pra bem longe de seu casulo, voou.

Voa Neymar, que torceremos por você daqui.

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Categorias:Esportes, Textos
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