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Entrelinhas – Marcello Gugu

“A mixtape superou todas as minhas expectativas. Já ouvi muitas mixtapes de boa qualidade, mas só de colocar essa mixtape no PC e ouvir a primeira faixa já me deixou orgulhoso de ver que o RAP pode chegar forte à periferia mesmo com outra linguagem, levando uma mensagem que deveria ser essencial em todas as letras de RAP: o amor”. – Declaração de Léo Balbino – apenas um ouvinte e amante da cultura hip-hop

Há longíquos quatro anos, o Blog do Barr@! entrevistou um cara até então desconhecido e tido como uma das promessas do RAP. Marcello Gugu despertou a atenção deste blogueiro dois anos antes, ao vencer a Liga dos MCs de 2007 numa batalha que envolvia monstros do freestyle como Emicida, Projota, Rashid (à época ainda Moska), J.L., entre outros.

Naquela época, Marcello já trabalhava em seu trampo solo. E, apesar de problemas com seu HD, prometeu lançar uma EP no final de 2009 ou mais tardar no início 2010. Hoje, 2013, após algumas ameaças de sair da toca, finalmente as ruas ganham um trabalho de excelente qualidade para o RAP com um nome tão propício à reação deste blogueiro quando soube que o disco finalmente saíra.

Até Que Enfim Gugu! 

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Baixe aqui o disco

Sem mi-mi-mi, bora pra entrevista onde Marcello Gugu fala sobre o nascimento do disco, poesia, o nível do RAP no Brasil comparado com o americano e até os protestos pelas ruas do Brasil.

Faaaaala Gugu!

Do Último Vagão, passando pela Afrika Kidz Crew e “Até Que Enfim Gugu!”, quem acompanha teu trampo há tempos espera ansiosamente seu trampo oficial. Apesar da expectativa, você sentia que ainda não era a hora? Qual foi a maior dificuldade de tornar este disco real?

O disco demorou quase 2 anos para ser concretizado, desde a concepção do conceito das músicas até a master final. Sou uma pessoa detalhista, perfeccionista e chata em relação a criação, gosto de trabalhar cada faixa como uma obra e só parto pra próxima quando encerro definitivamente uma. Acredito que a maior dificuldade de tornar esse disco real primeiramente foi o processo de transição das batalhas de freestyle para as composições. Quando se está batalhando –  pelo menos comigo era assim – o fluxo de pensamento era outro, era como se estivesse programado para raciocinar de uma forma, era estar pronto para o combate a qualquer hora. Quando comecei a trabalhar verdadeiramente a ideia de compor, de escrever um disco, tive que mudar a forma de pensar e começar a focar em âmbitos maiores. Sair da zona de combate e me por como telespectador da vida. Foi e é uma experiência fantástica se descobrir como escritor, poder transformar sentimentos em palavras e passar isso adiante. Claro que exigiu e exige muito trabalho, porque, apesar de sempre escrever, tive que lapidar as composições de acordo com os instrumentais, tive que recriar algumas coisas, abandonar outras e trabalhar em cima de ideias a fim de sair do óbvio e descobrir novas perspectivas de abordar determinados assuntos. Com esse disco quis trazer uma contribuição de forma positiva pra cultura Hip Hop como um todo. Fazer algo com qualidade para que o RAP transcenda públicos e gêneros musicais, expandir os horizontes assim como tantos outros artistas vem fazendo ao longo de seus trabalhos em suas respectivas carreiras. Essa mixtape foi um marco na minha vida e eu espero conseguir fazer todo o aprendizado que tive refletir dentro da cena atual. Fazer com que mais pessoas se tornem fãs de RAP e consequentemente da cultura Hip-Hop. Acredito em nós como um todo e acredito que meu trabalho como MC é transmitir os valores que essa cultura me ensinou: União, Amor e Respeito ao próximo. Fiquei muito satisfeito com o resultado do disco, todas as pessoas que trabalharam nele se dedicaram de forma absurda para que hoje ele pudesse estar na rua e, um mês depois do seu lançamento (01/06), já batemos mais de 17 mil downloads o que me deixa muito feliz em saber que nossa música está se propagando e atingindo mais ouvidos e corações.

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Ouvindo teu trampo percebo algo muito distante da realidade do RAP nacional. Faltam gírias e sobram poesias, lembrando muito nomes como Tupac e Nas. Isso é algo natural ou você que decidiu seguir por este caminho poético?

Na verdade é algo natural, quando penso nas linhas, penso em histórias por trás delas. Disso, lapido essas histórias, monto as linhas e elas ficam do jeito que estão no disco. Acredito que isso é influência das coisas que ouvi a vida inteira, cresci ouvindo Tupac, Gil Scott, Nas, Rakim, Common e outros MC’s que sempre prezavam a escrita, então cresci pensando que sempre deveria escrever o melhor que pudesse. Claro que até chegar nesse formato de escrita levou um tempo, afinal, tudo é um processo, porém, sempre que escrevi, escrevi dessa forma. A primeira música solo que eu gravei em estúdio se chama ‘Por Linhas’, é de 2007 ou 08 se não me engano, falava sobre o Metrô de São Paulo, e já tinha essas características de poetizar, utilizar metáforas e outras figuras de linguagem. Quando escrevo, meu objetivo é fazer as pessoas assistirem aquilo que eu estou falando, transformar a imaginação dessa pessoa em uma tela e fazer com quem minhas linhas pintem um filme no imaginário de quem ouve. Vejo cada letra como uma peça e acredito que essa peça vai imortalizar um determinado momento da minha vida, é como se fosse uma obra imortalizando um ponto de vista meu sobre um determinado assunto num período da minha vida, portanto, penso que devo me doar ao máximo para que consiga fazer uma obra que não dure semanas ou meses e sim anos. Quando ouvi Illmatic do Nas a primeira vez entrei em choque, e acredito que esse disco é o responsável por me fazer acreditar que não devemos mudar nossa essência, acreditar naquilo que fazemos e seguir nosso coração. Minhas linhas não são nada mais que a forma como eu vejo o mundo. Quanto a falta de gírias, eu as falo bastante, mas as vezes elas não se encaixam nas músicas pela forma como abordo os temas das canções, talvez, em alguns momentos, elas destoariam do conceito da música e iria parecer uma coisa forçada.

A metáfora de ‘Miss Hollywood’ é um retrato fantástico da realidade das gravadoras e o RAP atual, onde pouquíssimos MCs trabalham em conjunto com esse mercado e muitos alcançaram seus públicos com as próprias pernas. O trabalho independente parece uma tendência nas ruas, quase que uma regra. Alguma vez você pensou na possibilidade ou surgiu propostas para se vincular a alguma gravadora? E a sua escolha pela independência se deu como?

Eu acredito que hoje, o músico independente sabe como direcionar sua arte da forma em que acredita, sem sofrer interferência de um selo, o que permite com que a liberdade artística seja preservada. Com as ferramentas que a internet propicia tais como as redes sociais, o músico consegue além de divulgar seu trabalho para grandes públicos, manter um contato quase que direto com seus fãs, contratantes e todo círculo social que a indústria possui. Não acredito que seja uma tendência somente das ruas ou independente, mas uma tendência mercadológica atual devido a informatização dos processos de divulgação e distribuição.

Eu particularmente não sou contra assinar contratos, mas contra assinaturas que invalidam a arte. Já tive oportunidades de assinar algumas coisas, porém, não apareceu nenhuma oportunidade que eu veja que é vantajosa para minha arte. Acredito muito no trabalho independente pelo controle que você tem dentro dele, confio demais na minha equipe e só migraria para outro tipo de organização se, por exemplo, pudesse levá-los comigo. Trabalho com excelentes pessoas que acreditam mais na arte do que no jogo e acredito que isso faz com que os artistas independentes cresçam cada vez mais.

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O público do RAP hoje tem uma mente mais aberta para outros gêneros, mas vc, por ter uma raiz no rock, caminha por lugares incomuns no RAP, como escrever uma letra inteira para recontar a trajetória de Jimi Hendrix em ‘Jimi’, um ícone do rock. Porque a escolha de Jimi Hendrix para esta letra?

Na verdade a ‘Jimi’ é uma metáfora para um tipo de morte muito comum entre jovens e particularmente e infelizmente, aconteceu com vários amigos e colegas meus, a overdose. Quando escrevi Jimi, pensei em retratar os últimos 15 minutos da vida dele, porém, poderia ser os últimos 15 da vida de qualquer pessoa que exagerou na dose. Utilizei elementos para descrever um cenário e as sensações de uma over, para fazer com que o ouvinte se sentisse presente, quase que junto, assistindo a cena. Sou fã incondicional de Jimi Hendrix, cresci ouvindo, e utilizei sua figura por ver nele o que vi em vários amigos meus, a representação de uma vontade enorme de mudança, um espirito jovem e genial, enfrentando um contraste de se sentir tão deslocado a ponto de não conseguir se manter sóbrio. A Jimi representa boa parte de uma geração que cresceu comigo e infelizmente não esta viva para ouvi-la.

Com o disco nas ruas, você pensa em colocar o trampo de edição de áudio em segundo plano pra viver diretamente da música?

Sem dúvida! Ultimamente está bem difícil conciliar as duas profissões. Tenho passado muito tempo dentro de estúdios ensaiando e mexendo em coisas novas. Tenho tido inúmeras reuniões e propostas de contratantes e acredito que em pouco tempo já estarei vivendo somente da música, trabalhando diretamente com aquilo que eu amo. Claro que não descarto nunca a possibilidade de voltar a trabalhar com edição, mas por hora quero me dedicar cada vez mais ao Hip-Hop, possibilitando não só um crescimento pessoal, mas também fortalecendo para que a cena cresça e se expanda cada vez mais.

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Gil Scott Heron é um de nossos maiores poetas e destacou-se pela poesia cantada. E uma das músicas que mais te marcou é ‘I Used to Love H.E.R.’, do Common Sense, e lembra muito a conversa que você tem com o ouvinte na Introdução. A inspiração foi uma mescla destes dois trabalhos?

A cena mudou muito de um tempo para cá, o Hip Hop começou a atingir um Mainstream, outras classes sociais começaram a ter acesso, um mercado começou a se consolidar, a internet começou a revelar centenas de grupos e dar forças para artistas independentes, grandes gravadoras começaram a perder sua força, o processo de venda e distribuição de musica mudou, mídias especializadas começaram a dar ênfase na cena do RAP, ou seja, o movimento está passando por uma fase de transição, de crescimento e toda essa mudança tem refletido de forma direta no cenário atual da música. A inspiração que tive para escrevê-la foi uma pergunta que me martelava a um tempo, ao observar todas essas mudanças: se o Hip-Hop fosse dizer algo hoje, o que ele diria!?

Ela surgiu um dia quando estava escutando ‘So Far to Go’ do Common, uma música produzida por Jay Dilla.  Quando comecei a rabiscar, pensei em tudo o que queria ouvir do Hip-Hop, em tudo que acredito do Hip-Hop, em tudo que essa cultura me ensinou e que eu gostaria de ter a oportunidade de ensinar para alguém que está chegando agora. Quanto a ‘I Used to Love H.E.R.’, eu sou tão fã que tenho uma versão escrita que fiz um dia em homenagem, mas não sei se vou colocá-la na rua (risos). Foi uma das músicas que mais me tocou pelo fato de que, quando era mais novo, sempre achar que o Common falava de uma mulher, porém quando descobri que ele falava sobre o Hip-Hop entendi que existiam pessoas tão apaixonadas pela cultura quanto eu e que eu queria que essas pessoas, mesmo sabendo que elas não iam saber da minha existência, tivessem orgulho do meu trabalho. Levar para frente os ensinamentos de união, de respeito ao próximo e de amor, acreditar no poder transformador do Hip-Hop, acreditar em quantas vidas podem ser salvas pelo RAP, em quanto a arte resgata e cria possibilidades, enfim, o quanto o Hip-Hop pode ser um fator decisivo na vida de uma pessoa. Disso nasceu Gil Scott Heron.

Por que tantas love songs no seu trampo?

As love songs do disco são:

  • ‘Cão’ que é uma metáfora para uma relação conturbada, onde utilizei a ideia de uma arma e uma bala para ilustrar a natureza destrutiva que uma relação que não dá certo pode ter.
  • A ‘Deixa o Tempo Dizer’, que quis fazer na perspectiva do tempo contando uma história sobre um casal, inspirado nas histórias que ouço de madrugada em programas de rádio da Transcontinental.
  • A ‘Segundas Intenções’, que na real é aquele momento mais íntimo entre um casal;
  • E o skit ‘Indireta’, que de inspiração tive a ideia de fazer de cada frase uma punchline que serviria como indireta pras pessoas mandarem umas para as outras.

Eu acredito muito que o amor, independente de qual for ou pelo que for, é uma energia muito positiva dentro de uma determinada construção. Se eu tivesse que escolher uma love song do meu disco para me representar, por exemplo, escolheria a Intro do disco, ‘Gil Scott Heron’, que nada mais é que eu demonstrando todo meu amor pela cultura que me ensinou e me ensina tanto. O assunto ‘amor’ é algo muito amplo, pode ser definido de diversas formas e ter inúmeras interpretações, por exemplo, uma revolução pode ser considerada como um ato de amor por defender um ideal que você acredita. Se você ama sua quebrada, você não lutaria por ela? Por melhorias para ela?

Em relação às faixas do disco, em todas eu quis sair do óbvio, porém deixando elementos para que as pessoas se identificassem e não virasse uma música hermética demais. Quando, por exemplo, em ‘Deixa o Tempo Dizer’, não dou nomes e utilizo cenas de um cotidiano, permito ao ouvinte se identificar com as personagens da história, podendo dessa forma, se sentir parte vivente da música. Nas músicas procuro, apesar de existir elementos, não colocar um amor romântico e impossível, mas sim a energia de um amor que permite a construção de algo maior, até mesmo na cão, que mostra um amadurecimento vindo de uma percepção da não funcionalidade de uma relação. Quando você percebe que, por exemplo, sua relação não se dá por uma incompatibilidade de fatores, você percebe o quanto cresceu para observar isso e deixar o relacionamento levando o aprendizado dessa relação. Acredito em diversas formas de amor e em todo o aprendizado que o processo de estar em uma relação nos permite ter. Acho que quis colocar dessa forma no disco e pelo tempo que a mix demorou para ficar pronta, quase 2 anos, demonstro em cada uma dessas faixas um determinado período das relações que tive ao longo desse processo.

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Você acha que o nosso RAP está no mesmo nível ou melhor que o RAP Internacional? 

É difícil comparar a cena norte americana com a nossa dado que os caras estão alguns anos a nossa frente. Eu acredito que estamos bem próximos em questão de qualidade. Não acho que devemos nada, por exemplo, em questão de equipamento, apesar de pagarmos muito mais caro por eles (risos), porém mercadologicamente ainda estamos um passo atrás.

Em relação a escrita, composição, técnica, estamos chegando próximos também. Acredito que nesse exato momento estamos vivendo algo próximo do que a América viveu nos anos 90, acredito que estamos chegando numa Golden age nacional, fato que vai possibilitar um futuro muito mais promissor para a próxima geração. Podemos observar um mercado se expandindo, se consolidando, temos muito trabalho pela frente, mas acredito que os frutos já estão sendo colhidos, se compararmos com alguns anos atrás. Somos uma cultura de quase 30 anos aqui no Brasil, talvez um pouco mais ou pouco menos. Se você analisar a cena em questão financeira, ainda temos uma boa caminhada para nos equipararmos com os gringos, porém, acredito que daqui a 20 anos, artistas de RAP serão vistos com mais respeito graças ao trabalho de todas as gerações envolvidas no processo de mudança e crescimento da cultura.

Baseado em ‘Evita’, que usa a luta de mulheres da história para falar da revolução, falta foco hoje para revoluções? Ou faltam soldados dispostos a provocá-la?

Não acredito que falta foco e sim, muitas vezes, direcionamento. Estive nas manifestações que aconteceram em São Paulo nos últimos dias, participei observando as discussões em fóruns, as matérias tanto oficiais quanto as não oficiais e fui em diversos atos que ocorreram na rua. Vi que muitas das pessoas infelizmente não tinham o conhecimento da causa e dado esse fato deturpavam algumas coisas, e não acredito que isso seja falta de foco e sim de direcionamento. Quando falamos em foco, incluímos uma série de fatores, por exemplo, o foco das manifestações era, além de todo contexto moral, a diminuição da passagem do transporte (sim, não é pelos 20 centavos, é pelos direitos do povo a um transporte de qualidade e uma série de outras coisas que são negadas há anos, tais como educação, moradia digna e etc…), todo povo se mobilizou, o direcionamento foi dado pelo Movimento Passe Livre e no fim dos atos, revogaram o preço. Após a saída do MPL, o povo manteve o foco, ir para a rua, se manifestar, mas pela falta de direcionamento os interesses perderam a força porque passaram a ser interesses de grupos distintos, todos do povo, mas cada um lutando pelo seu.

Claro, TODOS devem ser ouvidos, porém, acredito que, com uma liderança, se enumerariam os mais urgentes e um por um seriam debatidos com as grandes autoridades, governos e etc. Quando temos um objetivo em comum temos um foco e, a partir disso, somos direcionados a uma série de metas a fim de cumprir esse objetivo para termos êxitos naquilo que focamos. Eu acredito que com uma liderança certa e com pessoas bem intencionadas, preocupadas com o processo da mudança e o resultado dessa mudança, atingiríamos excelentes resultados num processo revolucionário. Creio que mudanças são extremamente necessárias, vivemos em uma sociedade totalmente desigual em uma série de fatores, mas acredito também que o povo deve buscar informação. Temos uma arma na nossa mão, a internet, que quando usada de forma sábia nos traz conhecimentos sobre diversos assuntos e nos possibilita nos organizarmos de forma incrível, dado as manifestações que ocorreram. Cabe ao povo delimitar metas, focar nessas metas e direcionar ações em conjunto para que essas metas sejam cumpridas. Acredito que toda mudança parte do princípio de sair da inércia, e a pergunta é: o povo está preparado para isso? Eu, particularmente acredito que sim.

Categorias:R.A.P.
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. 03/08/2014 às 23:52

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