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Archive for dezembro \22\UTC 2013

Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo B

A atual campeã, a atual vice-campeã, uma seleção sul-americana em franca ascensão e uma representante da Oceania como clara coadjuvante. Este é o grupo B da Copa do Mundo de 2014, entre a previsibilidade e uma possível surpresa, segunda chave analisada pelo Blogdobarr@! (veja a análise do grupo A, o do Brasil, aqui).

Grupo B
Espanha
Holanda
Chile
Austrália

Espanha – Favorita, mas nem tanto

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Se levássemos em conta apenas a campanha espanhola nas eliminatórias europeias, a Fúria chegaria ao Mundial como franca favorita para o bicampeonato. Mas após a classificação invicta no grupo I, à frente de França, Finlândia, Geórgia e Belarus, a Espanha sofreu com alguns tropeços que acenderam o sinal de alerta.

A forma de jogar continua a mesma, do toque de bola, o famoso tike-taka, a habilidade de Andrés Iniesta segue a mesma também, mas a má fase de David Villa desde que deixou o Barcelona rumo ao Atlético de Madri só foi amenizada com o fim da novela do brasileiro Diego Costa, que decidiu por defender as cores da Fúria e desandou a marcar gols no Campeonato Espanhol.

A base está mantida, mas o técnico Vicente Del Bosque terá que se desdobrar para tirar da cabeça dos atletas a goleada sofrida diante do Brasil na final da Copa das Confederações e do revés diante da fraca África do Sul, no último amistoso disputado em novembro. Pouco antes, a Espanha ainda sofreu pra vencer a inexpressiva Guiné Equatorial por 2 a 1.

O grupo não será fácil. A vice-campeã Holanda e o ascendente Chile não serão adversários quaisquer, tendo apenas a Austrália como coadjuvante. Estaria a Fúria se fingindo de morta?

 

Holanda – Renovação para sair do quase

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A Holanda é aquela seleção que tem a simpatia de todos os torcedores, joga bonito, sempre chega como uma das favoritas, mas termina no quase. Desde o carrossel holandês, a Holanda nunca chegou tão perto do título quanto na última Copa, quando parou na rival Espanha na prorrogação.

Como em todas as eliminatórias, a Laranja Mecânica sobrou e passou com 9 vitórias e um empate em um grupo com Romênia, Hungria, Turquia, Estônia e Andorra. O marco da campanha foi o massacre por 8 a 1 na Hungria.

O técnico Louis van Gaal voltou ao comando após 10 anos e iniciou uma reformulação no elenco, mantendo algumas antigas estrelas como Van der Vaart, o goleiro Stekelenburg, Robben e Van Persie, mas apostando novatos como Janmaat, Indi, Blind e Dephay.

Divide com a Espanha o status de candidata à liderança do grupo.

 

Chile – Agora vai?

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Exceto por alguns talentos isolados como Carlos Caszeli, Figueroa, Marcelo Salas e Zamorano, o Chile nunca chegou perto de ser uma ameaça real às grandes seleções. Mas desta vez parece que a situação mudou.

A mudança é fruto de dois trabalhos de argentinos no comando da La Roja: Marcelo El Loco Bielsa e o atual treinador, Jorge Sampaoli. De uma equipe medrosa e ciente de suas limitações, o Chile passou ao futebol agressivo, habilidoso e ofensivo, impulsionado por uma geração de novos talentos como Aléxis Sanchez, Eduardo Vargas, Valdívia, Arturo Vidal, Beausejour e o seguro goleiro Bravo.

Grupo capaz de vencer a Inglaterra por 2 a 0 em pleno estádio de Wembley. Nas eliminatórias, alternou sequências de vitórias e tropeços, mas chegou à Copa com a terceira colocação.

Deu azar ao cair em um grupo com duas seleções favoritas ao título, mas pode surpreender. Afinal, quem venceu a Inglaterra em Wembley e deu sufoco na Seleção Brasileira em Belo Horizonte, pode muito bem aplicar uma peça em Espanha ou Holanda e ainda quebrar a barreira das oitavas de final alcançada em 1998 e 2010.

 

Austrália – Sem desfazer as malas

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A Austrália não poderia ter caminho mais espinhoso na Copa de 2014. Além de uma viagem cansativa ao redor de todo o globo para chegar ao Brasil, os Socceroos não devem estar muito otimistas em desfazer as malas por uma permanência maior em solo nacional.

A decisão corajosa de abandonar as fracas eliminatórias da Oceania e buscar a vaga na Ásia serviu para preparar melhor o elenco, mas talentos isolados estão longe de tornar a Austrália uma seleção competitiva.

O experiente atacante Tim Cahill continua como referência e tem o apoio do goleiro Schwarzer e do zagueiro Lucas Neill. Nada além disso.

Nas eliminatórias, passou sem dificuldades por Omã, Arábia Saudita e Tailândia, e só encontrou um pouco de dificuldade na fase final, quando teve o Japão pela frente, terminando em segundo no grupo B, apenas três pontos à frente da inexpressiva Jordânia.

Em amistosos recentes, duas goleadas por 6 a 0 sofridas diante de Brasil e França mostram que a passagem deve ser curta. Sem muito a oferecer, deve aproveitar o passeio e apostar na retranca em busca de algum empate.

 

Tabela de jogos

Espanha x Holanda – Dia 13.06.14, às 16h – Fonte Nova
Chile x Austrália – Dia 13.06.14, às 19h – Arena Pantanal
Austrália x Holanda – Dia 18.06.14, às 13h – Beira-Rio
Espanha x Chile – Dia 18.06.14, às 16h – Maracanã
Austrália x Espanha – Dia 23.06.14, às 13h – Arena da Baixada
Holanda x Chile – Dia 23.06.14, às 13h – Arena Corinthians

Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo A

Há quase quatro anos, postei aqui neste blog que você lê a análise dos grupos da Copa de 2010, disputada na África do Sul. Mantendo a mesma linha, a partir de hoje postarei os detalhes de cada grupo e seleção que disputarão o Mundial de 2014, desta vez em solo nacional.

Logo após a análise dos oito grupos, postarei detalhes dos craques que estarão em gramados brasileiros em 2014.

Reafirmo que mantenho a minha torcida pela seleção alviceleste da Argentina, porém sigo a ética jornalística da imparcialidade.

Começamos pelo grupo do país-sede, o Brasil:

Grupo A
Brasil
Croácia
México
Camarões

Brasil – Favorito e pressionado

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A seleção de Luís Felipe Scolari vive um excelente momento. Com sua maior estrela, Neymar, brilhando em gramados espanhóis após sua midiática transferência para o Barcelona, o técnico Felipão ajeitou o elenco encaminhado pelo antecessor Mano Menezes, fez as suas apostas em jogadores esquecidos como o goleiro Júlio César e chega com uma moral tremenda após golear a antes temida Espanha, atual campeã mundial, na final da Copa das Confederações.

Mas quando a bola rolar no dia 12 de junho, no recém-inaugurado estádio do Corinthians (ainda sem nome oficial), a camisa amarela terá dois rótulos: favorita e pressionada. E isso vai depender da forma como os atletas se comportarem em campo, pois a torcida brasileira já tem o seu rótulo: muito exigente e sem medo de vaiar.

Como Felipão não é de surpreender em convocações, pouca coisa deve mudar no elenco – isso se ocorrer contusões ou algum jogador se destacar muito nos próximos meses’. Em um grupo médio, porém com rivais já conhecidos, se pintar alguma dificuldade será apenas pelo estigma de derrotas recentes para os mexicanos – que não vêm para o Mundial com grande moral – mas que não deve afetar a classificação brasileira para a segunda fase.

Croácia – Candidata a coadjuvante

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Desde a estreia em Copas quando terminou na incrível terceira colocação, em 1998, que a Croácia sonha com uma nova geração de Davor Suker, Boban, Jarni e Boksic. Após um intervalo de uma edição fora do Mundial – não se classificou em 2010 -, os croatas chegam com um elenco mesclado entre experientes, reaproveitados e promessas.

O goleiro Pletikosa já sabe a pressão que é disputar uma Copa (e também conhece o gosto de levar um gol brasileiro – Brasil 1 x 0 Croácia, gol de Kaká em 2006), mas o ascendente goleador Mandzukic terá o seu primeiro teste. Dois brasileiros – o atacante Eduardo Silva e o meia Sammir – reforçam o elenco que mais vai viajar durante a Copa. De São Paulo, os croatas partem para Manaus e depois Pernambuco.

No caminho para o Mundial, deixou a Sérvia para trás na fase de grupos das eliminatórias europeias e contou com a sorte ao enfrentar a fraca Islândia na repescagem. E, mesmo assim, não encantou: um empate sem gols e uma vitória por 2 a 0. Apesar da fé e ousadia do técnico Igor Stimac, não tem muito potencial para ir longe, mas pode fazer frente a México e Camarões pela segunda vaga.

México – Todas as fichas em Chicharito

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Após a eliminação do México na Copa de 2010 diante da Argentina, a seleção tricolor não acertou a mão na direção. Foram quatro técnicos que passaram por lá – média de um por ano – e o atual, Miguel Herrera, assumiu há dois meses, em outubro de 2013.

Nestes últimos quatro anos, a única boa recordação foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos diante do Brasil em 2012, justamente o que motiva a esperança nos torcedores mexicanos atualmente.

Acostumado a brigar com os EUA pela ponta da tabela das eliminatórias da Concacaf, o México fez uma campanha terrível, com empates sofríveis com Jamaica e Panamá e derrota para Honduras, jogando-o para a repescagem contra o campeão da Oceania. Foi quando Miguel Herrera assumiu o comando.

Diante da inexpressiva Nova Zelândia, duas goleadas (6 a 1 em casa e 4 a 2 fora) aumentaram as esperanças dos mariachis e, agora, as fichas estão depositadas no faro de goleador do experiente Peralta e na habilidade de Chicharito Hernández. A eterna promessa Giovanni dos Santos segue no elenco, que ainda conta com Guardado e Ráfa Marquez por falta de opções.

Nos 10 últimos confrontos com o Brasil, quatro vitórias para cada lado e dois empates. A zica mexicana estará de volta?

Camarões – Dependentes da tutela de Eto’o

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Samuel Eto’o e a seleção de Camarões vivem uma relação de amor e ódio. O conturbado relacionamento já sofreu dois divórcios, mas reatou novamente e o maior artilheiro dos Leões Indomáveis, com 55 gols, deve disputar sua última Copa por seu país, mesmo sendo contrariado por dirigentes.

É verdade que a seleção africana, assim como a Croácia, está longe de lembrar os áureos tempos de glória, mas nunca deve se duvidar da força do futebol camaronês. Durante as eliminatórias africanas, os Leões não tiveram dificuldades em passar por Congo, Líbia e Togo. Na fase decisiva, atropelou a Tunísia com louvor, 4 a 1, e garantiu a vaga.

A missão agora é apagar o fiasco de 2010, quando foi eliminada ainda na primeira fase com três derrotas para Dinamarca, Holanda e Japão. E para lhe ajudar, Eto’o conta com o barcelonista Alex Song e o artilheiro do Fenerbahçe, Webó.

A camisa tem potencial. A grande dúvida é se os conflitos internos afetarão o desempenho do elenco em campo.

Tabela de jogos

Brasil x Croácia – Dia 12.06.14, às 17h – Arena Corinthians
México x Camarões – Dia 13.06.14, às 13h – Arena das Dunas
Brasil x México – Dia 17.06.14, às 16h – Castelão
Croácia x Camarões – Dia 18.06.14, às 19h – Arena da Amazônia
Camarões x Brasil – Dia 23.06.14, às 17h – Mané Garrincha
Croácia x México – Dia 23.06.14, às 17h – Arena Pernambuco

O País da Copa ainda não sabe lidar com seus medos

A cerimônia organizada para o sorteio da Copa do Mundo de 2014 foi linda, assim como os estádios que comporão o cenário desta nação em 2014.

Sou crítico ferrenho do investimento de milhões em um evento esportivo enquanto precisamos de tantas outras coisas mais importantes, mas confesso que cotei o preço dos ingressos para os jogos da Argentina em solo nacional. Mas meu caráter me impediu de investir meu escasso dinheiro no sonho de ver a seleção que eu torço entrar em campo pisando no sonho e na necessidade de tantos brasileiros.

Dois dias depois do evento impecável – que só comprovou o poder de comando da FIFA em meu País -, as emissoras de tevê divulgam para o mundo todo a sujeira escondida por baixo do tapete: a costumeira e lastimável violência nos estádios.

Não, eu não sou daqueles que falam em acabar com o esporte por causa destes acéfalos que cometem estas brutalidades. O que vimos nas arquibancadas da Arena Joinville é o extrato do descaso de um governo que sempre olhou a prática esportiva como uma simples diversão para o povo.

ImagemAinda vemos nossos atletas mendigarem para chegarem a uma Olimpíada e alguns raros alcançarem feitos fenomenais se comparados às medíocres preparações. E vemos o órgão máximo do futebol nacional, a CBF, ser um antro de mandos questionáveis e apontada como vilã maior, mas sem nunca ser incomodada o mínimo suficiente para movimentar um centímetro a bunda da cadeira.

A Inglaterra ainda tem os seus hooligans, assim como a Itália ainda tem os ultras. Nos estádios, se ajuntam e, entre si, proliferam suas ignorâncias racistas, nazistas, nojentas e similares. Mas todos eles juntos não são capazes de protagonizar o que vimos ontem no duelo Atlético-PR x Vasco.

Sabe por quê? Porque as autoridades locais, por mais falhas que sejam, já resolveram a questão há tempos. Lugar de bicho é na jaula, lugar de intolerantes é na cadeia. Simples.

Mas por aqui, nossos dirigentes preferem se orgulhar da seleção pentacampeã, do melhor futebol do mundo (questionável atualmente), e os torcedores que continuem protegendo seus filhos nos estádios, que sigam sofrendo se querem assistir seu time do coração no estádio e assumam o risco de não voltarem vivos.

É uma vergonha sem dimensão a forma como são omissos. E como nós, população e torcedores, não abrimos mão da paixão por nossos clubes em busca de melhorias, seguimos vítimas desse círculo vicioso.

Já que eles não se mobilizam (e não o farão sem pressão, vide os protestos recentes), caberia a nós fazermos o futebol doer no bolso. Sacrificarmos algumas partidas de nosso clube do coração e deixar os estádios vazios, apontarmos os verdadeiros ‘criminosos’ responsáveis por tais cenas.

ImagemPara que amanhã nem você, nem eu sejamos privados de estarmos a cinco metros de distância de nossos ídolos como acontece nos estádio ingleses hoje e ficarmos confinados em nossos lares tendo que assistí-los em HD na Sportv, Fox ou ESPN, para poder chegar o mais próximo possível disso.

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