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O País da Copa ainda não sabe lidar com seus medos

A cerimônia organizada para o sorteio da Copa do Mundo de 2014 foi linda, assim como os estádios que comporão o cenário desta nação em 2014.

Sou crítico ferrenho do investimento de milhões em um evento esportivo enquanto precisamos de tantas outras coisas mais importantes, mas confesso que cotei o preço dos ingressos para os jogos da Argentina em solo nacional. Mas meu caráter me impediu de investir meu escasso dinheiro no sonho de ver a seleção que eu torço entrar em campo pisando no sonho e na necessidade de tantos brasileiros.

Dois dias depois do evento impecável – que só comprovou o poder de comando da FIFA em meu País -, as emissoras de tevê divulgam para o mundo todo a sujeira escondida por baixo do tapete: a costumeira e lastimável violência nos estádios.

Não, eu não sou daqueles que falam em acabar com o esporte por causa destes acéfalos que cometem estas brutalidades. O que vimos nas arquibancadas da Arena Joinville é o extrato do descaso de um governo que sempre olhou a prática esportiva como uma simples diversão para o povo.

ImagemAinda vemos nossos atletas mendigarem para chegarem a uma Olimpíada e alguns raros alcançarem feitos fenomenais se comparados às medíocres preparações. E vemos o órgão máximo do futebol nacional, a CBF, ser um antro de mandos questionáveis e apontada como vilã maior, mas sem nunca ser incomodada o mínimo suficiente para movimentar um centímetro a bunda da cadeira.

A Inglaterra ainda tem os seus hooligans, assim como a Itália ainda tem os ultras. Nos estádios, se ajuntam e, entre si, proliferam suas ignorâncias racistas, nazistas, nojentas e similares. Mas todos eles juntos não são capazes de protagonizar o que vimos ontem no duelo Atlético-PR x Vasco.

Sabe por quê? Porque as autoridades locais, por mais falhas que sejam, já resolveram a questão há tempos. Lugar de bicho é na jaula, lugar de intolerantes é na cadeia. Simples.

Mas por aqui, nossos dirigentes preferem se orgulhar da seleção pentacampeã, do melhor futebol do mundo (questionável atualmente), e os torcedores que continuem protegendo seus filhos nos estádios, que sigam sofrendo se querem assistir seu time do coração no estádio e assumam o risco de não voltarem vivos.

É uma vergonha sem dimensão a forma como são omissos. E como nós, população e torcedores, não abrimos mão da paixão por nossos clubes em busca de melhorias, seguimos vítimas desse círculo vicioso.

Já que eles não se mobilizam (e não o farão sem pressão, vide os protestos recentes), caberia a nós fazermos o futebol doer no bolso. Sacrificarmos algumas partidas de nosso clube do coração e deixar os estádios vazios, apontarmos os verdadeiros ‘criminosos’ responsáveis por tais cenas.

ImagemPara que amanhã nem você, nem eu sejamos privados de estarmos a cinco metros de distância de nossos ídolos como acontece nos estádio ingleses hoje e ficarmos confinados em nossos lares tendo que assistí-los em HD na Sportv, Fox ou ESPN, para poder chegar o mais próximo possível disso.

Categorias:Esportes, Textos
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