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Archive for abril \09\UTC 2014

Por que Diego Simeone precisa assumir a Argentina já!

Diego Simeone era só mais um ex-jogador que migrou para a beira do gramado. Talvez como dirigente tivesse determinado sucesso, mas o momento que o Atlético de Madrid vive é uma prova cabal de que Simeone é diferenciado.

Simeone iniciou sua carreira em 2006, no Racing da Argentina, passando depois por Estudiantes, San Lorenzo e River Plate, pelo qual conquistou o seu primeiro título em 2008. Depois, ainda peregrinou por Catania, Racing novamente e, finalmente, chegou ao Atlético de Madrid, clube em que atuou como volante e é considerado ídolo da torcida colchonera.

Time com muita história e anos como coadjuvante da dupla Barcelona-Real Madrid, o Atlético de Madrid confiou em um treinador com um certo potencial, mas apenas um título em sua curta carreira até então.

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De 2012 até aqui, Simeone conquistou a Liga Europa de 2011/12, a Supercopa Europeia com uma vitória maiúscula por 4 a 1 sobre o Chelsea, em 2012 e, mais recentemente, a Copa do Rei da Espanha, diante do gigante Real Madrid, por 2 a 1.

Na atual temporada (2013/14), briga rodada a rodada pelo título espanhol contra Barcelona e Real Madrid e se mantém na liderança e acaba de eliminar o Barça, de Messi e Neymar, da Liga dos Campeões.

Enfim, após esse resumo, explico por quê Diego Simeone precisa assumir o comando da Seleção Argentina para ontem.

Seu atual clube, Atlético de Madrid, é uma equipe com jogadores destaques ‘agora’ na Europa. No início da temporada, Courtois, Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke, Arda Turan, o brasileiro Diego, o renegado David Villa e o artilheiro Diego Costa não passariam de coadjuvantes em outros clubes da Europa.

Pois bem, Simeone reuniu estes jogadores comuns, desconhecidos e renegados e transformou os Colchoneros em um time eficiente em fazer gols e impecável na marcação. O seu diferencial é justamente esse: Simeone era um marcador implacável. Tanto que é lembrado pelos brasileiros pela dura marcação nos clássicos.

Seu conhecimento em campo transformou o Atlético numa equipe compacta, que marca sem precisar apelar para a violência. Assim foi nos dois jogos contra o Barça, quando os catalães tentaram de todas as formas furar o bloqueio colchonero e não conseguiram.

Qual é o problema da Argentina atualmente? É uma seleção extremamente eficiente no ataque, repleta de craques do meio para a frente e um time medíocre do meio para trás. Se Simeone tem no elenco Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke e outros atletas até então considerados medianos, a Argentina hoje tem Romero, Zabaleta, Garay, Campagnaro, Otamendi e Mascherano do meio para trás.

Atual treinador argentino, Alejandro Sabella não sabe o que fazer com o setor defensivo. Tanto que entregou a liderança do atual elenco a Lionel Messi, para que a seleção saiba que é preciso ser efetivo no ataque para compensar a deficiência no setor defensivo.

Simeone não entende apenas de marcação. Sabe posicionar seu time para atuar fora de casa, demonstra sua emoção à flor da pele, mantém como treinador a mesma garra e vontade dos tempos de jogador – vide o seu comportamento na beira do gramado, que não se resume a dirigir o time, mas se estende a comandar a torcida em aplaudir, gritar e vibrar.

Simeone encarna a raça argentina à beira do gramado. Simeone poderá passar sua experiência de marcador, sua experiência tática e tornar a Argentina uma equipe que, apesar de pouco talentosa defensivamente, sabe se fechar enquanto o seu ataque resolve lá na frente.

Talvez 2014 ainda não seja o ano da Argentina em Mundiais. Mas dependendo da direção nos próximos anos, 2018 pode chegar ainda mais forte em busca de seu tricampeonato.