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Fé e reflexões – Amiri fala sobre sua nova EP – Capítulo 4 (A Caminho da Origem)

Quem acompanha o trabalho do rapper Amiri desde o início nota claramente uma mudança em suas rimas. De um MC impulsivo e firme em seus argumentos da EP Êta Porra!, passando pela ainda forte EP Trinca, chegando à mixtape ‘Antes, Depois’ – onde já mostrou uma face mais espiritual – e agora, com o lançamento de seu novo trabalho, a EP Capítulo 4 (A Caminho da Origem), quase um tributo à sua fé, crenças e a Deus.

Com letras sérias e reflexivas, a EP traz uma nova face do rapper que deu seus primeiros passos na batalha do Santa Cruz, mas deixou de ser uma promessa a tempos e já tem o seu espaço entre os principais nomes da cena atual da cultura hip-hop.

Ouça a nova EP aqui!

O BlogdoBarr@! conversou com esse MC sobre o contexto desse seu novo trabalho e o resultado você confere abaixo:

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BlogdoBarr@!: Como foi o processo de criação e construção desse novo trabalho?

Amiri: Foi bem centrado, muito energético ao mesmo tempo. Um processo de criação gradativo também, com muita atenção e cuidado com cada faixa.

Foto por Marcos Eiras (Divulgação/Amiri)

BlogdoBarr@!: O Amiri sempre se destacou pelas rimas incisivas e o flow diferenciado, tanto que você mesmo brinca com esta questão do flow em outras músicas. Neste novo trabalho, você parece mais lírico e focado em uma questão divina, quase como um trabalho para falar de sua fé e crenças. O que te levou a esse tema? O Amiri sempre foi espiritualizado ou agora começou a olhar para este lado?

Amiri: Eu sempre me preocupei muito com a lírica em si. A princípio eu achava também interessante trazer a veia das batalhas de MCs pras letras, junto ao que eu já considerava também importante dizer. Todas as vezes que eu me expressei artisticamente tiveram teor espiritual, a princípio um tanto inconsciente, mas tiveram, mesmo sem menção, sabe? Mas hoje eu prezo pela minha saúde mental e isso difere, sabe? Filtro a rota dos pensamentos pra, conforme servir de influência, que seja positiva.

BlogdoBarr@!: Seu primeiro trabalho, o “Eta Porra!” veio como um soco no estômago, quero dizer, rimas fortes de imposição do seu espaço. Essa linha se manteve em “Trinca”, até que veio a mixtape “Antes, Depois”, quando você apresenta uma outra cara ao público, com faixas como Cura (é amor versus medo, não versus ódio), Espelho e Um Mic. São letras que mostram um Amiri que parece olhar mais para o seu interior, preocupado com questões mais profundas. Você sentiu a necessidade de falar desta forma com o seu público?

Amiri: É um pouco do que disse antes. No primeiro registro (Eta Porra!) a princípio, a ideia era só dividir com o pessoal que conheci nas batalhas de MCs. Quando eu decidi fazer o CD, esse era o máximo de alcance garantido que eu teria, então tem um pouco dessa veia, um pouco do que sentia de falar sobre questões étnico-raciais, assim como no “Trinca”. Só que no “Trinca” foi mais estruturado, elaborado, técnicamente dizendo, e o gás lírico ainda era o mesmo, o mesmo ritmo do primeiro registro.
Mas sabe qual que é a fita mesmo? Viril mesmo é quem permite o coração mole, sabe?
No estado são (em nossa plena sanidade), nós só fazemos questão de dividir o que nos fez bem. O que nos acrescenta. Por isso eu fiz questão de compartilhar essas reflexões na mixtape “Antes, Depois”.

BlogdoBarr@!: Em Luz, você diz que “não adianta só ser árvore, tem que ter fruto”. Você se considera árvore começando a frutificar?

Amiri: Eu só posso te dar o que eu realmente tenho. E o que temos? O que temos pra compartilhar? Tende a conduzir ou arrastar? Entende? É isso que questiono.
Eu me sinto, me percebo como canal, mano. Instrumento. Tocando o que estiver ao meu alcance, com base na estrutura do bem. É muito mais satisfatório alimentar nossa vida eterna, não comprometer nossa cidadania celeste, do que sobreviver “a serviço” ego.

Só eu

BlogdoBarr@!: Que “chamado” é esse que você fala em Luz?

Amiri: Chamado do Cristo, mano. Deus dentro de nós.

BlogdoBarr@!:  Há várias referências bíblicas nesse novo trabalho, como ser ‘sal da terra’, ‘toma tua cama e anda’, ‘não adianta só ser árvore, tem que dar fruto’. O livro sagrado teve influência direta na EP?

Amiri: Teve sim. Mas sem ser de forma exatamente religiosa, que depende dos meios, e sim de forma espiritual, que depende do ser, não dos meios, entende?
Eu sinto muito de dividir o que sinto que entendo das Boas Novas do Cristo, sabe? Dividir o que me alimentar o Ser.

BlogdoBarr@!: Suas rimas nessa EP lembram jogos de palavras como fazem poetas, numa linguagem que faz o ouvinte pensar e analisar o que você está dizendo, entrando em uma área que poucos MCs se preocupam, de como o público receberá sua mensagem. Tem uma proposta de fazer o ouvinte pensar?

Amiri: Desde sempre. Eu sempre me interessei por deixar as letras o quanto mais ricas poeticamente possível também. E acho muito importante instigar o raciocínio em quem acessa as expressões ali.
Eu tô um pouco mais maleável com isso, simplificando um pouco. Estão mais sutis as expressões. Tá menos hermético, mais universal, sabe? Dentro disso, a proposta é convidar quem acessa a vir dividir o entendimento das coisas inerentes a todo ser humano.

BlogdoBarr@!: O Amiri talvez seja o MC mais próximo da cultura africana na atualidade. Tanto que em Ayo nota-se claramente o ‘sotaque’ africano ao final. Carregar essa bandeira é uma característica que você faz questão? O que você indica para quem quer conhecer um pouco mais dessa história negada nas escolas brasileiras?

Amiri: Não acho que sou o mais próximo, mas é, primeiramente, tudo empírico o que eu sempre compartilho, não é muito lógico, sabe? Eu acho bem importante estudar, mas isso sempre fez parte da minha vivência e eu fiz questão de manter por perto, logo sempre pus nas músicas. Eu simplesmente me sinto africano, antes de qualquer conceito intelectual, entende? Mas é muito importante o estudo, buscar o conhecimento negado a nós quanto essas questões, logo, o reconhecimento histórico e a importância histórica das questões que se referem à África. Eu amo África com o coração, não só com a cabeça.

BlogdoBarr@!: Tenho a impressão de que o Amiri esteve recluso tratando de questões internas e voltou curado de algo. Essa é a mensagem que capto da EP com rimas como “Pra nunca mais voltar a dor no peito / fiz um trato com o Pai da Cura, acordo feito”, “Now I know the Truth, so you can’t fool the youth, man” e ‘hoje remando na superfície, certo que o remo / só tem me ajudado a ir pra mais perto do pleno’. Este é o objetivo mesmo?

Amiri:  Todo mundo passa por, no mínimo, sentimento semelhante. O que o inimigo fez e faz comigo ele fez e faz com todo mundo. Porém, ir contra a maré que o mundo bêbado de ilusão traz, renova nosso entendimento, sabe? Nos aprofundar em nós mesmos, nos reconectarmos com o que nunca deixamos de ser em essência, nos tira o véu da ilusão.
O objetivo é servir. Convidar todo mundo a se honrar como divino também.
Então eu digo “Agora eu conheço a Verdade, então você não pode enganar a juventude – e humanidade, por isso soa como “human”-, mano. (Now i know the Truth, so you can’t fool the youth, man (human).)

BlogdoBarr@!: Não cabe viver no raso a quem quase morreu no fundo. É uma metáfora ou uma experiência de vida?

Amiri: Os dois. Uma experiência de vida em metáfora.

BlogdoBarr@!: Como você enxerga a sua importância e a relevância desse trabalho para a cultura hip-hop?

Amiri: Eu sei o quanto faz sentido pra mim, sabe? Eu sei o quanto é importante pra mim, a princípio. Tão importante que eu fiz questão dividir com a nossa cultura. E espero muito que contribua positivamente pra vida das pessoas que acessarem essas músicas.

Entrelinhas – Marcello Gugu

“A mixtape superou todas as minhas expectativas. Já ouvi muitas mixtapes de boa qualidade, mas só de colocar essa mixtape no PC e ouvir a primeira faixa já me deixou orgulhoso de ver que o RAP pode chegar forte à periferia mesmo com outra linguagem, levando uma mensagem que deveria ser essencial em todas as letras de RAP: o amor”. – Declaração de Léo Balbino – apenas um ouvinte e amante da cultura hip-hop

Há longíquos quatro anos, o Blog do Barr@! entrevistou um cara até então desconhecido e tido como uma das promessas do RAP. Marcello Gugu despertou a atenção deste blogueiro dois anos antes, ao vencer a Liga dos MCs de 2007 numa batalha que envolvia monstros do freestyle como Emicida, Projota, Rashid (à época ainda Moska), J.L., entre outros.

Naquela época, Marcello já trabalhava em seu trampo solo. E, apesar de problemas com seu HD, prometeu lançar uma EP no final de 2009 ou mais tardar no início 2010. Hoje, 2013, após algumas ameaças de sair da toca, finalmente as ruas ganham um trabalho de excelente qualidade para o RAP com um nome tão propício à reação deste blogueiro quando soube que o disco finalmente saíra.

Até Que Enfim Gugu! 

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Baixe aqui o disco

Sem mi-mi-mi, bora pra entrevista onde Marcello Gugu fala sobre o nascimento do disco, poesia, o nível do RAP no Brasil comparado com o americano e até os protestos pelas ruas do Brasil.

Faaaaala Gugu!

Do Último Vagão, passando pela Afrika Kidz Crew e “Até Que Enfim Gugu!”, quem acompanha teu trampo há tempos espera ansiosamente seu trampo oficial. Apesar da expectativa, você sentia que ainda não era a hora? Qual foi a maior dificuldade de tornar este disco real?

O disco demorou quase 2 anos para ser concretizado, desde a concepção do conceito das músicas até a master final. Sou uma pessoa detalhista, perfeccionista e chata em relação a criação, gosto de trabalhar cada faixa como uma obra e só parto pra próxima quando encerro definitivamente uma. Acredito que a maior dificuldade de tornar esse disco real primeiramente foi o processo de transição das batalhas de freestyle para as composições. Quando se está batalhando –  pelo menos comigo era assim – o fluxo de pensamento era outro, era como se estivesse programado para raciocinar de uma forma, era estar pronto para o combate a qualquer hora. Quando comecei a trabalhar verdadeiramente a ideia de compor, de escrever um disco, tive que mudar a forma de pensar e começar a focar em âmbitos maiores. Sair da zona de combate e me por como telespectador da vida. Foi e é uma experiência fantástica se descobrir como escritor, poder transformar sentimentos em palavras e passar isso adiante. Claro que exigiu e exige muito trabalho, porque, apesar de sempre escrever, tive que lapidar as composições de acordo com os instrumentais, tive que recriar algumas coisas, abandonar outras e trabalhar em cima de ideias a fim de sair do óbvio e descobrir novas perspectivas de abordar determinados assuntos. Com esse disco quis trazer uma contribuição de forma positiva pra cultura Hip Hop como um todo. Fazer algo com qualidade para que o RAP transcenda públicos e gêneros musicais, expandir os horizontes assim como tantos outros artistas vem fazendo ao longo de seus trabalhos em suas respectivas carreiras. Essa mixtape foi um marco na minha vida e eu espero conseguir fazer todo o aprendizado que tive refletir dentro da cena atual. Fazer com que mais pessoas se tornem fãs de RAP e consequentemente da cultura Hip-Hop. Acredito em nós como um todo e acredito que meu trabalho como MC é transmitir os valores que essa cultura me ensinou: União, Amor e Respeito ao próximo. Fiquei muito satisfeito com o resultado do disco, todas as pessoas que trabalharam nele se dedicaram de forma absurda para que hoje ele pudesse estar na rua e, um mês depois do seu lançamento (01/06), já batemos mais de 17 mil downloads o que me deixa muito feliz em saber que nossa música está se propagando e atingindo mais ouvidos e corações.

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Ouvindo teu trampo percebo algo muito distante da realidade do RAP nacional. Faltam gírias e sobram poesias, lembrando muito nomes como Tupac e Nas. Isso é algo natural ou você que decidiu seguir por este caminho poético?

Na verdade é algo natural, quando penso nas linhas, penso em histórias por trás delas. Disso, lapido essas histórias, monto as linhas e elas ficam do jeito que estão no disco. Acredito que isso é influência das coisas que ouvi a vida inteira, cresci ouvindo Tupac, Gil Scott, Nas, Rakim, Common e outros MC’s que sempre prezavam a escrita, então cresci pensando que sempre deveria escrever o melhor que pudesse. Claro que até chegar nesse formato de escrita levou um tempo, afinal, tudo é um processo, porém, sempre que escrevi, escrevi dessa forma. A primeira música solo que eu gravei em estúdio se chama ‘Por Linhas’, é de 2007 ou 08 se não me engano, falava sobre o Metrô de São Paulo, e já tinha essas características de poetizar, utilizar metáforas e outras figuras de linguagem. Quando escrevo, meu objetivo é fazer as pessoas assistirem aquilo que eu estou falando, transformar a imaginação dessa pessoa em uma tela e fazer com quem minhas linhas pintem um filme no imaginário de quem ouve. Vejo cada letra como uma peça e acredito que essa peça vai imortalizar um determinado momento da minha vida, é como se fosse uma obra imortalizando um ponto de vista meu sobre um determinado assunto num período da minha vida, portanto, penso que devo me doar ao máximo para que consiga fazer uma obra que não dure semanas ou meses e sim anos. Quando ouvi Illmatic do Nas a primeira vez entrei em choque, e acredito que esse disco é o responsável por me fazer acreditar que não devemos mudar nossa essência, acreditar naquilo que fazemos e seguir nosso coração. Minhas linhas não são nada mais que a forma como eu vejo o mundo. Quanto a falta de gírias, eu as falo bastante, mas as vezes elas não se encaixam nas músicas pela forma como abordo os temas das canções, talvez, em alguns momentos, elas destoariam do conceito da música e iria parecer uma coisa forçada.

A metáfora de ‘Miss Hollywood’ é um retrato fantástico da realidade das gravadoras e o RAP atual, onde pouquíssimos MCs trabalham em conjunto com esse mercado e muitos alcançaram seus públicos com as próprias pernas. O trabalho independente parece uma tendência nas ruas, quase que uma regra. Alguma vez você pensou na possibilidade ou surgiu propostas para se vincular a alguma gravadora? E a sua escolha pela independência se deu como?

Eu acredito que hoje, o músico independente sabe como direcionar sua arte da forma em que acredita, sem sofrer interferência de um selo, o que permite com que a liberdade artística seja preservada. Com as ferramentas que a internet propicia tais como as redes sociais, o músico consegue além de divulgar seu trabalho para grandes públicos, manter um contato quase que direto com seus fãs, contratantes e todo círculo social que a indústria possui. Não acredito que seja uma tendência somente das ruas ou independente, mas uma tendência mercadológica atual devido a informatização dos processos de divulgação e distribuição.

Eu particularmente não sou contra assinar contratos, mas contra assinaturas que invalidam a arte. Já tive oportunidades de assinar algumas coisas, porém, não apareceu nenhuma oportunidade que eu veja que é vantajosa para minha arte. Acredito muito no trabalho independente pelo controle que você tem dentro dele, confio demais na minha equipe e só migraria para outro tipo de organização se, por exemplo, pudesse levá-los comigo. Trabalho com excelentes pessoas que acreditam mais na arte do que no jogo e acredito que isso faz com que os artistas independentes cresçam cada vez mais.

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O público do RAP hoje tem uma mente mais aberta para outros gêneros, mas vc, por ter uma raiz no rock, caminha por lugares incomuns no RAP, como escrever uma letra inteira para recontar a trajetória de Jimi Hendrix em ‘Jimi’, um ícone do rock. Porque a escolha de Jimi Hendrix para esta letra?

Na verdade a ‘Jimi’ é uma metáfora para um tipo de morte muito comum entre jovens e particularmente e infelizmente, aconteceu com vários amigos e colegas meus, a overdose. Quando escrevi Jimi, pensei em retratar os últimos 15 minutos da vida dele, porém, poderia ser os últimos 15 da vida de qualquer pessoa que exagerou na dose. Utilizei elementos para descrever um cenário e as sensações de uma over, para fazer com que o ouvinte se sentisse presente, quase que junto, assistindo a cena. Sou fã incondicional de Jimi Hendrix, cresci ouvindo, e utilizei sua figura por ver nele o que vi em vários amigos meus, a representação de uma vontade enorme de mudança, um espirito jovem e genial, enfrentando um contraste de se sentir tão deslocado a ponto de não conseguir se manter sóbrio. A Jimi representa boa parte de uma geração que cresceu comigo e infelizmente não esta viva para ouvi-la.

Com o disco nas ruas, você pensa em colocar o trampo de edição de áudio em segundo plano pra viver diretamente da música?

Sem dúvida! Ultimamente está bem difícil conciliar as duas profissões. Tenho passado muito tempo dentro de estúdios ensaiando e mexendo em coisas novas. Tenho tido inúmeras reuniões e propostas de contratantes e acredito que em pouco tempo já estarei vivendo somente da música, trabalhando diretamente com aquilo que eu amo. Claro que não descarto nunca a possibilidade de voltar a trabalhar com edição, mas por hora quero me dedicar cada vez mais ao Hip-Hop, possibilitando não só um crescimento pessoal, mas também fortalecendo para que a cena cresça e se expanda cada vez mais.

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Gil Scott Heron é um de nossos maiores poetas e destacou-se pela poesia cantada. E uma das músicas que mais te marcou é ‘I Used to Love H.E.R.’, do Common Sense, e lembra muito a conversa que você tem com o ouvinte na Introdução. A inspiração foi uma mescla destes dois trabalhos?

A cena mudou muito de um tempo para cá, o Hip Hop começou a atingir um Mainstream, outras classes sociais começaram a ter acesso, um mercado começou a se consolidar, a internet começou a revelar centenas de grupos e dar forças para artistas independentes, grandes gravadoras começaram a perder sua força, o processo de venda e distribuição de musica mudou, mídias especializadas começaram a dar ênfase na cena do RAP, ou seja, o movimento está passando por uma fase de transição, de crescimento e toda essa mudança tem refletido de forma direta no cenário atual da música. A inspiração que tive para escrevê-la foi uma pergunta que me martelava a um tempo, ao observar todas essas mudanças: se o Hip-Hop fosse dizer algo hoje, o que ele diria!?

Ela surgiu um dia quando estava escutando ‘So Far to Go’ do Common, uma música produzida por Jay Dilla.  Quando comecei a rabiscar, pensei em tudo o que queria ouvir do Hip-Hop, em tudo que acredito do Hip-Hop, em tudo que essa cultura me ensinou e que eu gostaria de ter a oportunidade de ensinar para alguém que está chegando agora. Quanto a ‘I Used to Love H.E.R.’, eu sou tão fã que tenho uma versão escrita que fiz um dia em homenagem, mas não sei se vou colocá-la na rua (risos). Foi uma das músicas que mais me tocou pelo fato de que, quando era mais novo, sempre achar que o Common falava de uma mulher, porém quando descobri que ele falava sobre o Hip-Hop entendi que existiam pessoas tão apaixonadas pela cultura quanto eu e que eu queria que essas pessoas, mesmo sabendo que elas não iam saber da minha existência, tivessem orgulho do meu trabalho. Levar para frente os ensinamentos de união, de respeito ao próximo e de amor, acreditar no poder transformador do Hip-Hop, acreditar em quantas vidas podem ser salvas pelo RAP, em quanto a arte resgata e cria possibilidades, enfim, o quanto o Hip-Hop pode ser um fator decisivo na vida de uma pessoa. Disso nasceu Gil Scott Heron.

Por que tantas love songs no seu trampo?

As love songs do disco são:

  • ‘Cão’ que é uma metáfora para uma relação conturbada, onde utilizei a ideia de uma arma e uma bala para ilustrar a natureza destrutiva que uma relação que não dá certo pode ter.
  • A ‘Deixa o Tempo Dizer’, que quis fazer na perspectiva do tempo contando uma história sobre um casal, inspirado nas histórias que ouço de madrugada em programas de rádio da Transcontinental.
  • A ‘Segundas Intenções’, que na real é aquele momento mais íntimo entre um casal;
  • E o skit ‘Indireta’, que de inspiração tive a ideia de fazer de cada frase uma punchline que serviria como indireta pras pessoas mandarem umas para as outras.

Eu acredito muito que o amor, independente de qual for ou pelo que for, é uma energia muito positiva dentro de uma determinada construção. Se eu tivesse que escolher uma love song do meu disco para me representar, por exemplo, escolheria a Intro do disco, ‘Gil Scott Heron’, que nada mais é que eu demonstrando todo meu amor pela cultura que me ensinou e me ensina tanto. O assunto ‘amor’ é algo muito amplo, pode ser definido de diversas formas e ter inúmeras interpretações, por exemplo, uma revolução pode ser considerada como um ato de amor por defender um ideal que você acredita. Se você ama sua quebrada, você não lutaria por ela? Por melhorias para ela?

Em relação às faixas do disco, em todas eu quis sair do óbvio, porém deixando elementos para que as pessoas se identificassem e não virasse uma música hermética demais. Quando, por exemplo, em ‘Deixa o Tempo Dizer’, não dou nomes e utilizo cenas de um cotidiano, permito ao ouvinte se identificar com as personagens da história, podendo dessa forma, se sentir parte vivente da música. Nas músicas procuro, apesar de existir elementos, não colocar um amor romântico e impossível, mas sim a energia de um amor que permite a construção de algo maior, até mesmo na cão, que mostra um amadurecimento vindo de uma percepção da não funcionalidade de uma relação. Quando você percebe que, por exemplo, sua relação não se dá por uma incompatibilidade de fatores, você percebe o quanto cresceu para observar isso e deixar o relacionamento levando o aprendizado dessa relação. Acredito em diversas formas de amor e em todo o aprendizado que o processo de estar em uma relação nos permite ter. Acho que quis colocar dessa forma no disco e pelo tempo que a mix demorou para ficar pronta, quase 2 anos, demonstro em cada uma dessas faixas um determinado período das relações que tive ao longo desse processo.

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Você acha que o nosso RAP está no mesmo nível ou melhor que o RAP Internacional? 

É difícil comparar a cena norte americana com a nossa dado que os caras estão alguns anos a nossa frente. Eu acredito que estamos bem próximos em questão de qualidade. Não acho que devemos nada, por exemplo, em questão de equipamento, apesar de pagarmos muito mais caro por eles (risos), porém mercadologicamente ainda estamos um passo atrás.

Em relação a escrita, composição, técnica, estamos chegando próximos também. Acredito que nesse exato momento estamos vivendo algo próximo do que a América viveu nos anos 90, acredito que estamos chegando numa Golden age nacional, fato que vai possibilitar um futuro muito mais promissor para a próxima geração. Podemos observar um mercado se expandindo, se consolidando, temos muito trabalho pela frente, mas acredito que os frutos já estão sendo colhidos, se compararmos com alguns anos atrás. Somos uma cultura de quase 30 anos aqui no Brasil, talvez um pouco mais ou pouco menos. Se você analisar a cena em questão financeira, ainda temos uma boa caminhada para nos equipararmos com os gringos, porém, acredito que daqui a 20 anos, artistas de RAP serão vistos com mais respeito graças ao trabalho de todas as gerações envolvidas no processo de mudança e crescimento da cultura.

Baseado em ‘Evita’, que usa a luta de mulheres da história para falar da revolução, falta foco hoje para revoluções? Ou faltam soldados dispostos a provocá-la?

Não acredito que falta foco e sim, muitas vezes, direcionamento. Estive nas manifestações que aconteceram em São Paulo nos últimos dias, participei observando as discussões em fóruns, as matérias tanto oficiais quanto as não oficiais e fui em diversos atos que ocorreram na rua. Vi que muitas das pessoas infelizmente não tinham o conhecimento da causa e dado esse fato deturpavam algumas coisas, e não acredito que isso seja falta de foco e sim de direcionamento. Quando falamos em foco, incluímos uma série de fatores, por exemplo, o foco das manifestações era, além de todo contexto moral, a diminuição da passagem do transporte (sim, não é pelos 20 centavos, é pelos direitos do povo a um transporte de qualidade e uma série de outras coisas que são negadas há anos, tais como educação, moradia digna e etc…), todo povo se mobilizou, o direcionamento foi dado pelo Movimento Passe Livre e no fim dos atos, revogaram o preço. Após a saída do MPL, o povo manteve o foco, ir para a rua, se manifestar, mas pela falta de direcionamento os interesses perderam a força porque passaram a ser interesses de grupos distintos, todos do povo, mas cada um lutando pelo seu.

Claro, TODOS devem ser ouvidos, porém, acredito que, com uma liderança, se enumerariam os mais urgentes e um por um seriam debatidos com as grandes autoridades, governos e etc. Quando temos um objetivo em comum temos um foco e, a partir disso, somos direcionados a uma série de metas a fim de cumprir esse objetivo para termos êxitos naquilo que focamos. Eu acredito que com uma liderança certa e com pessoas bem intencionadas, preocupadas com o processo da mudança e o resultado dessa mudança, atingiríamos excelentes resultados num processo revolucionário. Creio que mudanças são extremamente necessárias, vivemos em uma sociedade totalmente desigual em uma série de fatores, mas acredito também que o povo deve buscar informação. Temos uma arma na nossa mão, a internet, que quando usada de forma sábia nos traz conhecimentos sobre diversos assuntos e nos possibilita nos organizarmos de forma incrível, dado as manifestações que ocorreram. Cabe ao povo delimitar metas, focar nessas metas e direcionar ações em conjunto para que essas metas sejam cumpridas. Acredito que toda mudança parte do princípio de sair da inércia, e a pergunta é: o povo está preparado para isso? Eu, particularmente acredito que sim.

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Resistência sem muros – Invasão do território inimigo e proclamação de vitória

Nasci e cresci entre histórias de superação, resistência e revolução. Meu pai é chileno, filho do conflito em busca de poder. Viu com seus olhos um ditador acabar com a vida de um presidente socialista em busca do poder. O foco aqui não é político, mas a revolução em si.

Ser revolucionário é batalhar por uma causa, mesmo que seja algo difícil ou distante de ser atingido, e mesmo que ao seu lado restem poucas pessoas ou apenas você siga na missão. É resistir mesmo que o sistema – bem maior do que você sozinho -, não lhe imponha muros.

Ser revolucionário é ser mal-visto por determinados setores da sociedade, mas acreditar que sua ideologia é muito maior do que ternos, status ou posições sociais.

O RAP é revolucionário por si só, pois surgiu diferente de quase todos os gêneros musicais existentes. Não veio para fazer dançar ou entreter, mas para fazer pensar, questionar, prpor mudanças.

Mas é democrático e, por óbvio, hoje é tomado por pessoas que esqueceram do seu motivo inicial. Isso não vem ao caso.

O RAP revolucionário pode ser exemplificado na figura de MC Marechal. Nascido em Niterói, Marechal é um desses que é respeitado e conhecido por todo o Brasil, que já rimou nos principais palcos e cidades daqui e já viajou pelo mundo levando seu trabalho, mas é bem capaz de trombá-lo no ônibus municipal, perambulando por aí.

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É um dos que respondem cada e-mail que recebe e tem paixão pela interação com o ser humano, além de ser exímio nas rimas.

No último dia 9 de março, pintou na telinha da Globo, em pleno Big Brother Brasil. O que seria motivo de traição ao movimento virou glória nas rimas cuspidas na cara do capeta. Dono de uma contundente letra chamada ‘Vamos Voltar à Realidade’, que denuncia a falsa ilusão que a tevê e o sistema vende às pessoas, Marechal foi o convidado de ‘Marquinho, O Sócio’, estrela do global The Voice Brasil, e que se apresentava em show exclusivo aos confinados da casa.

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Com versos rápidos e precisos, Marechal entrou com a bota cheia de lama direto das trincheiras, com seu uniforme revolucionário, empunhou o microfone como quem invade o inferno e xinga o próprio capeta com suas rimas:

“TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela entre as imagens / Traz mensagem distorcida das festas e futilidade / Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho / Despertador, Big-Brother, não aguento o 4! Sua tranca, seu quarto, seu tempo sentado, seu trago / Seu trampo, sentado, você servindo sem ver sentido / Sem teto, seu estado, no estúdio e não avista a intenção do inimigo”

http://www.videolog.tv/video.php?id=945082

Interessante e pressumível notar que a Globo não contava com essa participação, assim como o Faustão também não contava com o MV Bill denunciando a segregação racial vendida pela própria emissora em versos ao vivo, que fizeram o apresentador intervir e dizer que era um improviso do rapper, enquanto Bill seguir firme e forte mandando os versos até o fim, sem ligar para a interrupção.

“Pra que? Porque só tem paquita loira / aqui não tem preta como apresentadora / novela de escravo a emissora gosta / mostra os pretos chibatados pelas costas / Faz confusão na cabeça de um moleque / que não gosta de escola e admira uma intra-tek…”

Esta é a prova que muito me orgulha de ainda viver o RAP, lembrando que, no meio em que convivemos, muitos estão por interesse, mas ainda existem aqueles que empunham as armas (que não são letais fisicamente, mas podem ser letais mentalmente) e não se importam em dedicar suas vidas por amor de uma causa… mesmo que isso custe suas vidas.

PS: Respeito às devidas escolhas religiosas, mas me identifico ainda mais com o Evangelho, na figura de um homem que não se importou com os preconceitos, mas deu sua vida em prol de uma causa. Esse homem se chamou Jesus!

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Isso é o RAP!

[videolog 729138]

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Na noite passada eu chorei… de novo!

Na noite passada tive um sonho bom e ruim. Bom foi sonhar com você e ruim foi lembrar que não tenho mais você. Chorar de saudade, ainda mais em sonhos, é gostoso demais, mas também é triste demais.

Com algumas pequenas adaptações, aí vai “Véia” do Projota, que exprime muito dos meus sentimentos de hoje. Pena que a senhora não pode ler, Dona Rita!

Vê se você dá um abraço na sua veia e se esquece das mágoas / antes de você ver ela deitada, vegetando sobre um colchão d’água / Dois minutos na vida faz diferença / Um abraço e mais três palavras vale mais que você pensa / Bem que eu queria que as neuroses que eu tenho fossem só / sair domingo com a minha mãe pra visitar minha vó / No fim foi com a vó que eu cresci e o que me faz gritar / é saber que a minha mãe tá longe demais pra nós visitar / E seja lá onde for, me olhe por favor / não posso tocar sua pele, mas eu sinto seu amor / É treta tio, quando o sentimento se solta / você chora ao ver que já passou três meses e ela não volta / E você reclama se sua véia te manda ir no mercado / reclama se a cinta estrala, mesmo se você tá errado / Reclama se ela te abraça na frente dos aliados / Vai reclamar com Deus quando ela nem estiver do seu lado!

Cadê você? Vem cá / Pra me dizer deita / dorme e sonhe a vida é uma brincadeira

Quem me gerou, quem me criou, quem me ensinou viver /

sorrir, chorar, cair, amar, sentir, lutar, ganhar, perder / viver sem ter você!

Ô véia, se eu choro agora não é que eu sou fraco / é que eu tô me desmontando para depois juntar cada caco / Não é fácil olhar pra cama e ver sua mãe sofrendo / Despertando adulto num muleque de 7 anos / Eu fiz o que tava no meu alcance pra te salvar / só que na hora que aconteceu, graças a Deus, eu estava lá / Tenho medo de falhar, medo que chegue no fim / e eu não tenha alcançado o que você esperava de mim / Eu não vou culpar Deus, o mundo é dos espertos / e lá no lugar dEle eu também ia te querer mais por perto / Tudo que absorvi, o que contigo aprendi / é o que me fez ser homem muito antes de MC / Cada chinelada que tomei me fez aprender / que eu tinha que ser calejado e forte pra viver sem você / e eu te dedico aqui minha melhor poesia composta pela alegria de ser o seu filho e pela agonia / de ver meu pai, que é meu herói, chorando / minha irmã sofrendo, pessoas se desesperando e a dor aumentava / E cada vez que eu caí nessa vida / o quanto eu sofri nessa vida / te procurei nessa vida e não te encontrava / Mas hoje eu sei que não fiz nada sozinho / A cada passo, a cada respiração você tava dentro de mim / Um vira-lata sem dono e sem lar / Deixa a minha cama arrumada, qualquer dia eu vou aí te visitar.

Debruçado na janela… eu penso em você / vejo o tempo ir passando… eu sonho com você

Categorias:R.A.P., Textos

Direto de BH… entrevista com MC Pedro Vuks

“Falei pra Deus: Se eu não servir pra música, me leva!

Mas eu sirvo, tá vendo? Ele me conserva!”

Promissor é uma palavra que podemos designar para jogadores que vem da categoria de base e ainda não tiveram uma boa sequência. Neymar e Lucas, por exemplo, já são realidades.

Assim é o caso de Pedro Vuks, MC de Belo Horizonte que deixou de ser uma promessa no RAP há tempos e hoje lançou seu novo single “Eu Quero Mais”, com produção de Coyote Beatz (http://bit.ly/oGxpUq). O som faz parte do álbum Iluminado, que sai do forno amanhã, às 21h, no Duelo de MCs, ao custo de R$ 5.

O Blog do EG5 Produções e o Blog do Barra disponibilizam agora para você a entrevista que fizemos com esse MC, cristão, de poucas palavras, ótimas rimas e muito conteúdo.

Nome (real)?  Vulgo? Porque?

Pedro Henrique. Vuks. Inventei pra jogar um jogo de RPG online há muito tempo.

Dia 16/09 vai ter o lançamento da sua EP, no Duelo de MCs no Viaduto Santa Tereza, e a dois dias desse marco, como você resume a sensação de realizar esse sonho?

A ficha está começando a cair, a sensação de que muita gente vai sair de casa, se programar e criar expectativas para o show me deixa inspirado. Vai ser muito bom, a sensação é de que eu vou fazer melhor do que já fiz até hoje.

Você já improvisou ao lado de grandes nomes do cenário do Rap Nacional e vai lançar seu trampo no Duelo de MCs. Então, o que significa o freestyle pra você?

Eu vivi 2 anos da minha vida só fazendo freestyle, meu dinheiro vinha todo disso, meu reconhecimento veio disso. Até hoje as pessoas me param na rua e pedem um improviso sobre qualquer assunto.

Quais MCs você considera influente na sua carreira?

PDR Valentin, Nil Rec, Eazy CDA, MC Marechal. Além de influência são meus amigos, isso é melhor ainda.

Vuks, na busca de realizar um sonho, alcançar um alvo, o que você considera ser essencial?

Compromisso, ser disciplinado. Não é porque você não bate um cartão que pode fazer o que quiser a hora que quiser.

Voltando ao assunto lançamento, você pode resumir pra nóiz como foi o processo de produção e seleção das tracks desse novo projeto, enfim, dificuldades, superação, realização?

Dificuldades, superação e realização todos os dias. A produção foi de uma forma que eu nem imaginava que ia ser. Os produtores estavam em sintonia comigo e me passavam algumas bases sem eu nem pedir. A seleção das tracks foi um pouco complicada, eu preferi usar as últimas músicas que tinha feito, tipo de dezembro de 2010 até agosto de 2011 que foi quando terminamos.

Você trampou junto com o Mr. Break e Fabricio Galvani na musica Iluminado, que inclusive, virou vídeo. Quais são os nomes que você considera parte integrante da sua correria como MC?

Tem algumas pessoas que não são do RAP, tá ligado ? Meus amigos do bairro são importantes.

“Se seu RAP não muda vidas, é porque você mesmo não muda” (trecho de Iluminado). Você acredita que o RAP muda vidas e, baseado nisso, qual a mudança que você considera que foi feita na sua vida?

Total! Eu usava muita droga, bebia muito, estava envolvido na boca de fumo. Hoje estou fazendo RAP porque conheci o RAP.

“EU QUERO MAIS” seu novo som, bombando nos ouvidos dos manos. Na busca desse “MAIS”, o que você considera um objetivo pra você?

O principal é dar orgulho pros meus pais. Depois disso eu vou arrumar minha casa, meu carro, minha vida…

O que você espera causar nas pessoas com este trampo?

Cada um vai sentir uma emoção diferente. Eu quero deixar elas mais felizes, quero injetar amor.

Quais são as participações no Iluminado?

Os produtores Coyote Beatz, Shaggy, Mr. Break, Giffoni, Enece, Doente. Não tem nenhum outro MC no EP.

Você ainda segue com o Rima Sambada? Qual foi (ou é) a importância desse grupo para sua trajetória no RAP?

Fiz meu primeiro show com eles, minha primeira música com eles, minha primeira viagem com eles, entrei a primeira vez no estúdio com eles, sem eles eu não estaria aqui. Sigo com eles, não ativamente, mas estou do lado.

Você se considera Rapper Gospel? E Under? O que você pensa sobre estas classificações no RAP?

Eu faço RAP. Sou um cristão que faz RAP, não faço RAP gospel. Eu penso que elas podem limitar o trabalho de muita gente e limitar o pensamento de quem se intitula também.

Voltando as origens, quando o RAP começou na sua vida?

Final de 2005, parece que foi ontem…

Como o RAP mudou sua vida e como você pretende mudar as vidas das pessoas com seu RAP?

Mudou com realidade, me conquistou. Quero fazer as pessoas se sentirem amadas, fortes, valorizadas. Quero estar com elas irmão, em cada dispositivo que usarem para ouvir meu RAP.

Qual rima marcou o início da sua trajetória? Pq?

Aquele freestyle do JF e do Kamau (Nota do Blog: Ao Vivo – KL Jay na Batida Vol. 3). Incrível, me fez querer improvisar.

Trajetória no RAP. Quem confiou no seu trampo e te deu a mão pra subir no palco do RAP?

PDR Valentin, Doente Beatmaker, Dmorô.

Qual a melhor música do RAP nacional pra vc? Pq?

Negro Drama. Fala por muita gente, muita…

Qual a melhor música do RAP gringo pra vc? Pq?

Dificil uma melhor, eu gosto muito de The Roots.

Decepção no RAP é?

É normal. Quase diariamente rola. É ver quem eu acredito deixando de acreditar em si mesmo.

Motivação no RAP é?

Eu enxergo umas coisas no olhar das pessoas irmão… difícil explicar o que é… mas isso me motiva, quando eu enxergo isso eu me motivo muito.

O que o RAP será amanhã para você? Como você enxerga o RAP no futuro?

Vai ser melhor do que foi hoje. Enxergo no futuro, claro, eu vou estar melhor do que estou hoje e meu RAP também.

O que tem que mudar hoje?

O ego, o orgulho.

Que personagem te influenciou em sua vida?

O Paulo da Biblía, o Pedro da Biblía, Jesus Cristo.

Família é…  A base

Parceiros são… extensão dos sonhos…

O RAP é… O amor expresso em tudo que faço…

Conselho pra rapaziada que tá começando no RAP?

Ter bons exemplos e ser bom exemplo.

O que o RAP fez ou faz por você?

Fez eu me encontrar. Faz eu ajudar outras pessoas a se encontrarem.

O que você fez ou faz pelo RAP?

Fiz pouca coisa… quero fazer mais…

Time: Atlético-MG

Religião: Cristão

Frase: Juntos somos mais !

34. Indicações:

– Livro: Musashi

– CD da gringa: Common Be

– CD nacional: Qualquer um do Lenine…

– Filme: O Senhor dos Anéis

É isso família, valew Pedro Vuks pela oportunidade. Que Deus ilumine sua caminhada e abra portas para que suas rimas alcancem aqueles que precisam da Verdade. O RAP é extensão do seu esforço e o Blog do Barra e do EG5 Prod deseja muitas bençãos e luz na sua caminhada!

PAZ!

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Exército G5 – Reviva RAP

Ói nóiz aí no Reviva RAP!

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