Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo D, o Grupo da Morte (1)

Coitada da Costa Rica. Tradicional coadjuvante nos Mundiais, a seleção da América Central teve o azar de cair em um dos grupos da morte da Copa, ao lado de nada menos do que três campeões mundiais. Inglaterra, Itália e Uruguai irão se digladiar por duas vagas no grupo mais difícil da primeira fase.

São nada menos do que 7 títulos mundiais em apenas uma chave.

(Confira a análise dos grupos A, e C aqui!)

Costa Rica – Duas semanas de férias

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O mais otimista torcedor costarriquenho sabe que, apesar do futebol surpreender, a Costa Rica já vem para o Brasil com as passagens de volta compradas.

Repetir o feito da Copa de 90, quando chegou às oitavas de final com duas vitórias na primeira fase, é praticamente impossível, dada o abismo técnico que envolve o futebol local e o das seleções adversárias, Inglaterra, Itália e Uruguai.

A seleção comandada por Jorge Luis Pinto e que tem o ídolo Paulo Wanchope como assistente fez bonito nas eliminatórias da Concacaf, batendo Estados Unidos e México em campo e terminando na segunda colocação na fase final, à frente de Honduras e México.

Agora, o que resta é aproveitar a viagem ao Brasil, tentar roubar um ou outro ponto dos gigantes e encerrar sua participação em seu quarto Mundial dignamente.

 

Uruguai – Pelo resgate da velha raça e a aposta em Luis Suárez

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A velha mística terá que entrar em campo. Se o Uruguai não resgatar sua velha raça, a participação na Copa do Mundo 2014 poderá ser um vexame. Isso porque o desempenho uruguaio nas eliminatórias sul-americanas foi pífia. A Celeste foi apenas a quinta seleção, chegando ao Mundial após a repescagem contra a inexpressiva Jordânia, com uma queda assustadora de rendimento após as goleada sofridas diante da Colômbia (4 a 0)e da Bolívia (4 a 1), empates em casa e um saldo zerado, com 25 gols marcados e 25 sofridos.

Após o surpreendente (e merecido) quarto lugar na Copa da África do Sul (2010), o treinador Óscar Tabárez ganhou confiança e manteve um bom elenco sob seu comando, mas não manteve o bom desempenho.

Com Muslera, Maxi Pereira, Godín, Lugano, Scotti, Eguren, Lodeiro, Maxí Rodriguez, Cavani, Forlán e Suárez, não dá pra dizer que o Uruguai sofre com a falta de talentos. Aliás, uma das maiores apostas de Tabárez e da torcida portenha é na boa fase do atacante Luis Suárez e no faro de artilheiro de Cavani.

Se mostrar entrosamento e a catimba do futebol portenho, poderá bater de frente com as favoritas Inglaterra e Itália, por uma das vagas.

 

Inglaterra – No meio da renovação

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A Inglaterra é aquela seleção que sempre chega como favorita no Mundial e acaba esbarrando nos seus arquirrivais diretos. Desde 1994, quando não se classificou, os ingleses sofrem com a maldição das oitavas e quartas de final, caindo diante da Alemanha (2010), Portugal (2006), Brasil (2002) e Argentina (1998). Talvez cair em um grupo com duas grandes seleções pode ser um teste para o English Team, que não tem suportado aos grandes confrontos nos Mundiais.

Os ingleses não tiveram a mínima dificuldade nas eliminatórias europeias, classificando invictos na primeira colocação do grupo H, à frente da Ucrânia, a novata Montenegro, Polônia e as inexpressivas Moldávia e San Marino.

A grande questão deste elenco que chega no Brasil é a renovação em andamento que promove o técnico Roy Hodgson – vindo do pequeno West Bromwich Albion e sem um único título relevante em sua carreira.

O treinador inglês tem um elenco dividido entre atletas que devem disputar a sua última Copa do Mundo, como Gerrard, Ashley Cole e Lampard, e novos talentos como Sturridge, Cahill e Welbeck. O desfalque do atacante velocista Theo Walcott (com uma lesão no ligamento cruzado do joelho) não deve afetar o poderio ofensivo dos ingleses, que ainda têm todas as suas fichas depositadas em Rooney.

Basta que voltem a se enxergar como uma seleção grande para tentar quebrar a sequência de 48 anos sem um título mundial e se fixar, sem sombra de dúvidas, como uma das candidatas ao título.

 

Itália – A velha tática defensiva

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A seleção italiana nunca prezou pelo futebol vistoso. O padrão italiano prima pelo futebol de resultado, ou seja, prioriza não ser vazada, para depois pensar em atacar. E a seleção de Cesare Prandeli não virá muito diferente do que já estamos acostumados a ver.

Basta ver que nas eliminatórias, a Azzurra classificou-se em primeiro no grupo B, com 19 gols marcados, quase metade do que marcou a Alemanha na chave C, com 36. A diferença é que sua zaga já não é tão confiável quanto nos anos anteriores. O experiente goleiro Buffon, que chega ao seu quinto Mundial, ainda é a maior segurança defensiva.

Outro veterano, Pirlo, ainda é o motor do meio de campo, que sofre com a falta de nomes para suprir a ausência de criatividade e talento para abastecer o ataque, que tem Destro, Gilardino, Insigne e Balotelli como referências.

O título recente conquistado em 2006 não apaga o lamentável desempenho na África, quando ficou na primeira fase em um grupo com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Para manter o respeito às quatro estrelas que carrega sobre o escudo, a Azzurra terá que fazer muito mais do que apenas se defender contra equipes costumeiramente ofensivas como Uruguai e Inglaterra e contra uma Costa Rica que não terá nada a perder.

 

Tabela de jogos

Uruguai x Costa Rica – Dia 14.06.14, às 16h – Castelão
Inglaterra x Itália – Dia 14.06.14, às 19h – Arena da Amazônia
Uruguai x Inglaterra – Dia 19.06.14, às 16h – Arena Corinthians
Itália x Costa Rica – Dia 20.06.14, às 13h – Arena Pernambuco
Costa Rica x Inglaterra – Dia 24.06.14, às 13h – Mineirão
Itália x Uruguai – Dia 24.06.12, às 14h – Arena das Dunas

Por que Diego Simeone precisa assumir a Argentina já!

Diego Simeone era só mais um ex-jogador que migrou para a beira do gramado. Talvez como dirigente tivesse determinado sucesso, mas o momento que o Atlético de Madrid vive é uma prova cabal de que Simeone é diferenciado.

Simeone iniciou sua carreira em 2006, no Racing da Argentina, passando depois por Estudiantes, San Lorenzo e River Plate, pelo qual conquistou o seu primeiro título em 2008. Depois, ainda peregrinou por Catania, Racing novamente e, finalmente, chegou ao Atlético de Madrid, clube em que atuou como volante e é considerado ídolo da torcida colchonera.

Time com muita história e anos como coadjuvante da dupla Barcelona-Real Madrid, o Atlético de Madrid confiou em um treinador com um certo potencial, mas apenas um título em sua curta carreira até então.

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De 2012 até aqui, Simeone conquistou a Liga Europa de 2011/12, a Supercopa Europeia com uma vitória maiúscula por 4 a 1 sobre o Chelsea, em 2012 e, mais recentemente, a Copa do Rei da Espanha, diante do gigante Real Madrid, por 2 a 1.

Na atual temporada (2013/14), briga rodada a rodada pelo título espanhol contra Barcelona e Real Madrid e se mantém na liderança e acaba de eliminar o Barça, de Messi e Neymar, da Liga dos Campeões.

Enfim, após esse resumo, explico por quê Diego Simeone precisa assumir o comando da Seleção Argentina para ontem.

Seu atual clube, Atlético de Madrid, é uma equipe com jogadores destaques ‘agora’ na Europa. No início da temporada, Courtois, Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke, Arda Turan, o brasileiro Diego, o renegado David Villa e o artilheiro Diego Costa não passariam de coadjuvantes em outros clubes da Europa.

Pois bem, Simeone reuniu estes jogadores comuns, desconhecidos e renegados e transformou os Colchoneros em um time eficiente em fazer gols e impecável na marcação. O seu diferencial é justamente esse: Simeone era um marcador implacável. Tanto que é lembrado pelos brasileiros pela dura marcação nos clássicos.

Seu conhecimento em campo transformou o Atlético numa equipe compacta, que marca sem precisar apelar para a violência. Assim foi nos dois jogos contra o Barça, quando os catalães tentaram de todas as formas furar o bloqueio colchonero e não conseguiram.

Qual é o problema da Argentina atualmente? É uma seleção extremamente eficiente no ataque, repleta de craques do meio para a frente e um time medíocre do meio para trás. Se Simeone tem no elenco Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke e outros atletas até então considerados medianos, a Argentina hoje tem Romero, Zabaleta, Garay, Campagnaro, Otamendi e Mascherano do meio para trás.

Atual treinador argentino, Alejandro Sabella não sabe o que fazer com o setor defensivo. Tanto que entregou a liderança do atual elenco a Lionel Messi, para que a seleção saiba que é preciso ser efetivo no ataque para compensar a deficiência no setor defensivo.

Simeone não entende apenas de marcação. Sabe posicionar seu time para atuar fora de casa, demonstra sua emoção à flor da pele, mantém como treinador a mesma garra e vontade dos tempos de jogador – vide o seu comportamento na beira do gramado, que não se resume a dirigir o time, mas se estende a comandar a torcida em aplaudir, gritar e vibrar.

Simeone encarna a raça argentina à beira do gramado. Simeone poderá passar sua experiência de marcador, sua experiência tática e tornar a Argentina uma equipe que, apesar de pouco talentosa defensivamente, sabe se fechar enquanto o seu ataque resolve lá na frente.

Talvez 2014 ainda não seja o ano da Argentina em Mundiais. Mas dependendo da direção nos próximos anos, 2018 pode chegar ainda mais forte em busca de seu tricampeonato.

Reconstrução

Capa EG5

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Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo C

O grupo C talvez seja o grupo mais incógnita da Copa do Mundo de 2014. Colômbia e Costa do Marfim despontam como favoritas às oitavas de final, mas o futebol retranqueiro e de resultado da Grécia e o sempre em evolução futebol japonês podem surpreender e manter a chave equilibrada.

(Confira a análise dos grupos A e B aqui!)

Grupo C
Colômbia
Grécia
Costa do Marfim
Japão

Colômbia – Enfim, grande!

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Desde o fim da era Valderrama, Rincón, Asprilla e Córdoba, a torcida colombiana não tinha tantos motivos para se alegrar. Nas mãos de outro argentino, José Pekerman, jogadores como Falcao García, Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero formaram uma seleção que sobrou nas eliminatórias, fazendo inclusive sombra à Argentina.

Com apenas três derrotas em 16 partidas e a melhor defesa, com apenas 13 gols sofridos, a Colômbia chega motivada em um grupo onde pode se considerar protagonista, já que todas as seleções são de segundo escalão.

Com a boa fase vivida por Falcao García e a experiência de José Pekerman, que dirigiu uma das melhores seleções da Argentina nas últimas Copas, em 2006 – eliminada nos pênaltis nas quartas de final diante da Alemanha -, a Colômbia é franca candidata a liderança do grupo e deve alçar voos maiores após três edições longe do Mundial.

 

Grécia – Retranca + um gol

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De 2004, quando a seleção grega surpreendeu o mundo ao levar a Eurocopa de 2004 em casa, até hoje, pouca coisa mudou no futebol da seleção helênica. A Grécia segue com seu futebol retranqueiro, com uma defesa sólida, praticamente um ferrolho, e apostando em um golzinho.

A diferença é que hoje o elenco grego conta com talentos como os artilheiros Samaras, do Celtic, e Mitroglou, do Olympiacos, além do habilidoso e experiente meia Karagounis e o ala Torosidis.

Nas eliminatórias, conseguiu o feito de terminar na segunda colocação do grupo G, com 12 gols marcados em 10 partidas, pouco mais do que 1 por jogo. Perdeu a liderança, óbvio, por saldo de gols, já que a Bósnia marcou 30 vezes, e na repescagem enfrentou a Romênia, finalmente marcando 3 a 1 em casa e empatando fora por 1 a 1.

Mais uma vez chega para compor a lista das seleções na Copa. A única esperança é sofrer menos gols do que é capaz de marcar.

 

Costa do Marfim – Última tentativa

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Definitivamente, falta sorte! Esta é a verdade. A Costa do Marfim conta com um grande elenco, tem feito boas apresentações nos últimos anos e, frequentemente, é apontada como a melhor seleção africana. Mas quando chega na Copa, dá azar.

Em 2006, os marfinenses caíram no grupo da morte, ao lado de Argentina, Holanda e Sérvia. Vendeu caro a derrota aos argentinos e holandeses (ambos 2 a 1), e lhe restou vencer os sérvios (3 a 2). Quatro anos depois, outro grupo complicado: Brasil, Portugal e Coreia do Norte. Conseguiu um empate com os lusitanos, mas perdeu para o Brasil e goleou a Coreia do Norte. Ficou novamente na primeira fase.

Em 2014, será a última oportunidade do artilheiro Didier Drogba comandar ‘Os Elefantes’ e buscar a tão sonhada e possível vaga nas oitavas de final. Para isso, o goleador contará com a ajuda de Zokora, Tioté, Yaya Touré, Kalou e Gervinho, grandes jogadores que formam um dos melhores elencos do Mundial.

Nas eliminatórias africanas, não teve dificuldades na primeira fase, com apenas uma derrota diante de Marrocos. E na fase final, venceu tranquilamente Senegal por 3 a 1 em casa e depois só arrancou um empate por 1 a 1 para carimbar a vaga.

 

Japão – O crescimento continua

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Desde a sua estreia em Copas do Mundo, desde 1998, o Japão demorou apenas um Mundial para deixar o status de saco de pancada e subir um degrau. Isso se deve à evolução tática do futebol nipônico e o surgimento de grandes talentos nos últimos anos.

A frustrante eliminação nos pênaltis em 2010, diante do Paraguai, já é passado. O time comandado pelo italiano Alberto Zaccheroni vem numa crescente. Após conquistar a Copa da Ásia no início de 2011, os samurais sofreram com um começo oscilante nas eliminatórias asiáticas. Na fase inicial, terminou atrás do Uzbequistão, mas se recuperou na fase seguinte, deixando Austrália, Jordânia, Omã e Iraque comendo poeira.

Primeira seleção a carimbar a vaga para o Mundial, confia na segurança do experiente goleiro Kawashima e no talento de craques como Honda, Nagatomo, Endo e do meia do Manchester United, Kagawa, para se colocar como postulante a uma vaga nas oitavas de final e sonhar com uma inédita passagem para as quartas.

 

Tabela de jogos

Colômbia x Grécia – Dia 14.06.14, às 13h – Mineirão
Costa do Marfim x Japão – Dia 14.06.14, às 22h – Arena Pernambuco
Colômbia x Costa do Marfim – Dia 19.06.14, às 13h – Mané Garrincha
Japão x Grécia – Dia 19.06.14, às 19h – Arena das Dunas
Grécia x Costa do Marfim – Dia 24.06.14, às 17h – Castelão
Japão x Colômbia – Dia 24.06.14, às 17h – Arena Pantanal

EG5 – O Trampo é Pesado

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Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo B

A atual campeã, a atual vice-campeã, uma seleção sul-americana em franca ascensão e uma representante da Oceania como clara coadjuvante. Este é o grupo B da Copa do Mundo de 2014, entre a previsibilidade e uma possível surpresa, segunda chave analisada pelo Blogdobarr@! (veja a análise do grupo A, o do Brasil, aqui).

Grupo B
Espanha
Holanda
Chile
Austrália

Espanha – Favorita, mas nem tanto

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Se levássemos em conta apenas a campanha espanhola nas eliminatórias europeias, a Fúria chegaria ao Mundial como franca favorita para o bicampeonato. Mas após a classificação invicta no grupo I, à frente de França, Finlândia, Geórgia e Belarus, a Espanha sofreu com alguns tropeços que acenderam o sinal de alerta.

A forma de jogar continua a mesma, do toque de bola, o famoso tike-taka, a habilidade de Andrés Iniesta segue a mesma também, mas a má fase de David Villa desde que deixou o Barcelona rumo ao Atlético de Madri só foi amenizada com o fim da novela do brasileiro Diego Costa, que decidiu por defender as cores da Fúria e desandou a marcar gols no Campeonato Espanhol.

A base está mantida, mas o técnico Vicente Del Bosque terá que se desdobrar para tirar da cabeça dos atletas a goleada sofrida diante do Brasil na final da Copa das Confederações e do revés diante da fraca África do Sul, no último amistoso disputado em novembro. Pouco antes, a Espanha ainda sofreu pra vencer a inexpressiva Guiné Equatorial por 2 a 1.

O grupo não será fácil. A vice-campeã Holanda e o ascendente Chile não serão adversários quaisquer, tendo apenas a Austrália como coadjuvante. Estaria a Fúria se fingindo de morta?

 

Holanda – Renovação para sair do quase

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A Holanda é aquela seleção que tem a simpatia de todos os torcedores, joga bonito, sempre chega como uma das favoritas, mas termina no quase. Desde o carrossel holandês, a Holanda nunca chegou tão perto do título quanto na última Copa, quando parou na rival Espanha na prorrogação.

Como em todas as eliminatórias, a Laranja Mecânica sobrou e passou com 9 vitórias e um empate em um grupo com Romênia, Hungria, Turquia, Estônia e Andorra. O marco da campanha foi o massacre por 8 a 1 na Hungria.

O técnico Louis van Gaal voltou ao comando após 10 anos e iniciou uma reformulação no elenco, mantendo algumas antigas estrelas como Van der Vaart, o goleiro Stekelenburg, Robben e Van Persie, mas apostando novatos como Janmaat, Indi, Blind e Dephay.

Divide com a Espanha o status de candidata à liderança do grupo.

 

Chile – Agora vai?

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Exceto por alguns talentos isolados como Carlos Caszeli, Figueroa, Marcelo Salas e Zamorano, o Chile nunca chegou perto de ser uma ameaça real às grandes seleções. Mas desta vez parece que a situação mudou.

A mudança é fruto de dois trabalhos de argentinos no comando da La Roja: Marcelo El Loco Bielsa e o atual treinador, Jorge Sampaoli. De uma equipe medrosa e ciente de suas limitações, o Chile passou ao futebol agressivo, habilidoso e ofensivo, impulsionado por uma geração de novos talentos como Aléxis Sanchez, Eduardo Vargas, Valdívia, Arturo Vidal, Beausejour e o seguro goleiro Bravo.

Grupo capaz de vencer a Inglaterra por 2 a 0 em pleno estádio de Wembley. Nas eliminatórias, alternou sequências de vitórias e tropeços, mas chegou à Copa com a terceira colocação.

Deu azar ao cair em um grupo com duas seleções favoritas ao título, mas pode surpreender. Afinal, quem venceu a Inglaterra em Wembley e deu sufoco na Seleção Brasileira em Belo Horizonte, pode muito bem aplicar uma peça em Espanha ou Holanda e ainda quebrar a barreira das oitavas de final alcançada em 1998 e 2010.

 

Austrália – Sem desfazer as malas

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A Austrália não poderia ter caminho mais espinhoso na Copa de 2014. Além de uma viagem cansativa ao redor de todo o globo para chegar ao Brasil, os Socceroos não devem estar muito otimistas em desfazer as malas por uma permanência maior em solo nacional.

A decisão corajosa de abandonar as fracas eliminatórias da Oceania e buscar a vaga na Ásia serviu para preparar melhor o elenco, mas talentos isolados estão longe de tornar a Austrália uma seleção competitiva.

O experiente atacante Tim Cahill continua como referência e tem o apoio do goleiro Schwarzer e do zagueiro Lucas Neill. Nada além disso.

Nas eliminatórias, passou sem dificuldades por Omã, Arábia Saudita e Tailândia, e só encontrou um pouco de dificuldade na fase final, quando teve o Japão pela frente, terminando em segundo no grupo B, apenas três pontos à frente da inexpressiva Jordânia.

Em amistosos recentes, duas goleadas por 6 a 0 sofridas diante de Brasil e França mostram que a passagem deve ser curta. Sem muito a oferecer, deve aproveitar o passeio e apostar na retranca em busca de algum empate.

 

Tabela de jogos

Espanha x Holanda – Dia 13.06.14, às 16h – Fonte Nova
Chile x Austrália – Dia 13.06.14, às 19h – Arena Pantanal
Austrália x Holanda – Dia 18.06.14, às 13h – Beira-Rio
Espanha x Chile – Dia 18.06.14, às 16h – Maracanã
Austrália x Espanha – Dia 23.06.14, às 13h – Arena da Baixada
Holanda x Chile – Dia 23.06.14, às 13h – Arena Corinthians

Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo A

Há quase quatro anos, postei aqui neste blog que você lê a análise dos grupos da Copa de 2010, disputada na África do Sul. Mantendo a mesma linha, a partir de hoje postarei os detalhes de cada grupo e seleção que disputarão o Mundial de 2014, desta vez em solo nacional.

Logo após a análise dos oito grupos, postarei detalhes dos craques que estarão em gramados brasileiros em 2014.

Reafirmo que mantenho a minha torcida pela seleção alviceleste da Argentina, porém sigo a ética jornalística da imparcialidade.

Começamos pelo grupo do país-sede, o Brasil:

Grupo A
Brasil
Croácia
México
Camarões

Brasil – Favorito e pressionado

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A seleção de Luís Felipe Scolari vive um excelente momento. Com sua maior estrela, Neymar, brilhando em gramados espanhóis após sua midiática transferência para o Barcelona, o técnico Felipão ajeitou o elenco encaminhado pelo antecessor Mano Menezes, fez as suas apostas em jogadores esquecidos como o goleiro Júlio César e chega com uma moral tremenda após golear a antes temida Espanha, atual campeã mundial, na final da Copa das Confederações.

Mas quando a bola rolar no dia 12 de junho, no recém-inaugurado estádio do Corinthians (ainda sem nome oficial), a camisa amarela terá dois rótulos: favorita e pressionada. E isso vai depender da forma como os atletas se comportarem em campo, pois a torcida brasileira já tem o seu rótulo: muito exigente e sem medo de vaiar.

Como Felipão não é de surpreender em convocações, pouca coisa deve mudar no elenco – isso se ocorrer contusões ou algum jogador se destacar muito nos próximos meses’. Em um grupo médio, porém com rivais já conhecidos, se pintar alguma dificuldade será apenas pelo estigma de derrotas recentes para os mexicanos – que não vêm para o Mundial com grande moral – mas que não deve afetar a classificação brasileira para a segunda fase.

Croácia – Candidata a coadjuvante

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Desde a estreia em Copas quando terminou na incrível terceira colocação, em 1998, que a Croácia sonha com uma nova geração de Davor Suker, Boban, Jarni e Boksic. Após um intervalo de uma edição fora do Mundial – não se classificou em 2010 -, os croatas chegam com um elenco mesclado entre experientes, reaproveitados e promessas.

O goleiro Pletikosa já sabe a pressão que é disputar uma Copa (e também conhece o gosto de levar um gol brasileiro – Brasil 1 x 0 Croácia, gol de Kaká em 2006), mas o ascendente goleador Mandzukic terá o seu primeiro teste. Dois brasileiros – o atacante Eduardo Silva e o meia Sammir – reforçam o elenco que mais vai viajar durante a Copa. De São Paulo, os croatas partem para Manaus e depois Pernambuco.

No caminho para o Mundial, deixou a Sérvia para trás na fase de grupos das eliminatórias europeias e contou com a sorte ao enfrentar a fraca Islândia na repescagem. E, mesmo assim, não encantou: um empate sem gols e uma vitória por 2 a 0. Apesar da fé e ousadia do técnico Igor Stimac, não tem muito potencial para ir longe, mas pode fazer frente a México e Camarões pela segunda vaga.

México – Todas as fichas em Chicharito

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Após a eliminação do México na Copa de 2010 diante da Argentina, a seleção tricolor não acertou a mão na direção. Foram quatro técnicos que passaram por lá – média de um por ano – e o atual, Miguel Herrera, assumiu há dois meses, em outubro de 2013.

Nestes últimos quatro anos, a única boa recordação foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos diante do Brasil em 2012, justamente o que motiva a esperança nos torcedores mexicanos atualmente.

Acostumado a brigar com os EUA pela ponta da tabela das eliminatórias da Concacaf, o México fez uma campanha terrível, com empates sofríveis com Jamaica e Panamá e derrota para Honduras, jogando-o para a repescagem contra o campeão da Oceania. Foi quando Miguel Herrera assumiu o comando.

Diante da inexpressiva Nova Zelândia, duas goleadas (6 a 1 em casa e 4 a 2 fora) aumentaram as esperanças dos mariachis e, agora, as fichas estão depositadas no faro de goleador do experiente Peralta e na habilidade de Chicharito Hernández. A eterna promessa Giovanni dos Santos segue no elenco, que ainda conta com Guardado e Ráfa Marquez por falta de opções.

Nos 10 últimos confrontos com o Brasil, quatro vitórias para cada lado e dois empates. A zica mexicana estará de volta?

Camarões – Dependentes da tutela de Eto’o

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Samuel Eto’o e a seleção de Camarões vivem uma relação de amor e ódio. O conturbado relacionamento já sofreu dois divórcios, mas reatou novamente e o maior artilheiro dos Leões Indomáveis, com 55 gols, deve disputar sua última Copa por seu país, mesmo sendo contrariado por dirigentes.

É verdade que a seleção africana, assim como a Croácia, está longe de lembrar os áureos tempos de glória, mas nunca deve se duvidar da força do futebol camaronês. Durante as eliminatórias africanas, os Leões não tiveram dificuldades em passar por Congo, Líbia e Togo. Na fase decisiva, atropelou a Tunísia com louvor, 4 a 1, e garantiu a vaga.

A missão agora é apagar o fiasco de 2010, quando foi eliminada ainda na primeira fase com três derrotas para Dinamarca, Holanda e Japão. E para lhe ajudar, Eto’o conta com o barcelonista Alex Song e o artilheiro do Fenerbahçe, Webó.

A camisa tem potencial. A grande dúvida é se os conflitos internos afetarão o desempenho do elenco em campo.

Tabela de jogos

Brasil x Croácia – Dia 12.06.14, às 17h – Arena Corinthians
México x Camarões – Dia 13.06.14, às 13h – Arena das Dunas
Brasil x México – Dia 17.06.14, às 16h – Castelão
Croácia x Camarões – Dia 18.06.14, às 19h – Arena da Amazônia
Camarões x Brasil – Dia 23.06.14, às 17h – Mané Garrincha
Croácia x México – Dia 23.06.14, às 17h – Arena Pernambuco