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Análise dos grupos da Copa do Mundo 2014 – Grupo F

Um grupo com um amplo favorito, duas forças medianas e um franco atirador. Este é o cenário da chave F, que tem a Argentina de Lionel Messi como protagonista, a pouco conhecida, mas perigosa Bósnia, a sempre surpreendente Nigéria e o Irã como o mais fraco.

Mas o que parece ser óbvio pode se tornar uma grande surpresa, já que a Bósnia promete contrariar os que duvidam de seu potencial.

(Confira a análise dos grupos A, B, CD e E aqui!)

 

Argentina – Mais uma chance para a geração Messi

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Não é novidade. Em todas as Copas do Mundo, a Argentina chega como uma das principais forças, mas a estrela de seu principal jogador, Lionel Messi, ainda não brilhou como se espera e como a Argentina precisa, como aconteceu em 1986, com Diego Maradona. E o Mundial no Brasil será uma nova oportunidade para a geração de Messi provar que os hermanos podem sonhar com um novo título para o futebol portenho.

Nas últimas Copas, a pedra no sapato argentino tinha forma de chucrute. Os alemães eliminaram a Argentina em 2006 (nas quartas) e 2010 (nas oitavas de final). Por isso, o cenário ideal em 2014 é classificar-se na liderança do grupo F e também torcer para a Alemanha terminar a primeira fase na ponta da chave G.

O apoio maciço da torcida ajudará, mas já passou da hora da geração de Messi, Higuaín, Di María, Mascherano e Aguero vingar com a camisa alviceleste. E o técnico Alejandro Sabella sabe a responsabilidade que tem, principalmente a pressão sobre Messi, sempre acusado de não render na seleção o mesmo que rende no Barcelona.

O problema da alviceleste ainda é o setor defensivo. Se o ataque é poderoso, a zaga ainda é vista com desconfiança. Por isso, Garay, Campagnaro e Otamendí também terão que provar que, ao lado do goleiro Romero, podem garantir lá atrás, enquanto Messi & cia. resolvem lá na frente.

Nas eliminatórias, os hermanos não tiveram dificuldades, principalmente por não ter o seu arquirrival, o Brasil, na disputa. Foram apenas duas derrotas, um surpreendente tropeço contra a Venezuela na segunda rodada e na última rodada, já classificada com antecedência, diante do Uruguai. Foi de longe o melhor ataque e a segunda melhor defesa, o que pode ser um bom sinal.

Favorita a Argentina claramente é, basta acreditar em seu próprio potencial para ir longe na Copa-2014.

 

Bósnia Herzegovina – Boa surpresa ofensiva

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Duas seleções são apontadas como boas surpresas que podem despontar nesta Copa: Bélgica e a Bósnia. E em sua estreia em Mundiais, a Bósnia quer aproveitar a boa geração de craques que tem para surpreender logo na estreia.

O poderio ofensivo e a solidez defensiva foi comprovada nas eliminatórias, quando classificou-se na liderança do grupo G, que tinha Grécia, Eslováquia e as fracas Lituânia, Letônia e Liechtenstein. Em 10 jogos, foram 30 gols marcados (quarto melhor ataque), com goleadas estrondosas como o 8 a 1 sobre Liechtenstein e o 5 a 0 sobre a Letônia.

Os bósnios sabem que terão que enfrentam a habilidade argentina logo na estreia, mas Nigéria e Irã não assustam um elenco que tem o goleador Dzeko e Ibisevic, além do meia habilidoso Pjanic. E é justamente no desconhecimento de seu elenco que o treinador Safet Susic esperar surpreender.

Portanto, não estranhe se os estreantes surpreenderem e lembrarem o assombroso desempenho croata em 1998.

 

Nigéria – As águias estão prontas para novos voos?

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Desde a sua estreia em Mundiais, em 1994, a Nigéria, finalmente, volta a uma Copa do Mundo com um elenco pronto para ser a melhor seleção africana. Prova disso é a conquista do tricampeonato da Copa Africana de Nações, quando deixou pelo caminho outra força do continente, a Costa do Marfim.

Credenciada pelo título, é hora de lutar por nova classificação para a segunda fase da Copa, como aconteceu em 1994 e 1998. Nas eliminatórias, as Super Águias foram econômicas nos gols, mas fizeram o suficiente para carimbar sua vaga e ainda tiveram a sorte de enfrentar a mais fraca das seleções na fase final, a Etiópia.

Stephen Keshi, comandante nigeriano, não quer dar sopa para o azar, por isso convocou os principais craques do país. Enyeama, Obi Mikel, Joel Obi, Victor Moses e o artilheiro Emenike estão com passagens compradas para o Brasil.

Se ousarem como na época de Jay Jay Okocha, Nwankwo Kanu, Amokachi e George Finidi, os Super Águias têm condições de voltarem a ocupar o status de melhor seleção africana da atualidade, mas a concorrência de Camarões, Costa do Marfim e Gana será grande.

 

Irã – Genérico argentino é o trunfo

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Não há o que se esperar do Irã em Copas. O ápice das participações foi a emocionante e ‘deliciosa’ vitória sobre os arquirrivais políticos Estados Unidos em 1998, única vitória até aqui em Mundiais.

Se tem algo a apresentar ao mundo é um jovem talento chamado Sardar Azmoun. Com apenas 19 anos, Azmoun nunca defendeu a seleção iraniana, mas o seu desempenho no Rubin Kazan, da Rússia, rendeu o apelido de ‘Messi iraniano’.

Dos 28 pré-convocados, apenas nove atletas atuam fora do país. Dejagah, que atua no Fulham, Davari, do Eintracht, e outros ‘europeus’ trarão um pouco mais de experiência para o elenco, que está longe de oferecer algum risco aos seus adversários .

Se o Messi iraniano fizer milagre, o Irã volta pra casa com algum empate.

Tabela de jogos

Argentina x Bósnia – Dia 15.06.14, às 19h – Maracanã
Irã x Nigéria – Dia 16.06.14, às 16h – Arena da Baixada
Argentina x Irã – Dia 21.06.14, às 13h – Mineirão
Nigéria x Bósnia – Dia 21.06.14, às 19h – Arena Pantanal
Bósnia x Irã – Dia 25.06.14, às 13h – Fonte Nova
Nigéria x Argentina – Dia 25.06.14, às 13h – Beira Rio

Por que Diego Simeone precisa assumir a Argentina já!

Diego Simeone era só mais um ex-jogador que migrou para a beira do gramado. Talvez como dirigente tivesse determinado sucesso, mas o momento que o Atlético de Madrid vive é uma prova cabal de que Simeone é diferenciado.

Simeone iniciou sua carreira em 2006, no Racing da Argentina, passando depois por Estudiantes, San Lorenzo e River Plate, pelo qual conquistou o seu primeiro título em 2008. Depois, ainda peregrinou por Catania, Racing novamente e, finalmente, chegou ao Atlético de Madrid, clube em que atuou como volante e é considerado ídolo da torcida colchonera.

Time com muita história e anos como coadjuvante da dupla Barcelona-Real Madrid, o Atlético de Madrid confiou em um treinador com um certo potencial, mas apenas um título em sua curta carreira até então.

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De 2012 até aqui, Simeone conquistou a Liga Europa de 2011/12, a Supercopa Europeia com uma vitória maiúscula por 4 a 1 sobre o Chelsea, em 2012 e, mais recentemente, a Copa do Rei da Espanha, diante do gigante Real Madrid, por 2 a 1.

Na atual temporada (2013/14), briga rodada a rodada pelo título espanhol contra Barcelona e Real Madrid e se mantém na liderança e acaba de eliminar o Barça, de Messi e Neymar, da Liga dos Campeões.

Enfim, após esse resumo, explico por quê Diego Simeone precisa assumir o comando da Seleção Argentina para ontem.

Seu atual clube, Atlético de Madrid, é uma equipe com jogadores destaques ‘agora’ na Europa. No início da temporada, Courtois, Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke, Arda Turan, o brasileiro Diego, o renegado David Villa e o artilheiro Diego Costa não passariam de coadjuvantes em outros clubes da Europa.

Pois bem, Simeone reuniu estes jogadores comuns, desconhecidos e renegados e transformou os Colchoneros em um time eficiente em fazer gols e impecável na marcação. O seu diferencial é justamente esse: Simeone era um marcador implacável. Tanto que é lembrado pelos brasileiros pela dura marcação nos clássicos.

Seu conhecimento em campo transformou o Atlético numa equipe compacta, que marca sem precisar apelar para a violência. Assim foi nos dois jogos contra o Barça, quando os catalães tentaram de todas as formas furar o bloqueio colchonero e não conseguiram.

Qual é o problema da Argentina atualmente? É uma seleção extremamente eficiente no ataque, repleta de craques do meio para a frente e um time medíocre do meio para trás. Se Simeone tem no elenco Godin, Miranda, Raúl Garcia, Gabi, Koke e outros atletas até então considerados medianos, a Argentina hoje tem Romero, Zabaleta, Garay, Campagnaro, Otamendi e Mascherano do meio para trás.

Atual treinador argentino, Alejandro Sabella não sabe o que fazer com o setor defensivo. Tanto que entregou a liderança do atual elenco a Lionel Messi, para que a seleção saiba que é preciso ser efetivo no ataque para compensar a deficiência no setor defensivo.

Simeone não entende apenas de marcação. Sabe posicionar seu time para atuar fora de casa, demonstra sua emoção à flor da pele, mantém como treinador a mesma garra e vontade dos tempos de jogador – vide o seu comportamento na beira do gramado, que não se resume a dirigir o time, mas se estende a comandar a torcida em aplaudir, gritar e vibrar.

Simeone encarna a raça argentina à beira do gramado. Simeone poderá passar sua experiência de marcador, sua experiência tática e tornar a Argentina uma equipe que, apesar de pouco talentosa defensivamente, sabe se fechar enquanto o seu ataque resolve lá na frente.

Talvez 2014 ainda não seja o ano da Argentina em Mundiais. Mas dependendo da direção nos próximos anos, 2018 pode chegar ainda mais forte em busca de seu tricampeonato.